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domingo, 7 de fevereiro de 2016

Histórias sem graça II

Dando continuação ao post de (quase o) mesmo nome, aqui uma coletânea de histórias sem graça mais recentes. Devo admitir que o nome deveria mudar para histórias embaraçosas, mas como raramente fico com vergonha, vou deixar assim mesmo. Só vou colocar subtítulos.

Pente, aquele inimigo

Três dias que estou praticamente sozinha em casa. Faxina intensa, muitos banhos e pra quê pentear o cabelo? Penteio na raiz, uma maçaroca de coque e uma tiara. Mas sempre xeróza, CK One. Hoje me senti culpada e penteei. Metade ficou na escova, a outra metade tá bem comprida. Perfume mais xexelento pra evitar de ficar muito diva. Até porque sou crush de dois entregadores de gás. Lágrimas escorrem. Próximo tópico.

Palmilhas epiteliais

Mais preguiça do que desembaraçar a juba, só a de lixar os pés. Porque tem muito pra lixar. Muito! E em duas semanas já volto ao estado produtora rural. Não há creme que dê jeito. Só não uso a lixa da furadeira porque não tenho uma. Taí um bom presente pro dia das mães. Ou dos namorados, talvez?

Quindim beneficente

Há semanas com vontade de comer um quindim. A padaria que faz os melhores do planeta, em férias. Compro no Bourbon uma caixa com dois. Na primeira mordida, um negócio duro, pura gelatina e um coco ralado grosso com gosto de sabonete. Vendo a procedência, fico feliz em ver que ajuda o pessoal em recuperação das drogas. Um pequeno símbolo mostra que que é um produto sem maconha. Foi o que minha mente registrou.

Jantar top da laje

- O que eu podia fazer de janta hoje? Dá uma dica.
- Podia vir aqui comer o feijão que fiz no almoço e mais uns restos
- Não estava me convidando, mas não sou fazido. Levo uma limonada
Dois vizinhos comendo uma montanha de boia pesada. Uma marmita de feijão num pote de margarina pra levar. Só não sabemos porque nos acham “rústicos”. Usamos até garfo e faca. E nem bebemos direto da jarra, olhaê! 

OLX – desapega!

Faxina bienal. Nenhum canto da casa é poupado. Com preocupação, vejo tralhas que sobreviveram a outras faxinas há uns quinze anos!!! Fitas, coisas de costura, tecidos, tintas a óleo, etc. Eu suspeitava que era acumuladora. Mas estava apenas em negação. Metade da casa se foi. Metade da minha dignidade, idem. Sobraram uns 30% de cada. Acho que a conta tá errada, mas o pessoal das humanas tá mais pras miçangas, né?

TOC, vem nimim!

Pra mó di promovê a limpeza aqui di casa, assisti a uns episódios terapêuticos de um programa britânico. Nele, se juntam pessoas com transtorno obsessivo compulsivo (TOC) e acumuladores que não limpam a casa por cerca de DEZ anooos! Cara, a coisa mais bizarra que já vi. Quero chegar mais pro lado do TOC, mas sem a germofobia. Eu curto uma sujeirinha saudável. E pretendo preservar minha imunidade.

Vergonha ortográfica alheia

Escutando os podcasts do Jovem Nerd, confirmo com satisfação que as pessoas que escrevem muito errado nem têm seus e-mails lidos. Às vezes até rola um comentário sobre erros muito toscos. Os Nerdcasters fazem uma campanha pelo “r” no final de qualquer infinitivo. Porque “pedir” não se escreve “pedi”. E muito menos, “pidi”. Peloamordedeus, nerds!!! O que sobra pra galera que curte sertanejo universitário? Wesley Safadão feelings. Traz o Dramin.

Antiguidades alimentares

Não é pão-durismo, mas tenho pena de jogar comida fora. Aí acabo guardando sem querer coisas vencidas. Condimentos, basicamente. Esses dias descartei uns açúcares coloridos, essências e corantes da era pré-queda das Torres Gêmeas. Se eu procurar mais, deve ter pimenta da época do Muro de Berlim. Só não tem coisa de quando o Michael Jackson era negro porque minha mãe jogou o LP Thriller fora. Big mistake, Marisinha. Devia conter uns farelos de bolacha no vinil.

Who’s da boss?

Sobre dormir com cachorros. Dois pequenos mas espaçosos. Uma no travesseiro do lado da minha cabeça. Outra no meu estômago. Sobre dormir torta e imóvel para não acordar os néni. Porque o chefe, certamente, não sou eu. “Garde de l’eau!”, elas diriam se morássemos em Versalhes. E eu trocando o jornal do xixi. Foi um dia de absoluto reinado canino. Comi bolo porque a Maria Antonieta gentilmente sugeriu.

Por gentileza, bípedes!

Se tem uma coisa que me irrita é cocô de cachorro na calçada. Até porque minha cachorra só faz na rua, bem pequenininho e eu cato sempre. Aí de manhã cedo, pronta pra ir a Porto Alegre, saio do carro pra receber minha amiga...e atolo o chinelo na caca fresca. Quem nunca (teve vontade de esfregar o chinelo na cara do animal dono do dog)?

O peso do namoro

Como (conjunção, não verbo) eu sempre gostei de cozinhar, fazia almoços decentes, mesmo só pra mim. Agora, com companhia, que maravilha! Tudo é motivo pra um rango caseiro. Saudável, mas como (verbo) muito. Calibrei os pneus e estou com uma barriga que não me pertence, mas que fiz por merecer. Vamos voltar ao normal? Bem, só depois de chocar a galera na volta às aulas. Já aviso: não estou grávida. Apenas desprovida de vergonha na cara.

Tudo grande


A amiga de um amigo mora nos Estados Unidos. Resolveu usar o Tinder. Eis que recebo um print com o perfil de um carinha bem lindo, Universidade de tal e tal, escrito: “Big heart. Big brain. Big d*. Big wallet.”. Quando consegui parar de rir (olha o “r” no final do infinitivo aí!), pensei que ela devia ir fundo. Porque um grande coração e um grande cérebro são imprescindíveis. E raros de encontrar no açougue virtual no mesmo pedaço de carne.

Aquele programa joinha, inspiração pro desapego