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domingo, 27 de novembro de 2016

Ah, os homens, esses destemidos!

Começo dizendo que não assisto Game Of Thrones. Porque se assistisse, teria medo de, mesmo sendo essa nanica reforçada, me identificar com a Brienne.

Detestaria ser do tipo que mete medo nos homens (ou em qualquer ser humano). O tipo que ameaça, exala insegurança, tem ataque de ciúme. Ou alguém para quem o marido pede permissão (what??!!) para fazer alguma coisa.

Mas tem umas coisinhas que, se acontecessem comigo, me deixariam no mínimo indignada.

Claro, cada grupo de pessoas tem suas referências e entende o que está por trás de um elogio. Ou uma brincadeira. E tem aqueles momentos divertidos, do tipo, “hoje o macho alfa é responsável por prover o alimento da família, macho alfa diz que vai caçar enquanto a fêmea alfa pilota a escrivaninha, fêmea pergunta se existe fêmea alfa e recebe a explicação destemida de que entre os leões, é a leoa que caça”.

Bem, para resumir, o almoço da leoa foi 1/6 do xis búrguer do dia anterior, enquanto que o leão fritou um hambúrguer caseiro com umas 5 colheres de óleo (tive que intervir, retirando 4) para seu almoço. 

Mas de todas as declarações equivocadas que já recebi, destaco o episódio do primeiro encontro com “Tu até que não é feia. Pra feia tu não serve”. Concordo plenamente que não sou uma belezura (embora estivesse muito em forma e arrumada), e que o indivíduo teve uma intenção positiva. 

Foi o uso da palavra “feia” que demonstrou uma falta de noção do impacto do léxico no psicológico feminino (ou masculino, ou de qualquer gênero). De modo que a pessoa deslizou daquele banquinho que fica suspenso acima da água, mergulhou nas profundezas do esquecimento e espero que tenha feito um curso sobre como não defecar pela cavidade oral.

Mas de tudo que alguém possa me dizer meio às avessas, dar uma escorregadela no setor inteligência básica - aquela que difere um ser pensante de um ruminante - certamente teria um efeito Briennizador em mim. Portanto, abaixo segue uma dica.

Se algum dia alguém do sexo oposto tentar um elogio dizendo que penso por mim mesma e essa constatação não for seguida por “depois do AVC”, “até mesmo quando sonâmbula”, “após perder grande quantidade de massa encefálica no acidente” ou “em fase avançada de Alzheimer”, terei que concluir que o cromossomo Y às vezes é bastante lerdo ou que o indivíduo não tem noção do perigo.

Nesse caso, penso - por mim mesma - que aceitaria um pedido de desculpas, mas somente se acompanhado de uma assinatura da revista Recreio e de palavras cruzadas do nível Picolé. Ou, se o indivíduo se retratasse achando que eu poderia ler Kafka, aceitaria A Metamorfose, ilustrado, com glossário e um tubo de inseticida.

E claro, eu jamais partiria para a agressão física.

Não que me falte força.

Deve estar me faltando, ainda, aquele tantinho de testosterona.


Espécime feminino sem danos cerebrais, que pensa por si e respira sem a ajuda de aparelhos :)

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