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domingo, 30 de dezembro de 2018

Resoluções de Ano Novo: um guia mais prático ainda


Bem, eu tenho o costume de escrever, no final do ano, todas as metas pretendidas para a próxima circulada em torno do Sol. E rever a lista do ano anterior, pra ver o que eu consegui.

Comecei esse hábito por conselho de uma amiga superhiperprodutiva, que escreve tudo e conquista tudo. 

Só que eu ainda não progredi tanto no quesito produtividade (eu deveria colocar só isso na lista?), de modo que faço umas listonas e analiso o atingimento das minhas “metinhas”. Acreditem, é hilário ler no fim do ano aquela motivação infantil.

Ano passado cheguei ao cúmulo da listagem das metas: categorizei vida pessoal, trabalho, finanças...até saúde (que consistia em apenas fazer os exames que os médicos me pedem - veja você que tipo de paciente eu sou!).

E o texto do que atingi no ano anterior é tudo no campo “melhor pessoa”, “progresso espiritual”. Acho que eu estava com a autoestima estratosférica ou talvez fosse uma premonição de que eu ia ficar bem mais fofinha e mais confusa ao longo do ano – ou seja, aquilo já estava “ótemo”!

Com o passar de 2018, que incluiu casos de depressão por todos os lados e minha entrada definitiva no clube seleto da menopausa, incluindo combustão espontânea, insônia e uma irritação até com minha própria pessoa,fui meio que diminuindo as expectativas. 

Sabecomé, eu queria emergir de 2018 uma borboleta, mas acabei contente como crisálida, só espiando pra fora do casulo e torcendo pra não ser esmagada por algum transeunte.

E deu supercerto. Final do ano letivo: successss! Não pedi demissão e nem sofri transtornos mentais (irreversíveis). E ainda fui escolhida como uma das paraninfas do terceirão, ó a querideza da pessoa! Muitos pontos de exclamação para 2018!

Pois bem, hoje eu peguei o caderno pra dar uma riscada no que eu conquistei...


Por exemplo, não comecei uma poupança em conjunto com o marido pra uma viagem – mas comprei uma mala, olha que prática! E assisti tanto programa de viagem que tô dominando a cultura de uns países que eu nem dava importância. Ou seja, até já decidimos pra onde ir.

Não controlei direitinho meus gastos, mas saí da Era Paleolítica e agendei minhas contas no celular. E gastei menos. E não perdi nenhum documento, fiz manutenção no carro...ou seja, me passei por adulta sem levantar suspeitas.

Não perdi peso, mas perdi os óculos diariamente, o que, em última análise, consistiu em perder uns 50g por dia! Perdi também a habilidade de ler de perto. Mas ganhei uma prescrição para multifocais, que adiarei o máximo possível, pra manter minha dignidade.

Não viajei mais com meu marido, mas fui na épica viagem do 9º ano e zerei a vida. Fiz incontáveis quilômetros por estradas rurais, pelo menos. E me embarrei. Peguei coelhinhos fofos. Conheci uma porca gigante. Fui lambida por dois bezerros. Peguei muitos pintinhos, piu, piu, piu. Corri atrás de uma galinha. Chafurdei numa trilha de lama, rolei e fiz “anjo de neve” no lodo. Talvez isso seja uma viagem no tempo, pra quando eu tinha uns 8 anos.

Não voltei pra academia, mas voltei pra terapia...hehe. E rebolei que é uma loucura no Just Dance. Dancei em público até quando havia câmeras. Subi tanta escada carregadíssima de sacolas e passei tanto calor que praticamente fiz funcional o ano todo. Fiz crossfit de arrancar inço, cultivar pimentão, pimenta e carregar saco de terra. Corri numa plantação, que era um item da minha bucket list. E corri atrás dos alunos do 9º ano pra tacar cubos de gelo, pois exercício é questão de motivação, né?

Ah, e eu aprendi a DIZER NÃO pra ofertas de trabalho que eu não queria aceitar nem morta! Cara, eu praticamente atalhei o caminho entre a saúde e a saúde novamente. Entre ter um ataquezinho cardíaco e uma angioplastia. Entre um câncer de cólon e uma químio básica. Ou seja, passei de saudável a saudável sem tratamentos ou intervenções cirúrgicas.

Mas só pra eu me sentir mais vitoriosa nas metas, vou fazer que nem a campanha do Trump - manipular os dados a meu favor. Assim, observe e aprenda com a tia Madelon:

(x) Poupei. Preocupação, esquecendo alguns compromissos. Sacolas plásticas.
(x) Cortei. Mais pizza do que eu devia. A mão, e levei uns pontos.
(x) Organizei. Minha mente inquieta. O armário dos mantimentos.
(x) Planejei. Horários para cochilos. Refeições saudáveis pra família.
(x) Arrumei. A coluna, com alongamento. Trabalho extra como confeiteira. Pobrema dosoutro pra "mim" resolvê.
(x) Consegui. Derrubar a torta do Terceirão janela abaixo. Contar errado os alunos e deixar um dorminhoco no busão.
(x) Reformei. O matinho da sacada. O matinho da sacada. O matinho da sacada.

E sabe aquela lista do ano passado? Tá tão organizada que eu só vou trocar o ano.

E colocar o 1 antes do 5 nos quilos a emagrecer.

Quer mais prática que isso?

Ora, pois coloque na sua lista! 

E se não conseguir ser prático ou atingir qualquer das metas, metinhas e metonas que escrever no seu caderno, sei lá, compre um caderno com mais páginas para os anos seguintes?

Pode ser que você seja um atrasadinho otimista, tipo eu.


Não minveje. Trabalhe.




sábado, 15 de dezembro de 2018

O dia em que virei idosa


Sempre digo que não sou velha - apenas um modelo vintage, 1971. Ainda mais com meu jeito de ser (inconvenientemente infantil), que está meio em descompasso com a minha certidão de nascimento.

Mas essa semana eu me rendi. Virei uma septuagenária.

O que vocês levam em uma bolsinha ou carteira de festa? Eu levo celular, carteira de motorista e dinheiro, um batom pra retocar, que nunca na minha vida foi usado, um pó pra tirar o brilho da cara (idem ao batom) um pente e as chaves do carro.

Essa semana, precisei socar no plastiquinho da carteira de motora o cartão da Unimed. E botei o cartão do SOS Unimed junto. E isso que eu só ia até a escola, na formatura do 9º ano, e voltar pra casa. Ah, nada de cartão de banco, que idoso tem medo de assalto relâmpago. Coloquei 50 pila, pois o pessoal ia sair pra jantar depois, mas obviamente arreguei e fui pra casa, uma idosa que acorda 5 da manhã.

Concluo desse evento:

Preciso rever meus conceitos e trocar a maquiagem por uns comprimidim de cada remédio básico (Neosaldina, Dorflex e Tylenol sinus), mais as duas bombinhas de asma e um descongestionante nasal. E comprar uma bolsa maior pra sair, provavelmente.

E confesso com muita, mas muita vergonha, que vou fazer uma anotação, em algum lugar, do número do meu marido. Por dois motivos: caso me achem inconsciente (nunca por bebidas alcoólicas, que não tenho mais 18 anos) ou acabe a bateria do meu celular, pois eu não sei de cor o número dele.

É que idoso na época tecnológica não sabe de cor o número dos familiares mais próximos, mas ainda lembra o número das amiguinhas da quinta série do colégio – o que é assustador porque até parece indício de Alzheimer.

Para encerrar essa crônica da derrota, meu marido e eu decidimos que seremos idosos fofos, como um casal de japoneses que vimos na Internet, que se vestem combinando há 38 anos!

Já fizemos um cospobre acidental do casal, com roupas de ficar em casa. E eu "entuco as meia" praquele charme extra. Segundo meu marido, a gente combinando facilitaria nossa terceira idade. Caso um se perdesse do outro (já perco ele no supermercado), era só perguntar "Você viu um idoso parecido comigo?" e pedir pra devolver.


Por enquanto, vamos de camisetas das nossas séries preferidas, pra dar uma disfarçada. Ele de Han’s Guitar Solo e eu de House music. Uma roupa de baixo decente, conselho de idoso, em caso de acidente. Nossas colunas ferradas. Eu com dor no ciático. Ele dormindo sempre de meia.

Mas diante as realização recente do SOS Unimed, me lembrei de que desfruto da melhor parte de estar idosa desde uns 30 anos de idade. 

É que ouvimos recentemente um podcast com um cara muito inteligente, metódico e ranzinza (Sr. K é demais!), que eu seu aniversário de 40 anos, reuniu a família mais próxima em um jantar e fez um brinde anunciando algo do tipo, “de agora em diante, não vou mais a aniversário de crianças genéricas nem a batizados. Não levo mais a sogra pro lugar tal. Não me sinto mais obrigado a visitar parente, etc.” 

Assim que terminou o discurso e o pessoal estava boquiaberto (palavra de idosa), ele pediu a sobremesa. 

*Bah, dum tss!*

Quanto a mim, só não anunciei em brinde de aniversário, até pra pagar de querida. Mas não vou a aniversário quando não tenho vontade de ver gente. Festa de casamento e formatura, só das pessoas mais amores da vida, mas me arrumo esbravejando.

Debut, tenho orgulho de ter ido a um só, da minha sobrinha (obrigação pela qual não passarei mais). Não visito parente nem conhecido que tem aquele “papo do preço do leite”, reclamação com faxineira, listagem de cirurgias, “onde dói hoje” e fofocas genéricas. 

Não vou a salão pra evitar de escutar conversa de tragédia, pessoas genéricas dizendo que “suicídio é uma fraqueza da pessoa” (caio na gargalhada e fica chato) ou as últimas novidades da sociedade local.

Enfim, dos meus 47 anos, resumo que sou uma idosa em pleno uso de suas faculdades mentais, facilmente identificável, com plano de saúde e que tá pouco se lixando para as convenções sociais.

Não sei se isso aumenta a longevidade, mas é mais libertador do que andar de pijama na rua e ir trabalhar de chinelo.

Acreditem, falo por experiência.

E recomendo.

Nosso cospobre e os amorzinhos originais. Já tive esse cabelo de penico dos 8 aos 10 anos. Me rendeu o papel de Romeu na peça da escola. Serei uma Rapunzel grisalha, devido ao trauma.