Começo dizendo que não assisto
Game Of Thrones. Porque se assistisse, teria medo de, mesmo sendo essa nanica
reforçada, me identificar com a Brienne.
Detestaria ser do tipo que mete
medo nos homens (ou em qualquer ser humano). O tipo que ameaça, exala insegurança,
tem ataque de ciúme. Ou alguém para quem o marido pede permissão (what??!!) para
fazer alguma coisa.
Mas tem umas coisinhas que, se
acontecessem comigo, me deixariam no mínimo indignada.
Claro, cada grupo de pessoas tem suas
referências e entende o que está por trás de um elogio. Ou uma brincadeira. E
tem aqueles momentos divertidos, do tipo, “hoje o macho alfa é responsável por
prover o alimento da família, macho alfa diz que vai caçar enquanto a fêmea
alfa pilota a escrivaninha, fêmea pergunta se existe fêmea alfa e recebe a
explicação destemida de que entre os leões, é a leoa que caça”.
Bem, para resumir, o almoço da
leoa foi 1/6 do xis búrguer do dia anterior, enquanto que o leão fritou um hambúrguer
caseiro com umas 5 colheres de óleo (tive que intervir, retirando 4) para seu
almoço.
Mas de todas as declarações equivocadas
que já recebi, destaco o episódio do
primeiro encontro com “Tu até que não é feia. Pra feia tu não serve”. Concordo
plenamente que não sou uma belezura (embora estivesse muito em forma e
arrumada), e que o indivíduo teve uma intenção positiva.
Foi o uso da palavra “feia” que demonstrou
uma falta de noção do impacto do léxico no psicológico feminino (ou masculino,
ou de qualquer gênero). De modo que a pessoa deslizou daquele banquinho que
fica suspenso acima da água, mergulhou nas profundezas do esquecimento e espero
que tenha feito um curso sobre como não defecar pela cavidade oral.
Mas de tudo que alguém possa me
dizer meio às avessas, dar uma escorregadela no setor inteligência básica - aquela que difere um ser
pensante de um ruminante - certamente teria um efeito Briennizador em mim.
Portanto, abaixo segue uma dica.
Se algum dia alguém do sexo
oposto tentar um elogio dizendo que penso por mim mesma e essa constatação não for
seguida por “depois do AVC”, “até mesmo quando sonâmbula”, “após perder grande quantidade de massa encefálica no acidente” ou “em fase
avançada de Alzheimer”, terei que concluir que o cromossomo Y às vezes é bastante
lerdo ou que o indivíduo não tem noção do perigo.
Nesse caso, penso - por mim mesma
- que aceitaria um pedido de desculpas, mas somente se acompanhado de uma
assinatura da revista Recreio e de palavras cruzadas do nível Picolé. Ou, se o
indivíduo se retratasse achando que eu poderia ler Kafka, aceitaria A Metamorfose, ilustrado, com glossário e um tubo de inseticida.
E claro, eu jamais partiria para
a agressão física.
Não que me falte força.
Deve estar me faltando, ainda, aquele
tantinho de testosterona.
![]() |
| Espécime feminino sem danos cerebrais, que pensa por si e respira sem a ajuda de aparelhos :) |

Nenhum comentário:
Postar um comentário