Postagens populares

quinta-feira, 2 de junho de 2022

A padeira acidental

 “ÀS VEZES A GENTE SE ARRISCA PORQUE É A ÚNICA SAÍDA”

Faz um ano que minha vida mudou um pouco, e pouco mais de um mês que mudou totalmente.

Fui professora de inglês em colégios por 11 anos. E contando com as escolas de idiomas, faz uns 19 anos que sou professora.

Mas no ano passado, o ensino remoto quase acabou comigo!! Precisei sair do meu emprego não só por causa de saúde mental. Foi uma questão de sobrevivência mesmo. A gota d’água foi uma semana em casa, com crises de pânico. Conversei com meu marido e fizemos as contas. Ele me dizendo, “Isso não é um trabalho, é uma missão! Sai desse emprego. Eu pago nossas contas até tu te formar e trabalhar de novo”.

Foi a luz no fim do túnel para quem não via saída. E não tinha saída mesmo, porque eu estava saindo para nunca mais voltar a ser professora. Mas sabia que não sabia fazer mais nada. E que desespero isso me causou!

Mas tudo tem seu ciclo e as coisas se acomodam. Aconteceu assim:

Fui cursando a faculdade, me recuperando do pânico, da fobia social e de desequilíbrios físicos. Chegou a época de assistir às aulas para os estágios. E tive aquela sensação boa de estar no meio de adolescentes de novo, e crianças, de estar rodeada de vida.

Um belo dia, me deram uma rifa para vender. E como vinte reais (!) me fariam bastante falta se eu comprasse a folha toda, fiz o que achava impensável: vendi os números. E mais ainda: gostei de vender.

Detalhe: eu sempre detestei lidar com dinheiro, tinha imensa dificuldade de cobrar pelo meu trabalho e jamais tinha vendido coisa alguma!

Passou um mês e eu senti muita falta de ter MEU dinheiro, a ponto de ter uma crise num domingo. Perguntei ao meu marido, “O que tu acha de eu fazer pães para vender? Eu tenho medo de falhar.” Imaginei que ele levantaria possíveis empecilhos ou daria conselhos para eu não me frustrar. Mas não. Me disse que achava ótimo e que só fazendo para eu saber.

No dia seguinte comecei! E fiz etiquetas em casa mesmo para os produtos. Vendi todos que eu fiz. E no outro, mais pães, caminhei de porta em porta para vender, fiz contatos na vizinhança, adaptei produtos, medi pesos de receitas, precifiquei cada centavo, fiz um caixa detalhado, anotei o que produzi e vendi, tudo direitinho.

Nem consigo explicar a satisfação de voltar para casa com o cesto vazio e meu dinheiro SEM ESTRESSE na carteira!

E dali em diante, passei a anunciar, tenho encomendas, organizo o dia em função delas e do final da minha graduação, que está em fase de estágios em duas escolas – bem corrido.

Acho até que no final do ano voltarei para uma sala de aula e os pães serão uma atividade extra. Mas esse não é o ponto.

A questão é:

MUDEI TUDO! Me atirei sem rede, aos quase 50 anos. Não tinha ideia do que viria, nem esperava me reapaixonar pelo ensino.

 Eu só sabia que não podia mais ficar naquele esquema de trocar vida por dinheiro.

Mas sobretudo, provei para mim mesma que consigo fazer o que eu sempre dizia, “Qualquer coisa, faço comidas para fora”. Porque eu nunca acredei que teria a saúde física, organização e persistência para isso. Era só uma ideia conveniente.

E para resumir:

Não é sobre fazer pães. É sobre comprovar que não preciso morrer de preocupação e estresse para me manter.

É sobre, aos 50 anos, cuidar da saúde do corpo para poder fazer uma tarefa bastante física. E sobre aprender novas habilidades, como vender, mexer no Canva, anunciar, fazer precificação e contabilidade, monitorar estoques, compras e organizar o tempo.

Não sei por quanto tempo farei pães e bolos e sabe-se mais o quê dessa cozinha tão afetiva. Só sei que eu consigo, que preciso de muito pouco e que não estou muito velha para recomeçar.

O nome disso,

se você ainda não percebeu,

é LIBERDADE.


Não se esqueça de viver. Beijos de moranga com linhaça para você! 



sexta-feira, 26 de julho de 2019

Porque sou CONTRA dietas


Este texto nasceu de um vídeo de uma jovem que acompanho desde seu documentário “Maris: cura pela ioga", na Netflix, sobre como a prática ajudou em sua recuperação da anorexia. 

Maris Degener é uma alma sábia, muito além de seus 20 anos, e diariamente posta textos sobre autocompaixão, aceitação do nosso corpo, cuidados com saúde mental e equilíbrio para uma vida feliz, sem cobranças desnecessárias.

Já volto ao vídeo que ela fez, que você pode assistir aqui, em inglês, antes de continuar.

Compartilho um pouco minha experiência com esse único e amado corpo que tenho.

Eu nem me dava conta disso, mas sempre fui magra. Era basicamente um moleque nos anos 70 e 80. Fiz ginástica artística por uns 8 anos, andei muito de patins, corria pela rua, andava de bicicleta e tinha um corpo bem funcional para o que eu queria fazer. 

A comida lá em casa era feijão, arroz, carne e alguma salada, todo santo dia. Não tinha muita fruta porque era caro. Mas também não tinha chocolate, bolacha recheada e refrigerante – essas eram as coisas do fim de semana, poucas e divididas entre os 3 irmãos. Assim, acho que tive sorte nesse quesito.

Na gravidez, aos 25 anos, eu esperava engordar uns 15 kg, pois apesar de comer muito saudavelmente, era chocólatra ao extremo. Mas vomitei tanto no começo e tive tanta azia no final, que contabilizei só 7kg, que logo perdi e mais um tantão, INFELIZMENTE, por um problema de saúde: inflamação da tireoide (tireoidite pós parto), que trato até hoje (doença de Hashimoto). Por fim, recuperei meu peso habitual.

Anos mais tarde, uma depressão muito severa me levou às profundezas do inferno. E aí, um os remédios que o psiquiatra receitou aumentou meu apetite incrivelmente! Me vi devorando carboidratos desesperadamente, em quantidades absurdas. E mesmo quando o remédio foi trocado, o hábito se manteve. Resultado: mulher no fundo do poço da depressão, quase um ano em casa, em uns cinco meses engordei uns 30 kg! E continuei, até chegar a pesar 91 kg. Tenho 1,63m de altura, imagine...E engordei tão rápido que fiquei desfigurada. Tinha quase 30 anos naquela época.

Mas demorei uns 4 anos para colocar em prática o que uma nutricionista tinha me recomendado, pois uma cirurgia grande, para retirada do útero aos 36 anos, me aguardava: “Metade do teu prato vai ser tua ‘floresta’, cheio de verduras e saladas coloridas. A outra metade, divide com carboidrato e proteína. E não conta calorias, principalmente de frutas e verduras”.

Esse sábio conselho eu comecei a seguir – pasmem! – nas festas de final de ano. Comecei deixando a sobremesa de lanche da tarde. E fazendo o prato delicioso naquelas proporções. Quando achava que queria servir mais, ia molhar as plantas ou estender roupa, para então ver se ainda estava com fome. Não, a vontade passava. Com a maior paciência do mundo, em dois anos eu tinha emagrecido 20kg. Os outros 10 eu perdi aliando exercício, em mais um ano.

Vida nova, disposição renovada, hábito de fazer musculação quase diariamente. Fiquei assim por muitos anos, já que era meu estado natural de vida. E nunca me privei de comida NENHUMA. Sou contra dietas restritivas. Meus exames de sangue continuavam invejáveis, como sempre foram mesmo quando eu estava obesa.

Bem, nos últimos 4 anos comecei a namorar, casei e me aposentei do ritual do acasalamento...hehe...brincadeirinha. É que meus esquemas mentais de escassez e indisciplina têm a tendência de me tirar coisas. Nesse caso, a autoestima e a saúde. Assim, fui acumulando 18kg.

De novo, Madelon? Sim, de novo. 

Mas entendi porque tive que passar por isso novamente: aprender mais humildade e a me amar independente do peso. Da primeira vez que perdi um monte de peso, eu meio que desprezava (mentalmente) o fato de as pessoas que se enchem de porcaria (auto desprezo, obviamente) e passei a gostar de mim novamente SOMENTE porque tinha “conseguido” aquela façanha que nem eu achava possível.

Bem feito, tapa na cara! Na escola da vida a gente repete o ano também – e eu sou uma aluna bastante repetente!

Fiz os exames em maio, com meus 81 quilinhos adquiridos com muitas comidinhas afetivas (e bastante cerveja), jantares desnecessários, quantidades absurdas no prato e zero exercício. Resultado: subiu tudo de ruim, menos os triglicerídeos. A endocrinologista de deu um prazo para perder peso e normalizar os exames “antes de tomar remédio para o colesterol” (!!!), e eram só 5 meses. Jura? Só pode estar de sacanagem.

Nem tentei, a princípio. Faltava vontade. E faltava dar aquele clique. Até tinha tentado dieta low carb, quase (no carb) por uma semana...eca! Meu cérebro toca uma sirene com o NÃO.

Acho se um dia me proibissem de comer bosta, eu serviria um pratinho, polvilharia com açúcar e canela e mandaria ver! Percebe que cérebro imaturo? Mas ele é bonzinho, só tenho que ter jeito para domar o bichinho, daí a terapia.

Aí, tcharamm! No domingo de Páscoa (nunca tinha ganhado tanto chocolate na vida), meu filho (adulto, bem magro, cozinheiro e mega cuidadoso com a saúde) me mostrou o aplicativo que usa para controlar as calorias e nutrientes do que come. Instalei o MyFitnessPal e pedi que me mostrasse. Ele inseriu meu peso, objetivos, nível de atividade física (zero) e chegou a um cálculo calórico, que definimos em porcentagem para os macros (proteína, carboidrato e gordura).

Me encantei com a facilidade e a liberdade de comer o que eu queria, mas negociar as quantidades e ver os nutrientes que estava colocando no meu corpo. Se tem coisa que me dá prazer é fazer e comer comida saudável. Por dois meses usei e logo de início perdi uns 4 quilos.

Larguei de mão dele aos pouquinhos, na correria do dia a dia, mas os hábitos e quantidades ficaram. Para minha surpresa, com um pouquinho de exercícios, perdi 9kg e ganhei saúde.

O que quero dizer com isso? Conselhos:

- Cada um tem seu tempo. O meu é bem longo e acontece em momentos tão inesperados que nem me preocupo mais. Ele sempre chega.
- Se você não se ama acima do peso, não vai ser perdendo peso apenas que sua autoestima será resgatada ou mantida.
- Pra que insistir em dietas e soluções rápidas e milagrosas quando você já falhou miseravelmente com isso? Porque a gente está programado para falhar, se sabotar e continuar sentindo auto piedade?
- A resposta para alcançar a SAÚDE é como no budismo: o caminho do meio – não ser radical.
- O corpo é só um reflexo da mente, e dela decorre a saúde. Quanto menores e mais agradáveis as escolhas de mudança, mais elas se tornam permanentes.
- Engordamos por desequilíbrios no bem estar mental. Emagrecemos ao restabelecer esse respeito pelo nosso único e querido corpo, o único que temos nessa jornada terrena.
- Se tivéssemos acesso a treinamentos que ensinassem as pessoas a ter PACIÊNCIA em vez de buscar resultados imediatos, a indústria da dieta provavelmente faliria.
- Só compartilhei minha perda de peso porque foi simples, sem esforço e focada na SAÚDE, por isso achei inspiradora.
- Ainda estou bem acima do peso, com 72kg. Provavelmente vou emagrecer mais, pois só restabeleci velhos hábitos. Mas se continuar assim, tudo bem. Só quero meus exames normais novamente e longevidade com qualidade de vida.

Amo meu corpo como me amo por completo, com a ajuda do meu esposo, da minha psicóloga e do amor dos meus alunos, amigos e familiares.

E por amar meu corpo, sou contra dietas restritivas ou radicais, e pró-autoconhecimento e mudanças permanentes. Assim como sou contra colocar curativo em feridas infectadas ou tapar um vazamento com fita adesiva.

Dieta é uma solução temporária, uma privação muitas vezes de situações sociais e até uma escolha de vitimização com o “Não posso, estou de dieta”. O que acontece depois que o indivíduo vai da manutenção para a vida rodeada de maus hábitos de antes?

Por fim, o vídeo da Maris Degener era sobre a Beyoncé.

No documentário Homecoming, antes de se apresentar no festival de Coachella, ela se pesa, mostra o peso e diz que tem um longo caminho pela frente. Então aquela mulher empoderada e que, com sua música traz mensagens de autoaceitação e girl power total, se submete a uma dieta altamente restritiva (5 importantes grupos alimentares excluídos) que, segundo ela mesma, a faz sentir fome e privação, para atingir um objetivo.

Que objetivo? Ter um corpo mais adequado (depois de ter tido três fillhos, diga-se)? Ter disposição física para se apresentar num show extenuante? Sentir-se realmente bela? 

Pôxa, Bey...se você, com tudo que É não se sente bela, o que sobra para tantas mulheres que você inspira?

Enfim, após nitidamente desaprovar a própria dieta, ela endossa uma campanha que vende online essa mesma dieta. E dentre os objetivos que o cliente escolhe, um deles é “Fazer do jeito da Beyoncé”. 

Lembrando que a própria manifestou a dificuldade da dieta, mesmo com personal chefs, personal trainers, etc. Dá para entender?

Finalizando, Maris Degener, que lutou tanto para superar um transtorno alimentar, expressa seu desapontamento em ver uma mulher que admiramos apoiando a cultura da dieta, que se baseia no sentimento (feminino) de não aceitação e vergonha do nosso corpo.

“Tão poucos de nós escapamos da cultura da dieta sem sermos prejudicados por ela”.
Maris Degener

Que a gente abrace mais nossa gostosura, nossa personalidade e sejamos abundantes de vida sempre.


Ser de muita luz e clareza de seu propósito do mundo. Inspiração!

Millenium Falcon esticada, mas tinha mais de mim para abraçar...haha.


OBS: por dieta, me referi a algo bastante restritivo e de busca por resultados rápidos, focado principalmente na perda de peso. Não considerei casos em que ela é necessária como meio de manter a vida (obesidade grave associada a doenças, por exemplo) ou em que alguém precisa adaptar a alimentação em função de intolerância ou alergia a alimentos.


segunda-feira, 1 de abril de 2019

1º de abril: revelações matrimoniais!


Uma coisa interessante aconteceu hoje de manhã. Meu marido iria voltar ao trabalho depois de três semanas de férias e eu tenho folga segunda de manhã. Em vez de começar logo a fazer minhas coisas de aula, não resisti à vontade de fazer um café da manhã gostoso, pra ele e pra mim.

Arrumei numas bandejas pra sentarmos na sacada. Abrimos umas cadeiras de praia e, assim que ele sentou, sem camisa, já foi dizendo que estava muito frio. “Que bom”, eu disse, “Menos calor pra hoje”. Ele colocou uma camiseta (que eu tenho quase certeza de que estava guardada numa garrafa PET) e fomos comer.

“Isso não é muito confortável pra mim”, disse o homem 30cm mais alto do que eu com a bandeja no colo. “Que mal agradecido!”, eu pensei. Mas aí me lembrei que ele tinha dormido SEM TRAVESSEIRO!

Será que ele dormiu mal? Porque podia ter pegado de volta seu travesseiro favorito de cima da minha cabeça quando foi pra cama, pela 1h30 da manhã, como sempre faz. Eu não precisava de quatro travesseiros e mais o meu de corpo, compridão, e ele sabe disso. 

Será que ele estava inconscientemente tentando protestar contra minha apropriação indevida de travesseiros e espaço na cama? Só porque vou dormir sempre antes das 11 da noite? Humm...

E enquanto isso eu falava. Falava da camiseta mal dobrada. E ele chomp, chomp, glub, glub, inclinado na bandeja, que eu já tinha levantado com uma almofada.  E já tinha colocado outra nas costas dele. Percebe o movimento em volta da pessoa que recém acordou?

Aí pedi pra ele olhar pro céu. “Mais alto, amor! E olha a lâmpada da sacada...é assim que a gente corrige a postura da pessoa”. Ele riu pela primeira vez na manhã e disse que tinha vontade de me jogar um pedaço de bolo...hehe...aí deixei ele quietinho.

Aliás, tentei.

Meu entusiasmo matinal perseguiu a cheirosa pessoa até o quarto, onde ele colocava o cinto e pegava a carteira e chaves.

- Muito obrigada pelo café, Mozudinha!

- De nada, amor! Adoro fazer café pra ti. E quando não estiver a fim de falar de manhã, só me diz, “Eu quero ficar quieto”.

Pausa dramática (literalmente).

- Eu gosto de ficar quieto de manhã.

Assim, na cara. Depois de TRÊS ANOS juntos e eu cantando, rindo, dançando, derrubando os móveis que nem uma labradora  A CADA MANHÃ! E sempre dizendo que não sabia como ele aguentava meu entusiasmo matinal.

Pois então: ele não aguenta.

Ninguém aguenta. Até porque acordo umas duas horas antes de qualquer pessoa.

Percebi que meu marido não era como eu pensava que ele era. Houve uns 5 segundos em que me senti meio traída. Mas logo notei que ele apenas estava sendo amoroso e simpático por tempo demais e, assim que recobrava a consciência de manhã, começava a interagir porque adora meu entusiasmo.

Meu primeiro pensamento agora seria: por que esperar três anos pra dizer que prefere ficar mais quieto pela manhã? Meu filho era bem mais direto e lascava isso na minha cara, de modo que convivemos sem maiores problemas.

Meu filho, por outro lado, sabe que não tenho como me divorciar dele. E que a gente é meio que obrigado a se amar, como ele mesmo disso uma vez. Sábio esse guri.

E sábio esse homem.

Se tivesse me dito há uma semana que precisava ficar mais quieto, eu provavelmente teria ficado muito triste e chateada. Muito mesmo. E faz três dias que eu puxei uma D.R. pra dizer que a gente precisa se abrir mais um com o outro, falar as coisas que nos desagradam e mudar alguns comportamentos pro nosso casamento continuar nessa parceria que sempre tivemos.

Sou pró-discussões, mas tudo requer sensibilidade e o momento certo para não magoar o outro. E esse cuidado com os sentimentos do outro é justamente a base do nosso relacionamento. Reclamar disso seria como reclamar da paciência dele, que é o que mais admiro.

Pra completar o início do dia, me despedi do meu companheiro matinal falando umas besteiras:

- Esse dia é uma RE-VE-LA-ÇÃO no nosso casamento! Vou ter que comprar um labrador pra me acompanhar nessa casa!

- E quando ele ficar grande, tu dá o cachorro?

- Claro que não. Eu vendo! Por mais do que comprei. Tu tá investindo teu dinheiro? Pois eu serei uma investidora de cachorros. Vou fazer o trading enquanto ainda são filhotes e fofos. Vou botar meu dinheiro pra trabalhar pra mim, oras.

Que nada!

Vou continuar tomando café às 5 da manhã, quando acordo. E vou confiar nos estudos que dizem que os homens (e os humanos em geral) costumam acordar mais quietos.

Vou continuar encorajando o “Desembucha o que tá te incomodando!” e acolher o feedback como uma adulta saudável.

Quem sabe eu faça uma caminhada antes das 6h pra gastar minhas energias...

Ah, esse último e o trading de cachorros é primeiro de abril.

Mas no resto, pode confiar.

Investe na parceria, senão o amor vai morrendo, bem devagarinho.

Coloca o seu relacionamento pra trabalhar pra você.

E investe a longo prazo, que se a cotação cair por um tempo, não tem porque se preocupar.

Casamento bom sempre acaba gerando lucro.

...prefiro seu silêncio. Mas só se for possível. E com muito love, baby. 

PS: Ontem houve uma longa conversa entre meu filho e meu marido sobre investimentos financeiros, da qual participei apenas como ouvinte, daí os termos acima. Hoje “investi” R$ 1,17 na poupança... Não dava pra comprar nenhuma ação com esse único dinheiro que eu tinha. Desculpa, rapazes!




domingo, 24 de fevereiro de 2019

Aconteceu com outra amiga

Tenho uma amiga que é linda, inteligente, divertida e excelente motorista, mas tem um único defeito: acumular rejeitos (apenas e tão somente) em seu carro. Lavar o carro? Só dá no sábado, dia de ficar em casa, mas que também é dia de limpar todo o apê com, aí ela acaba adiando. Ah, e aqueles 40 pila ela preferiria poupar para gastar num sushi, lavando seu pequeno veículo preto na calçada do prédio. O sushi acontece – a lavagem não. O interior do carro da minha amiga tem lixeirinha transbordando de papel de chocolate, várias garrafas de água e cascas mumificadas de banana. Então, um dia, dirigindo na rua principal de sua pequena cidade, ela sente uma cosquinha no pé direito. Pausa para você ir formulando suas hipóteses. A amiga tira o pé do acelerador e dá uma chacoalhada, deve ser algum papel de doce que foi parar ali. Mais umas quadras, nova cosquinha andando no pé da amiga. Ela olha para baixo. Adivinhou, né? La cucaracha! Uma baratilda saudável, reforçada, criada a whey e restos do chão do carro. Pausa para imaginar o pavor da anti-higiênica pessoa. Nesse momento, ela dirige sem o pé no acelerador, levantando as pernas à altura do volante, tipo quando a gente andava de bicicleta na carona e não podia arrastar os pés no chão, sabe? O carro continua indo no embalo, mas onde parar aquele chiqueiro ambulante para procurar o inseto? Ela avista uma vaga na frente de um restaurante. Aponta o carro e estaciona ali, a quase um metro da calçada. Sai correndo e vai para o lado do passageiro. Abre a porta. Procura a barata. ACHA a barata! A coitada está apavorada, escondida embaixo do pedal do acelerador. Mas minha amiga precisa agir e atacar o inseto antes que provoque um acidente. Na frente do pessoal que está na calçada, a indivídua tira sua sapatilha, cata a barata e, com um golpe certeiro, a abate. Com uns guardanapos que estavam no chão do carro, a amiga recolhe o corpo e o deposita na sarjeta – não a julguem, é tudo biodegradável. Sem olhar para os lados, ela entra no carro e dirige até em casa, pisando nos pedais como quem está atravessando um potreiro minado de esterco fresquinho. Chega à garagem. Ufa! Não sabe como conseguiu se controlar e agir de maneira racional diante de uma situação tão amedrontadora! Sente-se quase uma diva corajosa triunfante. Praticamente uma Mulher Maravilha. Mas cai na real em 10 segundos. “Sou apenas uma Peppa Pig com mais sorte do que vergonha na cara. Preciso mandar lavar esse carro!” Mas a lavagem de carros estava lotada naquele dia. E minha amiga não tinha mangueira nem vontade de lavar o carro. Nem de tirar o lixo, que poderia estar habitado por familiares da barata assassinada. Sobe até seu apartamento - muito mais limpo, felizmente. Pega o inseticida. Desce. Abre o carro, prende a respiração e descarrega uma nuvem de SBP no veículo todinho, fechando a porta em seguida. Carro interditado por uns dias. Mais um corpo baratal no chão da garagem. Culpa. Luto. Aceitação. Vida que segue. Só que a partir daquele dia, tudo mudou: seu carro agora é um veículo imaculadamente limpo, lavado todos os finais de semana. Nunca mais houve uma embalagem de alimento deixada ali. Há um odor delicioso, de aromatizador para carros. Ela comprou um novo o tapete para o lado do motorista e uma lixeirinha só de enfeite. E todos continuarão lhe pedindo carona. Esse relato é totalmente verdadeiro, exceto o parágrafo anterior. Mas se quiserem carona, o carro tem boa música, uns lanchinhos e inseticida no porta-luvas. Minha amiga preferiu não se identificar. Sábia essa diva do chorume motorizado!

domingo, 30 de dezembro de 2018

Resoluções de Ano Novo: um guia mais prático ainda


Bem, eu tenho o costume de escrever, no final do ano, todas as metas pretendidas para a próxima circulada em torno do Sol. E rever a lista do ano anterior, pra ver o que eu consegui.

Comecei esse hábito por conselho de uma amiga superhiperprodutiva, que escreve tudo e conquista tudo. 

Só que eu ainda não progredi tanto no quesito produtividade (eu deveria colocar só isso na lista?), de modo que faço umas listonas e analiso o atingimento das minhas “metinhas”. Acreditem, é hilário ler no fim do ano aquela motivação infantil.

Ano passado cheguei ao cúmulo da listagem das metas: categorizei vida pessoal, trabalho, finanças...até saúde (que consistia em apenas fazer os exames que os médicos me pedem - veja você que tipo de paciente eu sou!).

E o texto do que atingi no ano anterior é tudo no campo “melhor pessoa”, “progresso espiritual”. Acho que eu estava com a autoestima estratosférica ou talvez fosse uma premonição de que eu ia ficar bem mais fofinha e mais confusa ao longo do ano – ou seja, aquilo já estava “ótemo”!

Com o passar de 2018, que incluiu casos de depressão por todos os lados e minha entrada definitiva no clube seleto da menopausa, incluindo combustão espontânea, insônia e uma irritação até com minha própria pessoa,fui meio que diminuindo as expectativas. 

Sabecomé, eu queria emergir de 2018 uma borboleta, mas acabei contente como crisálida, só espiando pra fora do casulo e torcendo pra não ser esmagada por algum transeunte.

E deu supercerto. Final do ano letivo: successss! Não pedi demissão e nem sofri transtornos mentais (irreversíveis). E ainda fui escolhida como uma das paraninfas do terceirão, ó a querideza da pessoa! Muitos pontos de exclamação para 2018!

Pois bem, hoje eu peguei o caderno pra dar uma riscada no que eu conquistei...


Por exemplo, não comecei uma poupança em conjunto com o marido pra uma viagem – mas comprei uma mala, olha que prática! E assisti tanto programa de viagem que tô dominando a cultura de uns países que eu nem dava importância. Ou seja, até já decidimos pra onde ir.

Não controlei direitinho meus gastos, mas saí da Era Paleolítica e agendei minhas contas no celular. E gastei menos. E não perdi nenhum documento, fiz manutenção no carro...ou seja, me passei por adulta sem levantar suspeitas.

Não perdi peso, mas perdi os óculos diariamente, o que, em última análise, consistiu em perder uns 50g por dia! Perdi também a habilidade de ler de perto. Mas ganhei uma prescrição para multifocais, que adiarei o máximo possível, pra manter minha dignidade.

Não viajei mais com meu marido, mas fui na épica viagem do 9º ano e zerei a vida. Fiz incontáveis quilômetros por estradas rurais, pelo menos. E me embarrei. Peguei coelhinhos fofos. Conheci uma porca gigante. Fui lambida por dois bezerros. Peguei muitos pintinhos, piu, piu, piu. Corri atrás de uma galinha. Chafurdei numa trilha de lama, rolei e fiz “anjo de neve” no lodo. Talvez isso seja uma viagem no tempo, pra quando eu tinha uns 8 anos.

Não voltei pra academia, mas voltei pra terapia...hehe. E rebolei que é uma loucura no Just Dance. Dancei em público até quando havia câmeras. Subi tanta escada carregadíssima de sacolas e passei tanto calor que praticamente fiz funcional o ano todo. Fiz crossfit de arrancar inço, cultivar pimentão, pimenta e carregar saco de terra. Corri numa plantação, que era um item da minha bucket list. E corri atrás dos alunos do 9º ano pra tacar cubos de gelo, pois exercício é questão de motivação, né?

Ah, e eu aprendi a DIZER NÃO pra ofertas de trabalho que eu não queria aceitar nem morta! Cara, eu praticamente atalhei o caminho entre a saúde e a saúde novamente. Entre ter um ataquezinho cardíaco e uma angioplastia. Entre um câncer de cólon e uma químio básica. Ou seja, passei de saudável a saudável sem tratamentos ou intervenções cirúrgicas.

Mas só pra eu me sentir mais vitoriosa nas metas, vou fazer que nem a campanha do Trump - manipular os dados a meu favor. Assim, observe e aprenda com a tia Madelon:

(x) Poupei. Preocupação, esquecendo alguns compromissos. Sacolas plásticas.
(x) Cortei. Mais pizza do que eu devia. A mão, e levei uns pontos.
(x) Organizei. Minha mente inquieta. O armário dos mantimentos.
(x) Planejei. Horários para cochilos. Refeições saudáveis pra família.
(x) Arrumei. A coluna, com alongamento. Trabalho extra como confeiteira. Pobrema dosoutro pra "mim" resolvê.
(x) Consegui. Derrubar a torta do Terceirão janela abaixo. Contar errado os alunos e deixar um dorminhoco no busão.
(x) Reformei. O matinho da sacada. O matinho da sacada. O matinho da sacada.

E sabe aquela lista do ano passado? Tá tão organizada que eu só vou trocar o ano.

E colocar o 1 antes do 5 nos quilos a emagrecer.

Quer mais prática que isso?

Ora, pois coloque na sua lista! 

E se não conseguir ser prático ou atingir qualquer das metas, metinhas e metonas que escrever no seu caderno, sei lá, compre um caderno com mais páginas para os anos seguintes?

Pode ser que você seja um atrasadinho otimista, tipo eu.


Não minveje. Trabalhe.




sábado, 15 de dezembro de 2018

O dia em que virei idosa


Sempre digo que não sou velha - apenas um modelo vintage, 1971. Ainda mais com meu jeito de ser (inconvenientemente infantil), que está meio em descompasso com a minha certidão de nascimento.

Mas essa semana eu me rendi. Virei uma septuagenária.

O que vocês levam em uma bolsinha ou carteira de festa? Eu levo celular, carteira de motorista e dinheiro, um batom pra retocar, que nunca na minha vida foi usado, um pó pra tirar o brilho da cara (idem ao batom) um pente e as chaves do carro.

Essa semana, precisei socar no plastiquinho da carteira de motora o cartão da Unimed. E botei o cartão do SOS Unimed junto. E isso que eu só ia até a escola, na formatura do 9º ano, e voltar pra casa. Ah, nada de cartão de banco, que idoso tem medo de assalto relâmpago. Coloquei 50 pila, pois o pessoal ia sair pra jantar depois, mas obviamente arreguei e fui pra casa, uma idosa que acorda 5 da manhã.

Concluo desse evento:

Preciso rever meus conceitos e trocar a maquiagem por uns comprimidim de cada remédio básico (Neosaldina, Dorflex e Tylenol sinus), mais as duas bombinhas de asma e um descongestionante nasal. E comprar uma bolsa maior pra sair, provavelmente.

E confesso com muita, mas muita vergonha, que vou fazer uma anotação, em algum lugar, do número do meu marido. Por dois motivos: caso me achem inconsciente (nunca por bebidas alcoólicas, que não tenho mais 18 anos) ou acabe a bateria do meu celular, pois eu não sei de cor o número dele.

É que idoso na época tecnológica não sabe de cor o número dos familiares mais próximos, mas ainda lembra o número das amiguinhas da quinta série do colégio – o que é assustador porque até parece indício de Alzheimer.

Para encerrar essa crônica da derrota, meu marido e eu decidimos que seremos idosos fofos, como um casal de japoneses que vimos na Internet, que se vestem combinando há 38 anos!

Já fizemos um cospobre acidental do casal, com roupas de ficar em casa. E eu "entuco as meia" praquele charme extra. Segundo meu marido, a gente combinando facilitaria nossa terceira idade. Caso um se perdesse do outro (já perco ele no supermercado), era só perguntar "Você viu um idoso parecido comigo?" e pedir pra devolver.


Por enquanto, vamos de camisetas das nossas séries preferidas, pra dar uma disfarçada. Ele de Han’s Guitar Solo e eu de House music. Uma roupa de baixo decente, conselho de idoso, em caso de acidente. Nossas colunas ferradas. Eu com dor no ciático. Ele dormindo sempre de meia.

Mas diante as realização recente do SOS Unimed, me lembrei de que desfruto da melhor parte de estar idosa desde uns 30 anos de idade. 

É que ouvimos recentemente um podcast com um cara muito inteligente, metódico e ranzinza (Sr. K é demais!), que eu seu aniversário de 40 anos, reuniu a família mais próxima em um jantar e fez um brinde anunciando algo do tipo, “de agora em diante, não vou mais a aniversário de crianças genéricas nem a batizados. Não levo mais a sogra pro lugar tal. Não me sinto mais obrigado a visitar parente, etc.” 

Assim que terminou o discurso e o pessoal estava boquiaberto (palavra de idosa), ele pediu a sobremesa. 

*Bah, dum tss!*

Quanto a mim, só não anunciei em brinde de aniversário, até pra pagar de querida. Mas não vou a aniversário quando não tenho vontade de ver gente. Festa de casamento e formatura, só das pessoas mais amores da vida, mas me arrumo esbravejando.

Debut, tenho orgulho de ter ido a um só, da minha sobrinha (obrigação pela qual não passarei mais). Não visito parente nem conhecido que tem aquele “papo do preço do leite”, reclamação com faxineira, listagem de cirurgias, “onde dói hoje” e fofocas genéricas. 

Não vou a salão pra evitar de escutar conversa de tragédia, pessoas genéricas dizendo que “suicídio é uma fraqueza da pessoa” (caio na gargalhada e fica chato) ou as últimas novidades da sociedade local.

Enfim, dos meus 47 anos, resumo que sou uma idosa em pleno uso de suas faculdades mentais, facilmente identificável, com plano de saúde e que tá pouco se lixando para as convenções sociais.

Não sei se isso aumenta a longevidade, mas é mais libertador do que andar de pijama na rua e ir trabalhar de chinelo.

Acreditem, falo por experiência.

E recomendo.

Nosso cospobre e os amorzinhos originais. Já tive esse cabelo de penico dos 8 aos 10 anos. Me rendeu o papel de Romeu na peça da escola. Serei uma Rapunzel grisalha, devido ao trauma.




sábado, 18 de agosto de 2018

Como sobreviver ao primeiro término: manual de regeneração facial



Se você tem mais de 15 anos, já, deve estar trabalhado na arte da rejeição, então sugiro voltar ao LOL, à sua série preferida ou fazer uns contatos. Mas se você está ingressando na dura tarefa de quebrar a cara na vida amorosa, sente e pegue um Kit Kat ou um balde de pipoca e uma garrafa de água. Temos muito trabalho pela frente. Vou usar tudo no gênero masculino pela comodidade ortográfica e pra não vitimizar as muié.

1) Demissão sem aviso prévio:

O que é: A garota terminou com você sem mais nem menos. Tipo, de tarde tava tudo bem e de noite tava tudo terminado.

O que fazer: Filme muito triste pra chorar tudo que pode. Maquiagem pra cobrir a cara de choro. Se você for menino, sinto muito, essa é sua única desvantagem. Depois de uns 10 dias, pergunte aos amigos mais chegados – ou à ex mesmo – o que poderia ter mudado para tentar fazer umas besteiras diferentes na próxima. E pode ser que a pessoa só estivesse querendo aproveitar a oferta de mercado, então não se culpe.

O que não fazer: Insistir em tirar satisfações quando o outro não tá a fim de falar. Stalkear a pessoa. Pior, permitir que seus pais stalkeiem por você! Porque daí o recado será “sou uma pessoa ameaçadora e não namorável”, vai por mim (não que meus pais soubessem da minha vida amorosa nos anos 80, obviamente). Também é um pouco ridículo ligar chorando pra pedir pra, pelamordedeus, devolver suas pantufas de dinossauro, que a gente sabe que isso é desculpa. Chama a OLX e deapega!

2) Azedou o rolê tipo 1:

O que é: Um dos dois se apaixonou por outra pessoa.

O que fazer:
a) Transformar-se na outra pessoa, se você tiver poderes mágicos e nenhuma autoestima.

b) Conversar com o atual e terminar numa boa, com dignidade, sem enfeites na testa.

O que não fazer:
a) Ficar "full pistola" com o futuro ex porque você tem certeza absoluta que nunca vai se apaixonar por outro estando em um relacionamento (não seja idiota, nunca te pedi nada!).

b) Atacar a outra pessoa, pela qual você foi supostamente trocado, verbalmente, no WhatsApp (cyberbullying, tipo Nutella, registrado e “espalhável”) ou chamar no “vamo vê” (bullying tipo raiz).

3) Azedou o rolê tipo 2:

O que é: Você já fez o test drive e ficou com outra pessoa. Optou por ela. Bateu um remorso. Você resolve contar pra pessoa atual que decidiu trocá-la por um modelo mais novo.

O que fazer: Assumir o vacilo. Pensar que a namo/crush/ficante merece ouvir as maravilhosas notícias por você e não pelos outros. Preparar uma lista de porque o problema é você e não a outra pessoa. Explicar que a namo/crush/ficante é uma pessoa maravilhosa, mas que acontecem esses, digamos, “imprevistos do coração”. Levar uma caixa de lenços. Levar chocolate. Mostrar-se arrependido.

O que não fazer:  Deixar que ozamigo contem do ocorrido. Não ter coragem pra encarar a namo/crush/ficante, especialmente se tiver família envolvida (é o mínimo que você deve a esse serumaninho) e terminar por mensagem. Ser grosso e ir fazendo a pessoa acabar com você, pra se poupar de ser o vilão. Ora, tenha-vergonha-na-cara, isso-não-se-faz!

4) Enjoei.com

O que é: Você, antes dos 15, enjoou da pessoa, não sabendo exatamente porque, mas tá nauseado. Talvez seja a síndrome da Super Bonder. Ou tenha que ceder gavetas do seu guarda roupa pros uniformes da pessoa amada e você não tá preparado para ser os seus pais ainda. Ou sei lá, seja criativo, os problemas dessa geração eu tô meio por fora, mas certamente tem inúmeros.

O que fazer: Conversar com o atual e terminar numa boa, com dignidade, sem enfeites na testa. CrtlC CtrlV do "Azedou o rolê tipo 1".

O que não fazer: Ficar com a pessoa. Afinal, ela não tem culpa se, de uma hora pra outra, você não suporta mais o Rexona dela. E pode ser só ranço seu, então dá licença. Pode ser que o indivíduo seja um namo/crush/ficante perfeito para outra pessoa. Abre a roda.  Sai da fila. Vaza!

5) Crise de identidade, a.k.a. "Quais as minhas opções?"

O que é: Vocês se gostavam desde a Educação Infantil. Vocês estão juntos desde uma idade que chocaria pessoas da minha idade. Vocês são novinhos, mas sempre foram o Troy e a Gabriela um do outro. E agora, um fez tratamento para espinhas e tem um novo corte de cabelo. O outro tirou o aparelho e foi eleito gatinho da gincana. Um de vocês (ou ambos) está se questionando se é com aquela pessoa que você quer ficar idoso sem nunca ter beijado outra.

O que fazer: Conversar com o atual e terminar numa boa, com dignidade, sem enfeites na testa. CrtlC CtrlV do "Azedou o rolê tipo 1"  e "Enjoei.com".

O que não fazer: Ficar juntos para sempre sem saber o que teria sido. Culpar a pessoa por tudo isso dali a vinte anos. Criar filhos adoráveis mas alérgicos à monogamia.

Bem, não tenho outras ideias de término pra essa faixa etária, que é a que mais chora no meu ombro. Tem uns outros fatores complicantes que eu prefiro não citar aqui, para fins de privacidade. Mas a gente pode falar pessoalmente e aí você decide se está com uma pessoa que realmente lhe faz bem. E se você não está sendo um chato inaturável pro outro.

Os meninos são uns idiotas de estarem com a autoestima exacerbada e querendo pegar tudo que podem?
Sim.

As meninas são umas idiotas de estarem com a autoestima exacerbada e querendo pegar tudo que podem?
Sim.

Quem é mal visto quando fica com um monte de pessoas?
Desnecessário responder.

Ficam umas dicas/ conclusões gerais de quem já quebrou a cara levando (e dando) foras:

1) A face parece ser uma parte do corpo altamente regenerável. Você jura que nunca mais vai amar ninguém e dali a um mês já está planejando o casamento no Havaí com outro indivíduo. Ou combinado as fotos pra simular como seriam os bebês do casal (deu um arrepio de pavor agora!).

2) Esse texto se chama Como sobreviver ao PRIMEIRO término porque haverá outros. Ah, tantos outros...*suspiros*

3) O mundo vai acabar inúmeras vezes. E aí você vai deixar de ser besta.

4) Suas córneas serão hidratadas por centenas de mililitros de líquido lacrimal. E aí você vai deixar de ser besta.

5) Você vai achar a princesa da Disney que mais se adapta ao seu castelo. E aí você vai deixar de ser besta.

6) Você vai casar aos 19 anos com uma pessoa maravilhosa. Vai ficar casado por 10 anos, ter um filho, separar. Vai ficar 15 anos sozinho. Aos 44 anos, você vai sair com uma pessoa que nem deveria ser real, pelos seus algoritmos. E descomplicar a vida, ligar no dia seguinte e deixar de ser besta. 

Pessoal, o ritual do acasalamento é uma porcaria! Mas um dia a gente deixa de ser besta, encontra a pessoa certa e faz dar certo com ela.

Até lá, vamos quebrando a cara. De jeitos inovadores, pelo menos, que é pra evoluir.

Ah, quase me esqueci: a friendzone não é um buraco negro, viu? Tem um monte de casais incríveis que emergem dela. Então olha em volta e deixa de ser o quê?

Cê já entendeu.

Lava a cara que hoje é sábado.

Chama os amigos, dá umas risadas.

Tem vida depois do primeiro término.

Nada como um marido depois do outro...hahaha...porque tem que errar bastante pra gente evoluir. Meu soulmate de muitas vidas <3