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domingo, 19 de novembro de 2017

Os flamingos do México

O seguinte post provavelmente não contém absolutamente nada para acrescentar à sua vida, mas me senti compelida a escrevê-lo.

A não ser que você não saiba o que é “compelida” que é tipo “obrigada”. Nesse caso, “de nada!”

Então, vou relatar uns diálogos que andam acontecendo na nossa casa. Pelo número de visualizações, pretendo confirmar minha hipótese de que realmente são incomuns nas casas das outras pessoas (adultas).

TEM BIAATCH NOVA NO OVERWATCH:

Fazendo massagem nas costas do marido, e pensando num filme, sushi, Just Dance, ou terminar Life is Strange, pergunto:

- Vamos fazer alguma coisa diferente hoje?
- Tem personagem novo no Overwatch!
- Xiii...deixa pra lá.

Não adianta, sexta é noite de games cos boy. E não dá pra competir com uma personagem que tem poder de ataque E de cura. Versátil essa Moira...eu, hein? Fui ver Netflix com o gato filho. 

Se tivesse carvão, eu tinha feito um churrasco.

Não de gato.

Acho que ficou confuso.

Deixa assim.

 PÁSSAROS DANÇANTES:

- Olha que eu me superei hoje com esse penteado que eu acordei, né? O coque tá caído e tem esses negócios levantados.
- Nossa, tu tá que nem um rouxinol!
- Quem me dera! Rouxinol canta, e eu não sei cantar.
- Então tu tem que ser um pássaro que dança.
- Que pássaro que dança?
- Um flamingo!
- Tá, pode ser.

Eu satisfeita, porque dançar também não sei. Mas faço umas evoluções na pista de dança que as pessoas contemplam com espanto e não tô nem aí. Aliás, nunca tô nem aí.

E assim o flamingo continuou o café da manhã, sem pentear o cabelo. 

WATSON DESTEMIDO:

Sempre perco meus óculos e meu celular. Dentro do apartamento. Várias vezes por dia.

Aí, só pergunto onde tá um ou outro e o Janio dá as coordenadas sem nem precisar se levantar!

Ontem que quis ser mais adulta e independente, aí me escapou, “Cadê meus óculos?” E fui toda cegueta procurando. Ele só esperando eu perguntar onde tavam os malditos.

- Acho que tão no banheiro, lembro de ter deixado na segunda prateleira quando fui buscar o pente.

Fui lá e não tavam. Ele quase rindo de mim.

- Ah, acho que deixei na sala quando fui pegar o colírio da Zoey.

Não tavam.

- Mas tu tá te achando o Sherlock Holmes hoje, hein?...hahaha...

Que desaforo! Aí mesmo que não perguntei. Porque é lógico que achei os óculos num lugar bem plausível: área de serviço, atrás do sabão em pó.  Por algum motivo, me lembrei que tinha colocado lá.

Não tenho poderes paranormais pra me lembrar porque.

FRICÇÃO CIENTÍFICA:

Ouvimos num podcast, dia desses, a tosca expressão “friccionar os corpos”.

Aí eu tava alcançando chocolate pro bofe, que tava dobrando a roupa que tinha recolhido. Eu tinha terminado minhas mil tarefas, aí fiquei deitada, de boas, só dando palpite. Fiz aquela pose séquici que tá na foto do post e mandei:

- E aê? Vamos friccionar os corpos?
- Eu sei que tu tá blefando!

Inteligente esse homem. Por isso casei com ele.
Agora, por que ele casou comigo (depois de ler esse blog), nem me arrisco a perguntar.

REGIME SEMI-ABERTO:

Domingo de noite me dou conta de que estou há dias sem sequer colocar o pé na rua.

- Sabe há quanto tempo eu tô sem sair de casa?
- Quanto?
- Desde sexta de manhã, quando saí pro trabalho!
- Tu tá em cativeiro?
- Sim. E por vontade própria, ainda! Nem fui passear com a cachorra... Acho que é síndrome de Estocolmo. 

Aí sim, dei uma piscadinha bem legal.
Mas ele não tava olhando. Pena, eu nem tava blefando.
Acho que vou dar um rolé, pra chamar a atenção.
Colocar aquela echarpe, saída triunfal.

- ¡Me voy a Mexico!
Aí bato a porta.

Será que no México tem flamingos?
E como vou ver os flamingos sem óculos??
E minha bolsa, cadê?

Ah, melhor eu piscar de novo pro meu sequestrador. 
Tô sem autonomia pra sair sozinha mesmo.

Imitando a cara de zoeira da minha irmã enquanto abro um espumante, que tinham pedido para um HOMEM abrir. Ah, mas que nojo!...hahaha





sábado, 4 de novembro de 2017

Instruções pro pós-vida

Há uns dias, eu estava lendo no site Bored Panda um post sobre lápides bem-humoradas. 

Eu sei que para muitos a morte é um assunto triste ou um tabu. A estes, peço que me desculpem a naturalidade com que trato desse futuro acontecimento da nossa existência. Porque é só uma questão de tempo para todo mundo, e eu não poupo umas piadas e conjecturas, que é basicamente como eu vejo e vivo a vida.

No site, em inglês, tinha coisas como “Um veterano gay. Recebeu uma medalha por matar dois homens e uma dispensa por amar um”. 

Tinha também, em letras miúdas em uma lápide, “Se você consegue ler isso, está pisando nos meus peitos”. 

E uma com foto de uma senhorinha atendendo ao telefone, dizia “Jesus ligou (chamou, é o mesmo verbo em inglês) e a fulana atendeu”. 

Ri de todas, então acho que cumpriram a função pretendida.

Eu sempre dizia que queria que escrevessem “Eu disse que não estava me sentindo bem”. Mas passei a uma certeza absoluta de que vou partir dessa pra algum lugar (ou pro nada) de câncer (tem câncer de mama na família e desde os 20 anos eu tenho uns nódulos suspeitos, já retirei um) ou em acidente de carro (sempre na estrada com uns caminhões malucos colados na traseira). Mas enfim, são meus palpites, por favor não me julgue.

Digo pra todo mundo que, depois de doarem meus órgãos (até o cabelo pra fazer pincel), eu gostaria de ser cremada e minhas cinzas espalhadas em algum matinho aleatório. 

Não suporto aquele peso que as pessoas têm de visitar túmulo, capinar, lavar, limpar e tal. Mas minha sobrinha, que tem o mesmo humor ácido do meu, é da opinião de que dá pra fazer uma placa simbólica, com o nome e uns dizeres.

Aí tô entre duas possibilidades. Ficam mais legais em inglês, então se for pelas causas que eu acho que serão, fica:

“I told you so!” (Eu avisei).

Se for de um outro motivo, pode ser “I didn’t see this one coming!” (Por essa eu não esperava!).

Claro, fiquei na dúvida de onde seria a placa e tal. Podia ser virtual, que não enferruja e é grátis, acho que seria prático.

Mas enfim, por enquanto ainda tô aqui, escrevendo besteiras nas interuébi sem ser contida e correndo o risco de ser mal interpretada. Depois disso, tanto faz. Só queria que aproveitassem se sobrar algo da carcaça.


Não queria era dar trabalho de visitação. Porque seria tipo tocar a campainha, eu não estar em casa e a pessoa ainda lavar meu tapete e tirar o inço da minha grama. 

Estranho, né?

Eu acho.

"I'm so surprised!" Tô com uma cara felizinha de quem ganhou algum prêmio, parece.