Bom, facebook, obrigada por perguntar. Hoje doem as pernas, que geralmente revezam com as costas.
A diferença é que as costas são comprovadamente de uma senhora de 60 anos, enquanto que as pernas têm umas varizes gravíssimas que não acusam nos exames. Assim concluo que as ditas cujas são psicológicas, donde se infere que tenho varizes no cérebro, que pode ser um novo tipo de Alzheimer, que talvez batizarão com meu lindo nome.
Mas o negócio é o seguinte, mudando de saco pra mala: Envelhecer é uma droga!
Queria enfeitar, mas vocês têm que saber da verdade, já que velho ao menos é sincero.
E o que é envelhecer?, pode ser que uns pirralhos de menos de 40 me perguntem.
Seguinte, gurizada, ficar velho começa com a primeira vez que te chamam de “senhora” na fila do pão e continua quando se adquire a mania de falar “No meu tempo...”, como se o tempo da gente não fosse agora, mas o de outrora (palavra do meu tempo).
Ficar velho é quando a gente tem vontade de usar camiseta de banda, mas está 20 anos atrasado pra isso, o que obviamente não nos impede de pagar esse mico, e ser ridículo é bem coisa de velho.
Ficar velho é falar umas gírias atrasadas, tipo “maneiro”, enquanto a gurizada fala as mesmas que a gente falava na idade deles, como “massa”, “afu...”.
Ficar velho é saber o que é “resenhar”, “zicar”, mas não poder usar esses termos porque não é mais a idade e vai que sejamos presos por linguagem inapropriada, já que somos velhos o suficiente pra ir pro xilindró.
Ficar velho, gente, é quando os eletrodomésticos da sua casa de contam a idade em mais de duas décadas. Ou talvez isso seja ser pobre, assunto que discutirei em outra ocasião pra não deprimir, que hoje já dói tudo e estou evitando chocolate.
Ficar velho é quando a cabeça tem 20, o cérebro tem 40, o coração tem 10 e as partes internas (que não foram cirurgicamente removidas) têm a soma de todas essas idades.
É levantar com dor e insistir em não ir ao médico – nada contra os médicos, mas odeio consultar vocês, viu?
Ficar velho é suspeitar que beber sete garrafinhas de água em um dia e fazer muito mais xixi que o normal seja diabetes. E não fazer o exame, só de teimoso, já que velho é cabeça-dura e quem teima com velho é burro, me desculpe.
Ficar velho é escrever besteiras como essa porque tem que dar um tempo descansando as pernas em cima de uma almofada, de pijama, antes de terminar de estender a roupa e arrumar os livros.
Ficar velho é ser hipocondríaco e dizer pros amigos mais próximos que quando você esticar as canelas quer que escrevam em sua lápide “Eu disse que não estava me sentindo bem”.
Mas ficar velho mesmo, gente, é querer fugir de casa, como aos 6 anos, e se dar conta que não dá pra fugir de todo o resto.
Ao menos não com pernas com essas varizes e sem um banheiro por perto.
(escrito em 21 de fevereiro de 2013 às 20:48)
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