Assim, ó, essa é meio velhinha, mas lembrei hoje por causa de um ocorrido.
Um belo dia estava eu de trajes de ficar em casa, que eu chamo de “cruz-credo”: pijama, meias por cima da calça, chinelo de dedo, óculos, cabelo preso num coque, luvas de borracha e pra completar a produção, um avental. Enfim, o quadro da dor na parede sem reboco.
Eis que acaba o gás no meio das minhas experiências culinárias e telefono pra encomendar outro. Claro que não tem espaço no apê pra botijão reserva, nem eu sou trouxa de ter um na garagem, pra carregar sozinha pra cima. E ainda às vezes pago tudo em moeda, e os “tios” saem com mais peso em centavos de pila do que trouxeram em gás, mas não confundam maldade com a economia do fim do mês.
Mas aquele dia um cara trouxe o gás e, em meio à troca do dito cujo (sei trocar, mas pra que cansar essa beleza, né?), começou a falar que queria comprar um apartamento, se tinha algum pra vender no prédio, quantos quartos, blá, blá, blá, bolhinhas de sabão pra ver se não tinha vazamento, e eu respondendo educadamente apenas.
Perguntou discretamente se tinha lugar suficiente, e a boba respondeu que era muito bom pra mim e meu filho. Ok, gás trocado, pago em cédulas, já que eu tava a cara da riqueza na ocasião.
No dia seguinte, eu saindo pro trabalho, toca o telefone.
-Alô?
-Alô.
- .....
- Aqui é fulano. (nome masculino meio "genérico")
-....fulano...quem?
- Eu estive ontem aí, trocando o gás.
Pausa pra cair os butiás do bolso, a árvore e quebrar o tronco. Não sabia nem meu nome, como conseguiu o telefone?
- Ah... (pensando se ele tinha esquecido alguma ferramenta)...sim?
- Queria saber como tu tem passado.
- Err...hã...é que estou atrasada pro trabalho, se quiser ligar outra hora.
Desliguei o telefone, petrificada. Demorei pra me recuperar do susto.
Mas desse acontecido concluí três coisas:
Primeiro, o moço do gás teve mais coragem que um monte de outros que ficam encarando a noite toda e não são capazes de chegar e dizer “oi”. Só “oi”, gente! Ele ao menos se puxou, catou meu número e teve a iniciativa de ligar. Palmas pra ele, apesar de não fazer meu tipo.
Segundo, tem gosto pra tudo!!! E eu devo ser muito, muito linda, porque vestida daquele jeito, nem numa construção eu agradaria, vocês imaginem a cena!!
Terceiro, preciso sair mais, que em casa só com tele-qualquer-coisa pra alguém me achar.
Quarto, não tem, só ia até o três, prestatenção!
Bom, isso faz três anos. Continuo não saindo. Não vale a dor nas pernas e nunca tem companhia pro xis do fim de noite.
Mas os butiá "me cai do bolso volta e meia". Só que nunca mais pelo mesmo motivo.
Bons tempos em que o modelito de ficar em casa arrasava corações! Ai, ai...
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| Imagem distorcida no cérebro masculino |
(escrito em 4 de março de 2013 às 23:01)

Rindo alto!!!!! Pra ver como você é linda sempre! Sençualizando até com modelito "quadro da dor na parede sem reboco" (amei, vou usar!). AMEI O BLOG! Beijosssssss, 3st3r <3
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