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quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Porque eu AMO filmes de guerra

Platoon.

Há 25 anos estreava esse aclamado filme de Oliver Stone sobre a Guerra do Vietnã.

Há 25 anos estava eu com o cérebro de adolescente totalmente focado nos problemas de casa  e na perspectiva meio escapista mas assustadora de morar sozinha em outra cidade, aos 16 anos.

Os hormônios e os problemas produziam uma mistura confusa que me fazia fugir dos estudos, ter péssimas notas e querer ser qualquer outra pessoa menos eu. O mundo parecia estar terminando.

Cinema era meu passatempo, e fui ver o filme. E foi naquele dia que aprendi o conceito de colocar as coisas em perspectiva.

A ficção na tela retratava acontecimentos que na realidade foram muito piores do que aquela tragédia de jovens encurralados em uma guerra absurda, lutando pela própria vida.

Voltei para casa diferente. Não podia deixar de comparar a situação de ter um teto, uma família, segurança, comida na mesa, amigos e outros privilégios à realidade caótica de uma guerra ou de qualquer situação realmente desesperadora.

Foi dali em diante que virei fã de filmes de guerra. Talvez quem me conhece esteja lendo justamente por estranhar o título, já que sou uma pessoa que evita conflitos a todo custo. Prefiro a paz a estar certa em quase todas as situações e sou tão pela vida que sequer consigo matar um inseto!...

Desde Platoon acumulei uma vasta lista de favoritos nesse gênero cinematográfico. E como todo mundo, passei por inúmeros momentos de dificuldades e desespero.

Me faltou a habilidade de colocar as coisas em perspectiva várias vezes. Mas creio que hoje é muito difícil algo abalar minha paz interior.

Os problemas que considero problemas de verdade são os de saúde, graves, que felizmente até agora nunca tive. Os outros contrateempos da vida, classifico em duas categorias: o que tem solução e o que não tem.

Para o que tem solução, nada como uma noite de sono para pensar com clareza e tomar atitudes para resolver.

E o que não têm solução, solucionado está.

Fácil de falar, impossível de fazer? Coisa de quem tem mais de 40?

De certa forma foi mais ou menos o que concluí aos 16, assistindo a um filme de guerra. Só fui aos poucos (e ainda estou) aperfeiçoando.

Talvez quando você achar que algo é o fim do mundo, deva experimentar essa fórmula bem simples.

E quem sabe também conclua que Apocalipse Now é só o título de uma obra prima de Francis Ford Coppola.

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Mais adolescente que o filho?

Faz uns dias, meu filho me vem com essa:
- Mãe, tu é mais adolescente que eu.
- ....?
- Não é uma crítica, é só uma constatação, viu?
- Tudo bem. E é pra eu ficar feliz ou triste com essa constatação?
- Ah, fica feliz, fica triste, isso está aberto à tua interpretação.

E saiu com aquele sorriso debochado que eu adoro.

Pensei um pouco e escolhi ficar feliz. Claro, me pegou num bom dia, senão seria um apocalipse materno.
Sei que ele é mais racional e prático (sou mulher, né?) pra um monte de coisas. Mas nos quesitos responsabilidade, resolução de conflitos diários e remoção de manchas de ketchup, sou uma adulta bem funcional. E sou uma mãe que impõe limites. Café na cama, por exemplo, só 3 vezes por semana. Negociando, 4. No máximo!

Sei que tenho uma alegria infantil de viver, por isso entendo que me chamem de adolescente. Irreverente eu sempre fui. E ainda por cima sou inquieta. Faço rapel, trilha, subo em árvore, voei de paraglider, enquanto ele fica assistindo os filmes clássicos (que eu indiquei, viu que adulta?). 

Ele lê Salinger, Kerouac e Bukowsi enquanto eu leio a Women’s Health, embalagem de chocolate e escrevo essas bobagens. 

Ele curtia um show do Paul McCartney aos 14 anos e um do Bob Dylan aos 15.

Eu comemorei meus 41 em um show do Linkin Park e nem sentei no chão como a gurizada em volta, esquecida de que sou mãe. Pulei, assobiei, cantei todas as músicas e nem sabia se olhava mais pro Chester ou pro Mike.

Agora, se as outras mães acham que Chester é só uma ave de Natal...bom, paciência, né? 

“Let it be”, como diria o fã dos Beatles da família, que não sou eu. 

E que ninguém me venha com esse papo de que tem que ficar velha só porque é mãe, que aí me tranco no meu quarto e ameaço fugir de casa.

E olha que eu vou mesmo, hein? 

Porque idade e carro eu já tenho pra isso. 

E quero só ver quem vai cortar minha mesada...

Ahá!!!
LP, Chester, Mike, gente jovem e uma mãe no meio :p

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Novelas mexicanas e o "sem querer querendo"

Sabe aquelas coisas que a gente faz “sem querer querendo”? A psicanálise chama isso de ato falho. Dizem que na verdade a gente está sim, querendo, o que sacaneia com nossa mania de negar as coisas.

Aquela história de quando você está com alguém e chama pelo nome daquela outra pessoa, mais legal, com a qual realmente queria estar. Pra isso uns chamam de "querido" ou "querida". É até se conformar com a pessoa piorzinha.

Tem uns atos falhos recorrentes. O meu eu adoro e acho que é bom sinal. Quando quero falar a palavra “aluno(a)”, falo “amigo(a)”. S-e-m-p-r-e. Querido isso, né?

Se você é terapeuta e discorda, não sou sua paciente, sinto muito.

Mas tem alguns atos falhos que me deixam preocupada/constrangida. Nas férias eu estava preenchendo um cadastro e um dos itens era “sexo”. Já estava escrevendo a letra “M”, quando me dei conta que...opa!! É “F”.

Até escrevi “Fem.”, pra dar uma enfatizada, com letra charmosa. Mas pensei em voz alta, “Nossa! Quase coloquei sexo masculino”. Ao que o homem que me atendia perguntou, “Por que, está em dúvida?”...

Putz, sacanagem dele, né? Pensei logo, “Puxa vida, será que estou em dúvida? Não! Duvido.” Aí lembrei que tenho um filho, logo, sou uma mulher do sexo feminino. Vai ver meu “M” era de Mulher, que era um dia mulheristicamente bem legal.

Mas minha mente em férias ficou meio assim, sei lá, confusa. Pensei até em começar a fazer umas coisas mais femininas, como estacionar mal e pedir ajuda pra trocar pneu e carregar as compras, mas esse fingimento todo cansaria minha beleza.

E voltando a falar em confusa, uma certa pessoa, aos 5 anos de idade, me ouviu dizer a uma amiga que alguém não tinha ligado. Aí me vem com essa:

“Vai ver que descobriu que você é uma farsa...nada mais que uma FARSA!”

Cruzes! Parece que criança tem poderes paranormais, chegou a me dar um arrepio.

Depois de analisar cada ato por uma semana pra ver se eu era uma farsa, descobri que ele andava vendo umas novelas mexicanas! Podia ter me chamado de "Guadalupe" no final, pra revelar suas fontes. Mas não. Criança adora dar um nó na cabeça dos adultos, assim como adoramos infernizar a vida deles que é pra ficamos quites.

Pois é, embromei um monte mas vou encerrar com este desafio Freudiano:

Responda rápido, "Sexo?" (não vale dizer “Sim, obrigado”, não cabe no espacinho.) É "M" ou "F"?

Vacilou, é ato falho. Ato falho, e você é uma farsa. Naaada mais que uma FARSA!!

Juan Ricardo Gimenez, Eva Guadalupe Nuñez? Tô sabendo...

O Freud diria pra você se tratar.

E pra mim também, é claro.

domingo, 27 de outubro de 2013

Entendeu ou quer que eu desenhe?

Raramente a gente pergunta isso com a real intenção de desenhar o troço pro sujeito.

Na verdade, fica mais para um, “entendeu ou você tem problemas no processamento de informações que requeiram mais paciência do que eu tenho?”

São perguntas retóricas, claro, que a gente não espera que sejam respondidas.

Tem algumas desnecessárias, tipo o caixa do banco, quando você pede pra descontar um cheque, “Vai levar em dinheiro?” “Não, me dá tudo em clips!” (essa é velha, né, gente?). Ou quando alguém lhe pergunta, “Acordou?”. Ou pior, “Está dormindo?”

Tem aquelas perguntas que são apenas uma armadilha, como a sua mãe perguntar, quando você chega de madrugada, "Você sabe que horas são?". Respostas engraçadinhas podem deixar a mãe mais brava. Respostas compridas podem funcionar como bafômetro. Melhor dar um simples "Sim, mãe" ou "Não, mãe."e aguentar o sermão.

Tem também aquelas que, de tão idiotas, tem que conter a vontade de responder à altura, então não seja você o perguntador das seguintes:

“Por acaso tenho cara de palhaço?” ("NADA é por acaso.")

“Vai comer tudo isso?” ("Não. Vou deixar um pouco pra jogar na sua cara!!")

Tem as do tipo “Você acha...”, cuja resposta expressa a opinião do interlocutor, a qual você não quer escutar de jeito nenhum:

“Você acha que eu nasci ontem?” ("Anteontem, que tá meio enrugadinho.")

“Você acha que eu sou besta?” (“Achava, agora tenho certeza.”)

E finalmente, uma contraindicada para professores, mas que eu cometi a besteira de perguntar esses dias em uma aula particularmente chata.

Último período, voz passiva, minha linda voz precisava de três minutos, mas uns meninos do fundo, para não falecer de tédio, não paravam de conversar:

“Vocês querem sair da aula?”

Proferi a pergunta imbecil e já me dei conta. Mal deu tempo de eles trocarem aquele olharzinho de “com certeza!” e já emendei,

“Não respondam!”

Ufa, essa foi por pouco! Que esperteza, a minha hein?  << pergunta retórica.

Coisa de quem não nasceu ontem, mas de vez em quando ainda fica com cara de palhaço.

Ah, você entendeu.

Porque eu não ia desenhar mesmo.



Será que dá pra você desenhar?

sábado, 26 de outubro de 2013

"NÃO TEM ERRO!!"

Já reparou como as pessoas que nos explicam alguma coisa (simples) adoram dizer depois: “Não tem erro!”. Se você é uma dessas, desejo secretamente que erre a conjugação do verbo "to be". Forever.

Quem me diz "não tem erro" superestima minha inteligência. E subestima minha capacidade gigantesca de cometer idiotices.

Veja só:

Exemplo nº1: Em vez de olhar no Google Maps, ligo pro meu irmão me explicar como ir de Estrela a Santa Rosa. A paciência dele em explicar é digna do mestre Yoda. Se fosse professor, seria outra coisa que faria  melhor que eu. Mas enfim, anoto o mapinha e vou.

Consigo me perder, ÓBVIO! Depois de entrar não-sei-onde e pedir mil informações (GPS pra quê?) concluo que todos os caminhos levam a Santa Rosa. Mas nunca pela rota original.

Exemplo nº2: Tenho uns amigos gêmeos que foram meus alunos – sentiram a ironia? – e sempre me ajudam na parte tecnológica.

Por que chamo os gêmeos? Porque quando um cansa de explicar, vai comer alguma coisa e sempre tem um de reserva, olha que beleza! A máxima de um deles esses tempos foi, “Sora, não tem erro. É muito INTUITIVO.”

Pensei cá comigo, “Bom, ao menos minha intuição é boa...”

Aí, depois de me ajudar e explicar, o outro me diz:

- Olha, vou sair, mas o programa vai pedir pra colocar o DVD, aí é só colocar e o note faz tudo sozinho. SÓ colocar o DVD, tá?
- Aham. (me sentindo uma ameba)
- Mas "Sora", manda uma mensagem pra eu saber se deu certo. E se não der certo, nããão precisa ter vergonha (essa é ótima!), é só me chamar que eu venho aqui de novo.
- Aham.

Àquelas alturas eu já estava com mais vergonha do que se tivesse perdido as calças no meio do shopping, mas tudo bem...

Só que não, é claro. Deu tudo errado.

Captaram a alma do negócio? TUDO tem erro. Até receita de gelatina. E se as coisas fossem "bem intuitivas", mulher nunca pediria ajuda. Rá!

Dizer que não tem erro só me dá dois trabalhos: fingir uma cara de inteligente (funciona melhor quando estou de óculos) e depois achar OUTRA pessoa pra me ajudar a consertar o que não deu certo.

Aí fico com a cara que eu estava escondendo antes, de imbecil mesmo.

Mas numa coisa sou bem esperta, sempre consigo inventar uns erros novos e inéditos.

Criativa eu, hein, vai dizer?

Deve ser minha intuição.

Beeem intuitivo!

"Me caiu os butiá do bolso!!!"

A bem da verdade, minhas roupas raramente têm bolso, o que causa problemas de deixar cair coisas em lugares impróprios, mas isso é assunto que só quem sabe, sabe. Mas os “tal de butiá”, me “cai” que é uma loucura!

Assim, ó, essa é meio velhinha, mas lembrei hoje por causa de um ocorrido.

Um belo dia estava eu de trajes de ficar em casa, que eu chamo de “cruz-credo”: pijama, meias por cima da calça, chinelo de dedo, óculos, cabelo preso num coque, luvas de borracha e pra completar a produção, um avental. Enfim, o quadro da dor na parede sem reboco.

Eis que acaba o gás no meio das minhas experiências culinárias e telefono pra encomendar outro. Claro que não tem espaço no apê pra botijão reserva, nem eu sou trouxa de ter um na garagem, pra carregar sozinha pra cima. E ainda às vezes pago tudo em moeda, e os “tios” saem com mais peso em centavos de pila do que trouxeram em gás, mas não confundam maldade com a economia do fim do mês.

Mas aquele dia um cara trouxe o gás e, em meio à troca do dito cujo (sei trocar, mas pra que cansar essa beleza, né?), começou a falar que queria comprar um apartamento, se tinha algum pra vender no prédio, quantos quartos, blá, blá, blá, bolhinhas de sabão pra ver se não tinha vazamento, e eu respondendo educadamente apenas.

Perguntou discretamente se tinha lugar suficiente, e a boba respondeu que era muito bom pra mim e meu filho. Ok, gás trocado, pago em cédulas, já que eu tava a cara da riqueza na ocasião.

No dia seguinte, eu saindo pro trabalho, toca o telefone.

-Alô?
-Alô.
- .....
- Aqui é fulano. (nome masculino meio "genérico")
-....fulano...quem?
- Eu estive ontem aí, trocando o gás.

Pausa pra cair os butiás do bolso, a árvore e quebrar o tronco. Não sabia nem meu nome, como conseguiu o telefone?

- Ah... (pensando se ele tinha esquecido alguma ferramenta)...sim?
- Queria saber como tu tem passado.
- Err...hã...é que estou atrasada pro trabalho, se quiser ligar outra hora.

Desliguei o telefone, petrificada. Demorei pra me recuperar do susto.

Mas desse acontecido concluí três coisas:

Primeiro, o moço do gás teve mais coragem que um monte de outros que ficam encarando a noite toda e não são capazes de chegar e dizer “oi”. Só “oi”, gente! Ele ao menos se puxou, catou meu número e teve a iniciativa de ligar. Palmas pra ele, apesar de não fazer meu tipo.

Segundo, tem gosto pra tudo!!! E eu devo ser muito, muito linda, porque vestida daquele jeito, nem numa construção eu agradaria, vocês imaginem a cena!!

Terceiro, preciso sair mais, que em casa só com tele-qualquer-coisa pra alguém me achar.

Quarto, não tem, só ia até o três, prestatenção!

Bom, isso faz três anos. Continuo não saindo. Não vale a dor nas pernas e nunca tem companhia pro xis do fim de noite.

Mas os butiá "me cai do bolso volta e meia". Só que nunca mais pelo mesmo motivo.

Bons tempos em que o modelito de ficar em casa arrasava corações! Ai, ai...

Imagem distorcida no cérebro masculino

(escrito em 4 de março de 2013 às 23:01)



Seu primogênito!!

Texto comprido que nem trauma de ser o primeiro filho. Se esse não é seu caso, poupe seus 2 minutos e meu constrangimento.

Coloquei esse título só pra chamar a atenção.

É que nós, os primogênitos, temos esse defeito, que é a carência por atenção. E agora, por curtidas no Facebook e vizualizações no blog. Se quiser compartilhar, comentar e me poupar mais uns anos de terapia, agradeço.

Vou detalhar nosso ponto de vista para o mundo, ó, outros primogênitos: a gente é cobaia dos nossos pais.

É verdade! E eles, não satisfeitos com o resultado da nossa adorável nascença e convivência sob os holofotes do lar, resolvem tentar de novo pra ver se fica melhorzinho. E a origem de todos os nossos problemas primogenitivos é aquela raiva de que os pais vão SIM, melhorando com a prática.

Aí você tem uma irmã que nasce no dia seguinte ao seu aniversário de um aninho. Sério, gente. Não, eles não calcularam. Ela que nasceu prematura e com uns cachinhos lindos pra roubar a cena mesmo. Isso quer dizer que enquanto filho você nunca, nunquinha mesmo, vai ter uma festa de aníver só sua. Não bastava eu ter nascido no Dia da Criança e já ganhar um presente acoplado com o de aníver, isso era pouca economia pra eles.

Mas ao menos nisso foram justos, minha irmã também só tinha festa comigo - era uma cantando parabéns olhando pra cara da outra, bem patético - e era presenteada acopladamente. Justos também foram em nos vestir que nem um par de vasos até uns 6 anos, ao que as pessoas perguntavam, “São gêmeas?” Minha mãe não teve o trabalho de gêmeas mas colheu os mesmos frutos...essa dona Marisa, viu? É pura esperteza materna!

Mas nem tudo eram flores no paraíso da nossa humilde residência. Quando a gente estava aprendendo a se aturar, uma com 6 e outra com 7 anos, e tinha cada uma 25% do litro de Coca-Cola dos domingos, eles resolveram nos brindar com um megapresente: nosso irmão.

Claro que a gente não sabia o que era: naquela época era surpresa, que nem caixa de bombom. Mas torcíamos por uma menina, que ia ser como uma boneca falante e essas coisas, tadinha.

Para nosso desapontamento, vem o quê? Bem, já disse. E até o nome ficou mais bonito que os nossos dois somados. O meu, no caso, contribuiu com -3 no quesito beleza de nomes, mas não fui eu que escolhi. Os nomes bons eles estavam guardando pro último rebento.

Bom, no fim nos demos conta de que era melhor ter menos concorrência feminina, e nosso irmão sempre foi um querido, além uma boa desculpa pra gente jogar futebol, fazer karatê, essas coisas de guri. Isso até descobrirmos que era o queridinho da casa, posto que ocupa até hoje. E há que se convir, é um posto justificado. Deve ter aprendido com nossas chatices a ser um filho melhor, assim como nossos pais se aperfeiçoaram em fazer os filhos progressivamente mais bonitos.

É aí que entra outra noia dos primogênitos.  E se você é o rascunho que deu certo, pule dois parágrafos, por favor, e me poupe da humilhação. Tipo assim, eu era a inteligente a responsável, ainda que mais chata e intratável que um Rottweiller. Minha irmã era a popular e linda de morrer, ao que sempre pareci e (e sempre fui, pois sou uma feia justa) feia pra chuchu.

A feiura foi diminuindo com o tempo, hoje sou esta diva que vos olha da foto do perfil, mas vai catar nos meus álbuns de foto do Face a foto que fiz dela, e só aí você vai entender a “sombra da feiura por comparação”.  Nem vou entrar no mérito do meu irmão, que ao menos é homem e não dá pra comparar muito...mas tenham dó, mãe e pai! Precisavam encerrar com chave de ouro??

Bom, se perdi seu tempo porque você não tem os encucamentos de ter que ser o mais responsável, o mais feinho, ou você não é primogênito e leu só de intrometido, deve ter alguma outra coisa. Quem procura acha. Quem não acha, é porque varreu pra debaixo do tapete – cuidado!

E pra quem achou que sou paranoica, vingativa, traumatizada, o rascunho que não deu certo, blá, blá, blá, só aceito opinião de outros primogênitos. Senão nem leio, pra não complicar ainda mais minha cabeça, você que me desculpe.

Então se você é secongênito, tri, quadri, nonagênito, posso até escrever um outro texto empírico e megasincero das consequências da sua ordem de nascimento, mas garanto que você vai ler umas verdades que vão tirar o seu sono de beleza.

Ou você acha que todos os seus defeitos são assim...congênitos?

Quase como nós, só que loirinhos. Vestidas igual. Eu, invocada. Minha irmã, a mais bonita. E meu irmão, um fofo.






Coisa de velho!!

“Onde dói hoje, Madelon?”

Bom, facebook, obrigada por perguntar. Hoje doem as pernas, que geralmente revezam com as costas.

A diferença é que as costas são comprovadamente de uma senhora de 60 anos, enquanto que as pernas têm umas varizes gravíssimas que não acusam nos exames. Assim concluo que as ditas cujas são psicológicas, donde se infere que tenho varizes no cérebro, que pode ser um novo tipo de Alzheimer, que talvez batizarão com meu lindo nome.

Mas o negócio é o seguinte, mudando de saco pra mala: Envelhecer é uma droga!
Queria enfeitar, mas vocês têm que saber da verdade, já que velho ao menos é sincero.

E o que é envelhecer?, pode ser que uns pirralhos de menos de 40 me perguntem.

Seguinte, gurizada, ficar velho começa com a primeira vez que te chamam de “senhora” na fila do pão e continua quando se adquire a mania de falar “No meu tempo...”, como se o tempo da gente não fosse agora, mas o de outrora (palavra do meu tempo).

Ficar velho é quando a gente tem vontade de usar camiseta de banda, mas está 20 anos atrasado pra isso, o que obviamente não nos impede de pagar esse mico, e ser ridículo é bem coisa de velho.

Ficar velho é falar umas gírias atrasadas, tipo “maneiro”, enquanto a gurizada fala as mesmas que a gente falava na idade deles, como “massa”, “afu...”.

Ficar velho é saber o que é “resenhar”, “zicar”, mas não poder usar esses termos porque não é mais a idade e vai que sejamos presos por linguagem inapropriada, já que somos velhos o suficiente pra ir pro xilindró.

Ficar velho, gente, é quando os eletrodomésticos da sua casa de contam a idade em mais de duas décadas. Ou talvez isso seja ser pobre, assunto que discutirei em outra ocasião pra não deprimir, que hoje já dói tudo e estou evitando chocolate.
Ficar velho é quando a cabeça tem 20, o cérebro tem 40, o coração tem 10 e as partes internas (que não foram cirurgicamente removidas) têm a soma de todas essas idades.

É levantar com dor e insistir em não ir ao médico – nada contra os médicos, mas odeio consultar vocês, viu?

Ficar velho é suspeitar que beber sete garrafinhas de água em um dia e fazer muito mais xixi que o normal seja diabetes. E não fazer o exame, só de teimoso, já que velho é cabeça-dura e quem teima com velho é burro, me desculpe.

Ficar velho é escrever besteiras como essa porque tem que dar um tempo descansando as pernas em cima de uma almofada, de pijama, antes de terminar de estender a roupa e arrumar os livros.

Ficar velho é ser hipocondríaco e dizer pros amigos mais próximos que quando você esticar as canelas quer que escrevam em sua lápide “Eu disse que não estava me sentindo bem”.

Mas ficar velho mesmo, gente, é querer fugir de casa, como aos 6 anos, e se dar conta que não dá pra fugir de todo o resto.

Ao menos não com pernas com essas varizes e sem um banheiro por perto.

(escrito em 21 de fevereiro de 2013 às 20:48)
A vida começa aos quarenta. Aqui, ó!

"Como é que ela consegue???"



Tenho duas habilidades excepcionais. Sou extremamente flexível e consigo dormir em qualquer lugar

E como a segunda é mais notada e embaraçosa, é dela que vou falar.

Bom, não é segredo que não gosto muito de dormir. Durmo o necessário e adoro iniciar o dia de madrugada, pelas 4 ou 5h, para aproveitar bem. Mas aí chega uma hora que os motores começam a parar. Geralmente depois do almoço (também, 500g de boia pesada...) é fatal. E procuro ficar no trabalho para corrigir coisas e preparar aula, mas tem uma hora que...capuft!

Aí nem pego o travesseirinho que tenho no meu armário, que não dá tempo. Me recosto de algum jeito em cima da mesa dos profes e já estou abraçada no Morfeu. Faz uns 3 anos que faço isso, mas no meio do meu coma profundo, ainda escuto, “Como é que ela consegue?”.

Escuto isso da Índia, de uma trilha na floresta, de um papo com o Ian Somerhalder, Matt Damon, James Hetfield, que é onde meu cérebro está naquele momento. Não consigo responder por uns 10 a 15 minutos, mesmo quando escuto, “Vamos amarrar os tênis dela um no outro”, para vocês verem que queridos os coleguinhas.

Desenvolvi tecnologias de recostar em cima da bolsa sem amassar as bananas que levo lá dentro. De me debruçar na mão sem carimbar na testa as anotações que ficam lá. E sem ficar com a marca do anel na bochecha. Sem babar e nem deixar escapar um ronco. Sem ficar com torcicolo ou dor na cervical.

E acordo renovada, como se nada tivesse acontecido.

Já dormi em pé quando meu filho era pequeno. No banco do pátio depois do almoço. Na garagem, reunindo forças para carregar as compras para cima. Em minha própria festa. No sofá (maravilha!) da sala dos profes da outra escola. Dormi recentemente no caixa do supermercado. E numa roda de conversa com amigos, mas bem que pedi uma poltrona confortável antes, aí já era!

Acho que vou escrever um manual para quem sofre de insônia ou um pouco de vergonha na cara de dormir em lugares públicos. Não sei quem compraria, mas me sinto na obrigação de dar essa contribuição para a humanidade.

E era isso, gente, vou parar de esnobar meus cochilos. E tirar o pé que coloquei atrás do pescoço para dar uma alongada.

Tá, não chegou beeem na nuca, só na metade de trás da cabeça.

Devo estar enferrujada de tantas sonecas.

Minha filha mais nova me representando na modalidade cochilo diurno

"Eu prometi ISSO?"

Sofro de amnésia. De dois tipos, aliás.

Um deles, bastante embaraçoso, foi descoberto pelos meus irmãos, que até hoje riem de mim. E assistindo um programa depois, soube que tem um nome: síndrome do comer noturno.

Sou capaz de levantar de madruga, devorar um pacote de bolachas, escovar os dentes (!) e dormir de novo. E só olhando pra embalagem vazia, estando sozinha em casa, me convenci de que não estavam aprontando comigo.

Mas esse transtorno não é o que me causa mais problemas.

Tem a amnésia pós 23h.

Depois desse horário, meu cérebro matinal raramente registra alguma coisa (útil). Nem adianta preparar aula, porque vou ler minhas anotações e duvidar que fui eu que escrevi. E o pior é quando combino alguma coisa com alguém...

Os amigos mais próximos já se acostumaram a não me pedir favores por telefone tarde da noite. E vou me esquecer até dos compromissos mais interessantes.

Dá pra contornar a situação quando o diálogo é escrito, mas aí preciso revirar horas de conversa pra achar que raios eu falei, sugeri, combinei ou prometi.

Às vezes bate um momento meio déjà vu de tardinha e lembro de alguma coisa, meio apavorada. Outras vezes vejo as chamadas no celular e tenho que ligar de volta, como quem não quer nada, pra sondar o terreno. Finjo que estou brincando e vejo se me falam alguma coisa.

Melhor encerrar as atividades e não atender o telefone depois das 23h. Quem sabe colocar chave no armário das guloseimas.

E avisar a quem interessar possa:

Se eu prometer traduzir mais alguma coisa pro inglês que tenha a ver com piscicultura, inseminação do tambaqui, larvas de pirarucu ou o raio que o parta é porque não estou em meu estado mental de vigília.

Mas cumpro minhas promessas. Ainda mais aquelas pros amigos, por escrito, nas mensagens do facebook.

Vou reler pra ver se me prometeram um sashimi em troca.

(escrito em 16 de agosto de 2013 às 21:03)
É "nóis nas bolacha", gurizada!

Ciúme é que nem Trident

Dia desses vi um post no facebook, “Ciúme é que nem Trident. Todo mundo tem mas diz que não tem.”

Pra que fui ler essa pérola da sabedoria? Pensei bem e tive que concordar. Com muita, mas muita relutância, já que vai contra o que eu achava legalzinho em mim.

Falo com o maior orgulho que não sou nada ciumenta. Mas aquela parte da gente que está sempre negando algumas coisas sabe que eu apenas tento fingir o melhor possível. Portanto, cuidado. Sou uma pessoa ciumenta e ainda por cima dissimulada.

Putz, o que não faz um chiclete nas redes sociais!

Claro, a teoria do Trident não é bem assim, porque eu que nem gosto de chiclete tenho e sempre ofereço. Mas no quesito pessoas...xiii...tem vários tipos de ciúme dos quais sou culpada. Vou abrir meu coração então. Mas só uma frestinha, porque coração é burro e pobre no quesito vigilância.

Confesso que tenho ciúme da minha irmã e do meu irmão. Sempre quero que me deem atenção exclusiva. Tenho saudade e queria - desculpem os sobrinhos, cunhados e afins - que as pessoas desaparecessem quando tenho a chance de estar com eles.

Tenho ciúme dos sobrinhos também. Nesse caso, queria que meus irmãos desaparecessem. Melhor não compartilhar isso com a família pra não dar problema nos Natais futuros.

Já minha mãe, meu pai, as bolachas recheadas e a coca-cola dos anos 70 acostumei a dividir com os dois malas mais novos que eu, o que deve ter sido a causa da minha não-obesidade infantil. Vai ver por isso gosto tanto dos meus irmãos: pura gratidão + bom nível de colesterol e triglicerídeos.

Um ciúme chato que consegui perder foi o dos amigos. Mas confesso que não foi nada fácil.

Tive que fazer vários cursos de técnicas da amizade e agora sempre “chego junto”. Nada de abrir brecha pra outros amigos mais legais, que não sou boba nesses assuntos.

Ligo todo santo dia, invisto, dou uma sufocadinha básica. Faço bolo e uns favorzinhos cheios de terceiras intenções. E eles não têm opção senão fazer um grande espaço cardíaco pra minha pessoa, mesmo nas vezes em que sou um baú de difícil transporte.

Mas meu lado mãe é mais nobre. E daquele carinha 25 anos mais novo que chamo de filho, desse nunca tive ciúme...vê se pode, logo dele! E nem tenho filho sobressalente pra atazanar. Deve ser porque ele tem obrigação de me amar e só tem eu de mãe, tadinho.

Em outros tipos de ciúme, digamos que nunca me deram motivo pra desconfiança. Pode que eu não tenha passado nas portas em algum momento da vida, mas nem suspeitei. Sempre confiei, quem sabe por ter sido sempre fiel.

Mas aí também não suporto que desconfiem e tenham ciúme de mim. Viro bicho e caio fora na hora! Tipo “xô, que essa vida não te pertence.” Mando pastar e nem ligo pra saber se a pessoa foi mesmo.

Se bem que também, se não dão a mínima, deve ser meio chato... Mas dar a mínima já está de bom tamanho. O que é dar a mínima? Leia as letras miúdas antes de assinar o contrato.

Pois é, resumindo, sou uma pessoa ciumenta nas áreas toleráveis e nada possessiva. Só coloco nome no material escolar porque empresto o tempo todo. E minhas canetas, ao contrário dos amigos,  pulam a cerca e não voltam nunca mais, apesar da marcação cerrada.

Aonde quero chegar com esse texto?, você deve estar se perguntando desde o vigésimo  parágrafo.

É que esqueci a escova de dentes e queria saber se você pode me dar um Trident.

Que você tem, seu ciumento, ah, disso tenho certeza.
Só quero saber se é um ciumento generoso.
Isso, pelo menos, eu sou.

Para um sorriso convincente :D




Vovozinha

Nasci velhinha, numa casa cheia de revistas de palavras cruzadas, lãs e agulhas. Aos 6 anos já estava craque no tricô e no crochê, e a impaciência da vida ainda não tinha me atingido, de modo que eu tricotava.

E descobria o mundo da leitura. E a impaciência da vida ainda não tinha me atingido, de modo que eu lia. E bebia chá. Chá preto.

Aos 6 anos costurava à mão as roupinhas de boneca e às vezes alguma ficava costurada no meu pijama. E depois perdia as agulhas na cama e nunca mais as encontrava.

E a velhinha de 8 parou de perder agulhas porque passou a costurar à máquina. E até pouco tempo ainda tinha paciência, de modo que costurava. E bebia chá.

Aos 8 anos, desenhava. E pintava aos 12. E a professora dizia que eu era excêntrica, precoce. Uma velhinha de 12 anos?

Depois, uma adolescente adulta, casada com 19 anos. Cheirinho de café bem cedo da manhã, um filho planejado na idade certa. No meio do caminho, as coisas se encontraram, como no filme Benjamin Button.

E depois disso vem a infância?

Nunca tive vontade de escrever diários. Foi a impaciência de brincar de vida que me fez desenhar as palavras, como giz na calçada, para eu entender meu caminho.

Fui uma criança velhinha para me tornar uma velhinha criança, que ainda gosta do mesmo chá. Chá preto.

É isso sirvo na minha xícara, todos os dias no trabalho.

Os adultos dizem que é café.

Mas eles já não sabem mais fazer de conta.

(escrito em 6 de julho de 2013 às 09:33)

Se conselho fosse bom...

Aviso: este texto é comprido, mas te aconselho a ler. Me aconselharam a resumir, mas não deu

Li uma vez esta do Jack Nicholson “Odeio conselhos, a menos que eu esteja dando-os” No caso era em inglês e ficava mais charmoso, mas é a ideia.

Pois olha, Jack & friends, adoro conselho. No caso de dar e de receber. Quem inventou essa de “Se conselho fosse bom, não se dava, se vendia” ou devia ser um bom conselheiro muito sem noção ou alguém mal aconselhado. No caso desta que vos escreve, cobro os meus muito bem, em espécie (café, cuca com linguiça) ou em conselhos mesmo, que o escambo emocional vale. E tenho tido um feedback positivo.

Claro que sempre tem gente me devendo, mas funciona da seguinte forma, pra quem não pegou a “manha” de que a vida é um ciclo e não “toma lá dá cá”: tem dias que consigo aconselhar o amigo “x”, em outros sou aconselhada pelo amigo “y”, em outros o amigo “x” paga meu conselho pro amigo “y” e assim por diante. Só não aconselho amigos XX a aceitarem conselhos de amigos XY quando há hormônios e outros interesses por trás, o que é bem comum. Mas nesse campo não sou muito boa conselheira, então seja esperto, desconsidere o conselho acima e siga seus instintos.

Mas tem que ter amplo embasamento teórico pra aconselhar? Tem que saber dar o exemplo e tal? E o conselho de alguém que a gente respeita e ama, é sempre bom? Claro que não, né, gente? Dããã!  Aquele outro ditado “Faça o que eu digo, não faça o que eu faço” tem sua sabedoria. Mas falo nele daqui a uns dois mil caracteres.

O exemplo é o jeito, provavelmente ideal, de se educar filhos. Mas como somos imperfeitos, às vezes eles aprendem pelo antiexemplo também, infelizmente ou felizmente. Isso quer dizer que esses indivíduos pensantes que geramos são dotados - vejam só! – de uma mente crítica e livre arbítrio e muitas vezes optam por não fazerem as mesmas besteiras que a gente.

Diria que às vezes somos as cobaias dos filhos, mas em outras eles insiiistem em quebrar a cara, como a gente faz(ia) questão também. Vou começar a proibir de fazer o tema e arrumar o quarto, pra ver até que idade a psicologia inversa funciona. Mas normalmente não dá certo com pessoas mais inteligentes que eu.

Minha mãe, por sua vez, dava ótimos conselhos que eu não aproveitava. Por outro lado, dava péssimos conselhos que eu tinha que obedecer - ou desobedecia com um peso na consciência. E hoje digo: Dona Marisa, quero meu dinheiro de volta! Entrar na piscina de barriga explodindo não dá congestão, pode misturar qualquer fruta entre si e todas ainda com leite. E obviamente que lavar a cabeça naqueles e em todos os dias, inclusive com uma catapora do capeta não tem problema nenhum. Filhos, não sejam enganados por esses conselhos, pesquisem um artigo no Google e mostrem aos pais, com educação. Mas naquela época não tinha Internet e os pais eram mais bobinhos. Nós de hoje é que somos espertos. Encerrado o capítulo pais & filhos.

Capítulo amigos & afins, mais pra amigos, só pra avisar.  Os conselhos de amigos são o supra-sumo do empirismo, mas muito interessantes.

Descobri que não adianta empurrar conselho goela abaixo, do tipo que começa “Eu sei que você não pediu, mas vou te dizer mesmo assim...” (?!) aí o ouvinte cruza os braços, sinal de que nem vai te ouvir e você, “Dá um pé na bunda desse(a) babaca!” E aí? A pessoa ama o(a) babaca, vai você que nunca amou babacas saber porque. Fim da amizade, a amiga ou amigo fica com o(a) energúmeno e te jura de morte até a paixonite passar, uns 2 filhos depois.

Mas tem o amigo que segue o conselho e se ferra. Aí não adianta desligar o celular, mentir que foi efeito do álcool, que ele entendeu mal. Tem que dar o ombro e manter longe os objetos cortantes, na parceria, que conselho ruim todo mundo dá, fica tranquilo. E também, a gente tem que filtrar os conselhos, não precisa ser tão tapado e cortar o cabelo curtinho porque o cabeleireiro disse que ia ficar “um luxo!”.

Até os amigos-irmãos dão uns foras de vez em quando, aí faz como aqueles da sua mãe: ignora, lava a cabeça, dorme sem escovar os dentes, estuda só na véspera pro exame. E não sai com a pessoa que lhe aconselharam, é fria!! Quem se conhece é você.

Por fim, lembra daquele “Faça o que eu digo, não faça o que eu faço”? Concorda ou discorda? A sua opinião é muito importante para a melhoria da qualidade dos nossos serviços, ao final do atendimento atribua uma nota...blá, blá...tô nem aí pra sua opinião, me desculpe, escreve seu texto que eu quero ler.

EU acho que ele é tudibom meeesmo. E nem vou perguntar pros amigos psicólogos que são mais entendidos do que eu, conforme me aconselharam, mas é mais ou menos assim: a pessoa que não está na mesma fossa séptica que você consegue ver o seu "banhado de fezes" de um nível mais elevado, sem odores, vislumbrando a paisagem ao redor pra te dar as coordenadas do terreno. E lhe estende a mão, a qual você pega se quiser, ou permanece ali, atolado, que a vida é sua.

Daí a não-mãe poder dizer que você está estragando seu filho. Daí a amiga mais encalhada que pinguim no litoral gaúcho poder dizer pra você persistir no casamento, que vale a pena, ou te dar uma na orelha pra você não atender o telefone e te levar pra dar uma saída.

Daí eu poder te aconselhar a sair da Internet e aproveitar mais a vida offline.

Se conseguir, me avisa como é.

Madelon, para de escrever e vai trabalhar!


(escrito em 5 de fevereiro de 2013 às 00:26)

Não teve infância?

Tive sim, e muito boa por sinal! Por isso não dispenso um replay.

Pode ser falta de maturidade, uma noção distorcida do ridículo ou não sentir a idade que tenho, mas não sei por que a gente tem que parar de tomar banho de chuva com a roupa que vem da rua. Parar de subir em árvore enquanto os galhos e as pernas ainda nos suportam.

Se andar de bicicleta é bom, não me lembro, mas de patins ainda dá. Pular em cama elástica, uma delícia recentemente descoberta. Continuo um zero à esquerda em esportes coletivos, e ainda não me importo. Rio em momentos inoportunos, até doer a barriga, e nas vezes em que os outros não acabam rindo junto, tenho que me desculpar.

Pra completar, faço criancices que só adulto pode, tipo ir num restaurante pra comer só a sobremesa. Ou comer a sobremesa antes. E pena que gosto tanto de tomar banho, senão enforcava uns três dias, e ainda dormia de pé sujo, com a TV ligada. E adoro salada, senão comia só coisas amarelas. Amarelo Van Gogh.

Escrever as coisas com cores diferentes. Ler as revistas de trás pra frente. Anotar as coisas na mão. Levantar, se vestir pra sair, mudar de ideia e voltar pra cama. Com o cachorro. Tomar café na cama, com florzinha na bandeja. Preparado por mim mesma, mas vale, né?

Só falta descomplicar alguns sentimentos, agir mais do que falar, dar o primeiro passo que separa dois opostos, ou dois afins, ou só seguir e frente sem se importar pra onde.

Mas pra isso ainda não sou criança o suficiente.

(escrito em 4 de fevereiro de 2013 às 23:36)