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terça-feira, 29 de novembro de 2016

Mães de filhos que não voltam

Mães e pais, esposas e esposos, filhos, familiares e amigos, a única coisa que sabemos ao certo é que nossos dias estão contados, mesmo sem sabermos de antemão o número.

No que quer que acreditemos, seja que a vida continua na eternidade, seja que ela finda por completo no momento da morte física, sempre que alguém se vai de repente, penso na dor de quem fica.

Hoje o Brasil, com seus milhões de aficionados por futebol, deixou de lado as rixas e picuinhas de Grenais e outras disputas polarizadas para dar lugar ao luto pelo time de Chapecó, Santa Catarina. Amanhecemos e aos poucos nos inteiramos da tragédia da queda do avião fretado pelo time.

Sequer acompanho futebol, mas tive que voltar a atenção às notícias. E soube que era um time que estava vivendo seu momento de glória e cativando admiradores por sua garra e determinação. E assim, juntos e com a companhia de toda a equipe que acompanha uma viagem dessas, foram levados, exceto por poucos sobreviventes, de sua jornada aqui.

Do nada, sem aviso prévio, viraram recordação.

Creio que aquilo que mais nos estarrece é que parecemos nos sentir mais a salvo quando viajamos como grupo. E às vezes estamos enganados. Talvez eu seja pessimista ou ciente demais da fragilidade da matéria, mas não há deslocamento por meio terrestre ou aéreo que não me faça pensar que talvez aqueles que amo possam não retornar. E quem pensa que, do nada, a equipe tal, a turma tal, o grupo tal encontrará assim, todos juntos, seu destino final?

Não me atrevo a cogitar o tamanho da dor dos familiares e amigos que ficam. E muito menos comparar dor com dor, daqueles que recebem um telefonema trágico ou dos que têm tempo de se preparar para uma partida dolorida e certa, que dilacera mas permite o adeus.

Mas sei que nenhuma mãe espera que sua despedida de um filho que “logo volta” seja definitiva. Não diminuo, diante disso, a dor das esposas, esposos, filhos e filhas, irmãos, amigos. De certa forma todos temos muitos papéis na vida, e meu temor não se resume ao de mãe. Porém, sei que o de mãe é único, que vai do início ao fim, de acalentar uma vida que começa quase invisível, de acolher um espírito no ventre e no coração, nas horas boas e, principalmente, nas difíceis. 

E assim me compadeço, em uma dor sem medidas, das mães.

Não gosto muito de manifestar minhas crenças espirituais, mas para mim, cada um tem sua jornada, por mais dolorida que seja ou por mais dor que cause, e faz algum sentido quando buscamos esclarecimento. E creio que é necessário crer. Porque do contrário, é impossível sobreviver a certas perdas.

Me ocorreu pela primeira vez o quanto a morte é palpável há uns 7 anos, quando uma colega de aula de meu filho partiu cedo demais. Vi crianças de luto e o que restou aos pais. E se a morte vem para alguns, por que somos nós os escolhidos para sermos poupados? Não sei de onde viemos ou para onde vamos, só sei que me doem as partidas até de desconhecidos. “E as mães?”, eu penso. Como se pode suportar algo assim?

O enorme aperto no peito de hoje se transfere àquele que tem nome, cheiro, idade e endereço, longe do meu. E a cada abraço de reencontro ou de despedida nos finais de semana, meu pensamento se volta a Deus e peço que a viagem seja segura. Peço que nossa trajetória seja longa e nossos abraços, incontáveis e infinitos.

Preciso crer que esse infinito dura o tempo necessário.

E que Deus protege os que ficam e ajuda a dar sentido e conforto nos momentos de desespero e dor.

Do contrário, a vida não seria um sopro -  seria um acaso entre dois nadas.

E acasos e nadas não bastam às mães.

Procurando a linha de chegada nas jornadas que parecem não concluídas. 

domingo, 27 de novembro de 2016

Ah, os homens, esses destemidos!

Começo dizendo que não assisto Game Of Thrones. Porque se assistisse, teria medo de, mesmo sendo essa nanica reforçada, me identificar com a Brienne.

Detestaria ser do tipo que mete medo nos homens (ou em qualquer ser humano). O tipo que ameaça, exala insegurança, tem ataque de ciúme. Ou alguém para quem o marido pede permissão (what??!!) para fazer alguma coisa.

Mas tem umas coisinhas que, se acontecessem comigo, me deixariam no mínimo indignada.

Claro, cada grupo de pessoas tem suas referências e entende o que está por trás de um elogio. Ou uma brincadeira. E tem aqueles momentos divertidos, do tipo, “hoje o macho alfa é responsável por prover o alimento da família, macho alfa diz que vai caçar enquanto a fêmea alfa pilota a escrivaninha, fêmea pergunta se existe fêmea alfa e recebe a explicação destemida de que entre os leões, é a leoa que caça”.

Bem, para resumir, o almoço da leoa foi 1/6 do xis búrguer do dia anterior, enquanto que o leão fritou um hambúrguer caseiro com umas 5 colheres de óleo (tive que intervir, retirando 4) para seu almoço. 

Mas de todas as declarações equivocadas que já recebi, destaco o episódio do primeiro encontro com “Tu até que não é feia. Pra feia tu não serve”. Concordo plenamente que não sou uma belezura (embora estivesse muito em forma e arrumada), e que o indivíduo teve uma intenção positiva. 

Foi o uso da palavra “feia” que demonstrou uma falta de noção do impacto do léxico no psicológico feminino (ou masculino, ou de qualquer gênero). De modo que a pessoa deslizou daquele banquinho que fica suspenso acima da água, mergulhou nas profundezas do esquecimento e espero que tenha feito um curso sobre como não defecar pela cavidade oral.

Mas de tudo que alguém possa me dizer meio às avessas, dar uma escorregadela no setor inteligência básica - aquela que difere um ser pensante de um ruminante - certamente teria um efeito Briennizador em mim. Portanto, abaixo segue uma dica.

Se algum dia alguém do sexo oposto tentar um elogio dizendo que penso por mim mesma e essa constatação não for seguida por “depois do AVC”, “até mesmo quando sonâmbula”, “após perder grande quantidade de massa encefálica no acidente” ou “em fase avançada de Alzheimer”, terei que concluir que o cromossomo Y às vezes é bastante lerdo ou que o indivíduo não tem noção do perigo.

Nesse caso, penso - por mim mesma - que aceitaria um pedido de desculpas, mas somente se acompanhado de uma assinatura da revista Recreio e de palavras cruzadas do nível Picolé. Ou, se o indivíduo se retratasse achando que eu poderia ler Kafka, aceitaria A Metamorfose, ilustrado, com glossário e um tubo de inseticida.

E claro, eu jamais partiria para a agressão física.

Não que me falte força.

Deve estar me faltando, ainda, aquele tantinho de testosterona.


Espécime feminino sem danos cerebrais, que pensa por si e respira sem a ajuda de aparelhos :)

sábado, 6 de agosto de 2016

E eu com isso?

Situação: Pokémon Go acaba de ser lançado no Brasil e gera uma controvérsia sem precedentes. Já há algum tempo em uso em outros países, tenho visto notícias bizarras e outras engraçadas sobre os incidentes que o jogo pode ocasionar. 

Para ser sincera, ouvia opiniões divididas quanto ao Facebook e sempre pensei que dependia do quanto e de como as pessoas usavam. 

Mas opinião, cada um tem a sua, baseada no seu ponto de vista da realidade, que, lógico, é sempre correto - não é mesmo?

Dito isso, entremos no assunto inicial, o Pokémon Go. Conheço dezenas de pessoas alienadas, preguiçosas e ignorantes que jogam. 

Conheço também dezenas de pessoas inteligentíssimas, comunicativas, articuladas, que gostam da proposta de diversão do jogo e estão jogando. E aí, juízes, quem está certo?

Considerações pessoais:

  1) Quem sou eu para julgar como os outros se divertem? Até porque tiro um tempo quase todos os dias para ficar com o traseiro achatado, dentro de casa, lendo (dentre outras coisas) distrações irrelevantes no Facebook.

  2) Quem é você, que faz o mesmo que eu disse, para achar que os outros têm que se divertir da maneira que você acha conveniente?

  3) Qual a impossibilidade de uma pessoa ser inteligente, produtiva, cult, nerd ou “whatever” e gostar de se passar o tempo com um game baseado em realidade aumentada?

  4) Você chegou a reparar nas pessoas com celulares nos últimos dias? Vi muitas que antes ficavam mudas uma do lado da outra e que agora pelo menos interagem, dão risada e trocam ideias em torno dessa atividade, além de caminharem pela cidade bem mais que antes.

  5) Você leu algo sobre pessoas deprimidas que resolveram sair de casa e estão pegando sol e se animando um pouco em capturar, sim, Pokémons?

  6) No seu tempo livre, você cultiva uma atividade chamada acomodar os glúteos na poltrona para tomar chimarrão e trocar informações sobre quem se separou, quem perdeu o emprego, quanto custou a festa de 15 anos da fulana? E o que sua faxineira/sua sogra/seu marido fez de errado essa semana? E o jogo de futebol e quantas cervejas você tomou? Parou para pensar que os “acéfalos" que usam Pokémon Go podem achar isso, no mínimo, o cúmulo do ridículo?
  
  7) Qual a relevância da variedade de Pokemóns, pokestops, arenas e o que for, para sua evolução como ser humano?

  8) Qual a relevância das palavras matte, nerfar, ombré, nube, boho ou mitar para sua evolução como ser humano?

  9) Qual a relevância das nossas selfies e das poses dos nossos animais de estimação para as outras pessoas?

  10) Já há uma proposta concreta em separar o mundo em dois polos: os Pokédiotas e os fiscais da diversão alheia?

Enfim, dentre aqueles que criticam com tanta convicção o jogo, relacionando essa era à frase de Einstein sobre uma geração de idiotas, bem...

...me pergunto se no cerne dessa crítica não está o mesmo pensamento hermético que gera a intolerância e a falta de empatia com o quão diferente o outro pode pensar de nós. E falta de empatia não é o mal da humanidade?

E por último, informo que não baixei o Pokémon Go. Mas adoro capturar vídeos engraçados ou fofos e postar foto de tudo que cozinho no FB.

Pronto, me julguem, go!


Pokémon Go...mind your own fun, maybe?



domingo, 3 de julho de 2016

O bode no altar e a Pequena Sereia

Somos um casal normal. Aparentemente. Porque se alguém ouvisse as conversas que registrarei a seguir, tenho quase certeza de que surgiriam dúvidas.

- Bom dia, amor. Dormiu bem?
- Sim, mas tive uns sonhos estranhos.
- Que sonhos?
- Sonhei que estava casando.
- Comigo, né?
- Eu achava. Mas quando estava quase casada, olhei pro lado, e era com um bode.
- Um bode?
- Pois é.
- Será que era aquele bode que teu aluninho disse que foi no banco pra pegar dinheiro pra adotar uma criança?
- Pode ser. Aquele bode era um bom partido.
- Aham.
- E também o bode viria logo morar no apê de Estrela sem se preocupar com a velocidade na internet. O bode não tá nem aí pra internet.
- Verdade.
- E ele ia comer os inços das minhas plantas, mas não as plantas. Eu treinaria ele pra ser um bode seletivo.
- Claro. Porque toda mulher sonha em mudar seu bode.
- Bah, amor, isso foi épico. E profundo. Mas não te preocupa. Enquanto bode, digamos que não quero mudar nadinha em ti.

Essa foi nossa primeira conversa daquele domingo. E nos domingos que se seguiram, teve conversa do tipo:

- Meu cabelo tá muito comprido pra secar com secador...que trabalheira!
- É verdade.
- Tu começou a namorar a Branca de Neve e agora tá com uma Rapunzel descabelada.
- Hehehe...
- E isso que eu detesto esse negócio de princesas da Disney.
- Olha, contanto que não seja a Ariel...
- Por quê?
- Ué, porque ela é sereia.
- E daí?
- Daí que ela é metade peixe.
- Humm...ah, sim. Tu tá pensando se ela tem...
- Pois é. Deve ter de peixe.
- Mas e peixe tem um orifício pra tudo, assim, que nem ave? Peixe tem, tipo, uma cloaca?

Bom, quando chegamos na palavra “cloaca’ a gente nem lembrava mais qual tinha sido o início do diálogo, apenas as ridículas proporções tomadas. E rimos muito.

Essas conversas foram antes do casamento, que ocorreu, com toda a pompa (luvas de borracha) e circunstância (caixas de papelão) que o momento requeria, faz um mês.

Desde então, acho que amadurecemos apenas no quesito sabedoria da anatomia princesal/animal, conforme segue:

- Olha aqui a marca da mordida que a Zoey (nossa cachorra) me deu ontem! Tá roxo e com dois furinhos.
- Xi, Mozuda...será que ela te mordeu com os caninos?
- Mozudo, acho que todos os dentes dela são caninos!

E aí os dois quase rolam de rir, o que se repete quando a gente lembra do ocorrido. E a esse, podemos acrescentar o extravio do referido animal (canino, no caso), num domingo de tarde, quando meu filho e a namorada nos visitaram:

- Amor, onde tá a Zoey?

E três pessoas me olharam espantadas, especialmente pra debaixo do meu braço, onde estava a interrogativa cachorra que eu estava procurando.

A vida por aqui tem dessas coisas, já previstas no acordo pré-nupcial, que diz que vale rir um do outro e tem que levar de boa.

Como no dia em que eu acordei com aquele horrendo coque de dormir e fui direto tomar café, com uma bolota de cabelo no meio da testa:

- Nossa, amor. Tu parece um Oompa Loompa gigante!

Quase me engasguei de rir. A retribuição, vários dias depois, até que foi meiga, mas não agradou:

- Puxa vida, é engraçado saber que tu é livre, e mesmo assim escolhe ficar comigo. Tu sempre volta. Assim...se tu fosse uma ave, tu seria, tipo, como uma calopcita.
- Calopcita? Eu não quero ser uma calopcita!
- Tá. Um falcão?

Rimos de novo.

E se nossos sobrinhos nos vissem desse jeito, iam repetir aquela pergunta:

- Do que vocês estão brincando?

Pois é.
Acho que a gente tá mesmo só brincando, de casinha. Porque onde já se viu adulto ser assim, tão livre?

E se toda mulher sonha em mudar seu bode, e se os homens preferem sereias a ajudantes da fábrica de chocolate, a gente escolhe ser a Rapunzel descabelada e o falcão que sempre volta pra casa.

Coisa de criança.


Mas sabe, precisa crescer bastante pra não levar a vida tão a sério. E pra fazer essa viagem com malas invisíveis, leves, cheinhas de vento.

Do dia em que saí de uma das escolas para ficar mais tempo com a família. Maquiagem pra quê?


domingo, 7 de fevereiro de 2016

Histórias sem graça II

Dando continuação ao post de (quase o) mesmo nome, aqui uma coletânea de histórias sem graça mais recentes. Devo admitir que o nome deveria mudar para histórias embaraçosas, mas como raramente fico com vergonha, vou deixar assim mesmo. Só vou colocar subtítulos.

Pente, aquele inimigo

Três dias que estou praticamente sozinha em casa. Faxina intensa, muitos banhos e pra quê pentear o cabelo? Penteio na raiz, uma maçaroca de coque e uma tiara. Mas sempre xeróza, CK One. Hoje me senti culpada e penteei. Metade ficou na escova, a outra metade tá bem comprida. Perfume mais xexelento pra evitar de ficar muito diva. Até porque sou crush de dois entregadores de gás. Lágrimas escorrem. Próximo tópico.

Palmilhas epiteliais

Mais preguiça do que desembaraçar a juba, só a de lixar os pés. Porque tem muito pra lixar. Muito! E em duas semanas já volto ao estado produtora rural. Não há creme que dê jeito. Só não uso a lixa da furadeira porque não tenho uma. Taí um bom presente pro dia das mães. Ou dos namorados, talvez?

Quindim beneficente

Há semanas com vontade de comer um quindim. A padaria que faz os melhores do planeta, em férias. Compro no Bourbon uma caixa com dois. Na primeira mordida, um negócio duro, pura gelatina e um coco ralado grosso com gosto de sabonete. Vendo a procedência, fico feliz em ver que ajuda o pessoal em recuperação das drogas. Um pequeno símbolo mostra que que é um produto sem maconha. Foi o que minha mente registrou.

Jantar top da laje

- O que eu podia fazer de janta hoje? Dá uma dica.
- Podia vir aqui comer o feijão que fiz no almoço e mais uns restos
- Não estava me convidando, mas não sou fazido. Levo uma limonada
Dois vizinhos comendo uma montanha de boia pesada. Uma marmita de feijão num pote de margarina pra levar. Só não sabemos porque nos acham “rústicos”. Usamos até garfo e faca. E nem bebemos direto da jarra, olhaê! 

OLX – desapega!

Faxina bienal. Nenhum canto da casa é poupado. Com preocupação, vejo tralhas que sobreviveram a outras faxinas há uns quinze anos!!! Fitas, coisas de costura, tecidos, tintas a óleo, etc. Eu suspeitava que era acumuladora. Mas estava apenas em negação. Metade da casa se foi. Metade da minha dignidade, idem. Sobraram uns 30% de cada. Acho que a conta tá errada, mas o pessoal das humanas tá mais pras miçangas, né?

TOC, vem nimim!

Pra mó di promovê a limpeza aqui di casa, assisti a uns episódios terapêuticos de um programa britânico. Nele, se juntam pessoas com transtorno obsessivo compulsivo (TOC) e acumuladores que não limpam a casa por cerca de DEZ anooos! Cara, a coisa mais bizarra que já vi. Quero chegar mais pro lado do TOC, mas sem a germofobia. Eu curto uma sujeirinha saudável. E pretendo preservar minha imunidade.

Vergonha ortográfica alheia

Escutando os podcasts do Jovem Nerd, confirmo com satisfação que as pessoas que escrevem muito errado nem têm seus e-mails lidos. Às vezes até rola um comentário sobre erros muito toscos. Os Nerdcasters fazem uma campanha pelo “r” no final de qualquer infinitivo. Porque “pedir” não se escreve “pedi”. E muito menos, “pidi”. Peloamordedeus, nerds!!! O que sobra pra galera que curte sertanejo universitário? Wesley Safadão feelings. Traz o Dramin.

Antiguidades alimentares

Não é pão-durismo, mas tenho pena de jogar comida fora. Aí acabo guardando sem querer coisas vencidas. Condimentos, basicamente. Esses dias descartei uns açúcares coloridos, essências e corantes da era pré-queda das Torres Gêmeas. Se eu procurar mais, deve ter pimenta da época do Muro de Berlim. Só não tem coisa de quando o Michael Jackson era negro porque minha mãe jogou o LP Thriller fora. Big mistake, Marisinha. Devia conter uns farelos de bolacha no vinil.

Who’s da boss?

Sobre dormir com cachorros. Dois pequenos mas espaçosos. Uma no travesseiro do lado da minha cabeça. Outra no meu estômago. Sobre dormir torta e imóvel para não acordar os néni. Porque o chefe, certamente, não sou eu. “Garde de l’eau!”, elas diriam se morássemos em Versalhes. E eu trocando o jornal do xixi. Foi um dia de absoluto reinado canino. Comi bolo porque a Maria Antonieta gentilmente sugeriu.

Por gentileza, bípedes!

Se tem uma coisa que me irrita é cocô de cachorro na calçada. Até porque minha cachorra só faz na rua, bem pequenininho e eu cato sempre. Aí de manhã cedo, pronta pra ir a Porto Alegre, saio do carro pra receber minha amiga...e atolo o chinelo na caca fresca. Quem nunca (teve vontade de esfregar o chinelo na cara do animal dono do dog)?

O peso do namoro

Como (conjunção, não verbo) eu sempre gostei de cozinhar, fazia almoços decentes, mesmo só pra mim. Agora, com companhia, que maravilha! Tudo é motivo pra um rango caseiro. Saudável, mas como (verbo) muito. Calibrei os pneus e estou com uma barriga que não me pertence, mas que fiz por merecer. Vamos voltar ao normal? Bem, só depois de chocar a galera na volta às aulas. Já aviso: não estou grávida. Apenas desprovida de vergonha na cara.

Tudo grande


A amiga de um amigo mora nos Estados Unidos. Resolveu usar o Tinder. Eis que recebo um print com o perfil de um carinha bem lindo, Universidade de tal e tal, escrito: “Big heart. Big brain. Big d*. Big wallet.”. Quando consegui parar de rir (olha o “r” no final do infinitivo aí!), pensei que ela devia ir fundo. Porque um grande coração e um grande cérebro são imprescindíveis. E raros de encontrar no açougue virtual no mesmo pedaço de carne.

Aquele programa joinha, inspiração pro desapego

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Diálogos antológicos e a ponte do generation gap

Sabe aquele filme, Sexta-feira Muito Louca, ou coisa parecida, em que a mãe e a filha trocam de corpos? Eu também não. Mas assisti o trailer e é assim: de alguma forma, a mãe e a filha trocam de corpos. Isso. A adolescente fica com cabeça de adulta e vice-versa.

É essa a sensação que tenho às vezes ao conversar com minha sobrinha Andressa, de 17 anos. Somos parecidíssimas em tudo, mas na maneira de escrever, u-a-u!! Eu apanho de chinelada. 

Deem uma olhada no nível das nossas conversas. A pessoa com as frases mais infantis, já sabem quem é.

- Escrevi um negócio quase bíblico agora, parece que estou falando sobre corromper a carne e se render aos pecados...haha...
"Egoístas/Hipócritas (pensando no adjetivo que usarei) não eram os que, em algum canto obscuro daquilo que eu invadia, ocultavam trevas (...) Eram aqueles que optavam por disseminá-las pelo mundo, contaminando todos os outros sem resquícios de remorso, como se o fardo de sustentar aquela porção envenenada de existência fosse do restante dos seres, e não deles próprios, os que a carregavam." haha...credo!

- NOOOSSSSSSSSAAAAA. Jesus, é você??

- Corror né? hahaha

- Amei!!!!!!!!!!!! (pra que tanto ponto de exclamação?????)

- Me assustei. Tava esperando que a qualquer momento eu fosse pro centro com meu caderno atrair fiéis.

- Atrair fiéis é ótima! Tá, mas agora compara com isso que eu escrevi:
"Homens quanto ao quesito filmes e TV:
Gato versátil: Séries, Nat Geo, History Channel, Travel and Living, documentário, filme de tudo que é tipo, adora cinema. Sabe que a Kathryn Bigelow foi a primeira mulher a...tcharan! Se você sabe, pode ser um desses. Tem que ter inglês e espanhol razoável pra encarar. Yo encaraba!"

- Eu adoro as coisas que tu escreve! Dou altas risadas! Dá uma leveza ímpar ao que tu produz.

- Leveza? Ímpar? Produz?! Já eu lendo as tuas me sinto superinfantil. E ainda acho isso bom!!!

- São só estilos diversos - se existissem só os leves, talvez faltassem as reflexões profundas, mas se existissem só os pesados, não ia restar ninguém pra refletir: ia todo mundo se matar.

- Bah, esse diálogo tá antológico. Não sei bem o que é isso, mas achei bonito escrever. Diria que sou a parte do “anta”. E tu, a do “lógico”.

- Se não houvesse Google, eu ia presumir que estamos produzindo algo que os antológos - cientistas que estudam antas humanas - estudariam no futuro.

- É, por aí...

- Mas o contrário, e vice-e-versa!

Nessa parte eu me perdi no raciocínio da guria. E fui procurar no Google o que eu achava que era antológico. Ufa! Era mesmo "memorável". 

E por alguma estranha razão, nesse generation gap ao contrário tem sempre uma pontezinha para atravessar o gap e aproximar nossas mentes, de preferências tão parecidas quanto peculiares. Não sei se é um troço genético ou de convivência cibernética.

Mas no futuro, os antólogos hão de explicar. 

E se der, me deixar trocar de mente, de corpo, enfim...ficar Andressíssima!

A moça do caderninho que atrai fiéis. Agora, com 19 anos. London, babe!