Dando continuação ao post de (quase o) mesmo nome, aqui uma
coletânea de histórias sem graça mais recentes. Devo admitir que o nome deveria
mudar para histórias embaraçosas, mas como raramente fico com vergonha, vou
deixar assim mesmo. Só vou colocar subtítulos.
Pente, aquele inimigo
Três dias que estou praticamente sozinha em casa. Faxina
intensa, muitos banhos e pra quê pentear o cabelo? Penteio na raiz, uma maçaroca
de coque e uma tiara. Mas sempre xeróza, CK One. Hoje me senti culpada e penteei.
Metade ficou na escova, a outra metade tá bem comprida. Perfume mais xexelento pra evitar de ficar muito diva. Até porque sou
crush de dois entregadores de gás. Lágrimas escorrem. Próximo tópico.
Palmilhas epiteliais
Mais preguiça do que desembaraçar a juba, só a de lixar os
pés. Porque tem muito pra lixar. Muito! E em duas semanas já volto ao estado produtora
rural. Não há creme que dê jeito. Só não uso a lixa da furadeira porque não
tenho uma. Taí um bom presente pro dia das mães. Ou dos namorados, talvez?
Quindim beneficente
Há semanas com vontade de comer um quindim. A padaria que faz
os melhores do planeta, em férias. Compro no Bourbon uma caixa com dois. Na
primeira mordida, um negócio duro, pura gelatina e um coco ralado grosso com
gosto de sabonete. Vendo a procedência, fico feliz em ver que ajuda o pessoal
em recuperação das drogas. Um pequeno símbolo mostra que que é um produto sem
maconha. Foi o que minha mente registrou.
Jantar top da laje
- O que eu podia fazer de janta hoje? Dá uma dica.
- Podia vir aqui comer o feijão que fiz no almoço e mais uns
restos
- Não estava me convidando, mas não sou fazido. Levo uma
limonada
Dois vizinhos comendo uma montanha de boia pesada. Uma marmita
de feijão num pote de margarina pra levar. Só não sabemos porque nos acham
“rústicos”. Usamos até garfo e faca. E nem bebemos direto da jarra, olhaê!
OLX – desapega!
Faxina bienal. Nenhum canto da casa é poupado. Com
preocupação, vejo tralhas que sobreviveram a outras faxinas há uns quinze
anos!!! Fitas, coisas de costura, tecidos, tintas a óleo, etc. Eu suspeitava
que era acumuladora. Mas estava apenas em negação. Metade da casa se foi.
Metade da minha dignidade, idem. Sobraram uns 30% de cada. Acho que a conta tá
errada, mas o pessoal das humanas tá mais pras miçangas, né?
TOC, vem nimim!
Pra mó di promovê a limpeza aqui di casa, assisti a uns
episódios terapêuticos de um programa britânico. Nele, se juntam pessoas com
transtorno obsessivo compulsivo (TOC) e acumuladores que não limpam a casa por
cerca de DEZ anooos! Cara, a coisa mais bizarra que já vi. Quero chegar mais
pro lado do TOC, mas sem a germofobia. Eu curto uma sujeirinha saudável. E
pretendo preservar minha imunidade.
Vergonha ortográfica alheia
Escutando os podcasts do Jovem Nerd, confirmo com satisfação
que as pessoas que escrevem muito errado nem têm seus e-mails lidos. Às vezes
até rola um comentário sobre erros muito toscos. Os Nerdcasters fazem uma
campanha pelo “r” no final de qualquer infinitivo. Porque “pedir” não se
escreve “pedi”. E muito menos, “pidi”. Peloamordedeus, nerds!!! O que sobra pra
galera que curte sertanejo universitário? Wesley Safadão feelings. Traz o
Dramin.
Antiguidades alimentares
Não é pão-durismo, mas tenho pena de jogar comida fora. Aí acabo
guardando sem querer coisas vencidas. Condimentos, basicamente. Esses dias
descartei uns açúcares coloridos, essências e corantes da era pré-queda das
Torres Gêmeas. Se eu procurar mais, deve ter pimenta da época do Muro de
Berlim. Só não tem coisa de quando o Michael Jackson era negro porque minha mãe
jogou o LP Thriller fora. Big mistake, Marisinha. Devia conter uns farelos de
bolacha no vinil.
Who’s da boss?
Sobre dormir com cachorros. Dois pequenos mas espaçosos. Uma
no travesseiro do lado da minha cabeça. Outra no meu estômago. Sobre dormir
torta e imóvel para não acordar os néni. Porque o chefe, certamente, não sou
eu. “Garde de l’eau!”, elas diriam se morássemos em Versalhes. E eu trocando o
jornal do xixi. Foi um dia de absoluto reinado canino. Comi bolo porque a Maria
Antonieta gentilmente sugeriu.
Por gentileza, bípedes!
Se tem uma coisa que me irrita é cocô de cachorro na
calçada. Até porque minha cachorra só faz na rua, bem pequenininho e eu cato
sempre. Aí de manhã cedo, pronta pra ir a Porto Alegre, saio do carro pra
receber minha amiga...e atolo o chinelo na caca fresca. Quem nunca (teve
vontade de esfregar o chinelo na cara do animal dono do dog)?
O peso do namoro
Como (conjunção, não verbo) eu sempre gostei de cozinhar,
fazia almoços decentes, mesmo só pra mim. Agora, com companhia, que maravilha!
Tudo é motivo pra um rango caseiro. Saudável, mas como (verbo) muito. Calibrei
os pneus e estou com uma barriga que não me pertence, mas que fiz por merecer.
Vamos voltar ao normal? Bem, só depois de chocar a galera na volta às aulas. Já
aviso: não estou grávida. Apenas desprovida de vergonha na cara.
Tudo grande
A amiga de um amigo mora nos Estados Unidos. Resolveu usar o
Tinder. Eis que recebo um print com o perfil de um carinha bem lindo,
Universidade de tal e tal, escrito: “Big heart. Big brain. Big d*. Big wallet.”.
Quando consegui parar de rir (olha o “r” no final do infinitivo aí!), pensei
que ela devia ir fundo. Porque um grande coração e um grande cérebro são
imprescindíveis. E raros de encontrar no açougue virtual no mesmo pedaço de
carne.
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| Aquele programa joinha, inspiração pro desapego |
