Vocês já viram aquele programa no canal A&E,
“Acumuladores”, sobre pessoas com compulsão de guardar coisas?
Não é aquela
nossa compulsãozinha leve, de guardar potes vazios de margarina, sachês, todos
os lápis que ainda escrevem, papéis de presente e latinhas fofas.
Isso é fichinha perto do pessoal do programa, que tem a casa
virada em uma montanha de lixo. É embalagem de comida empilhada até o teto, cozinha
interditada, filhos e gatos escalando pilhas de brinquedos e pessoas com sérios
problemas em se desfazer dos objetos.
Eu achava que tinham que mandar uma equipe no cafofo pra
tacar fogo e passar a mangueira dos bombeiros, sabe, pra começar do zero. Mas
vi que a pessoa é capaz de ter um chilique mortal. Vai um time de psicólogos e
arrumadores profissionais pra negociar cada coisa – e tem muuuuita coisa!
- que a pessoa doa/vende/joga fora. E ainda
têm que acalmar o indivíduo.
Assistindo ao programa (não me julguem!) me sinto tão
organizada e limpinha!...É algo tipo, “Uau, tem gente mais maluca e
desorganizada do que eu!” E preciso dessa comparação pra dar uma incentivada
nas minhas faxinas, já que segundo um amigo, sou meio “empilhoteira”.
Guardo papéis e coisas do tipo. Cartões e cartas. Desenhos.
Material escolar. Livros. Adesivos de agendas. E recentemente descobri que
guardo coisas em miniatura.
E como tenho dificuldade em me desfazer de algumas coisas,
importo algum parente com menos piedade do meu lixo sentimental do que eu, que
goste de trabalhar muito e seja forte pra me arrancar umas coisas dos braços.
Além do pagamento em reais ou da forma preferida, acho que a
pessoa é recompensada com o privilégio de tirar sarro da minha cara o tempo
todo, já que encontrar coisas bizarras que sobrevivem às faxinas é uma
constante. Tipo assim:
- MAIS uma cestinha minúscula?? Fala
sério, tu acha que vai virar camponesa?
- Claro que não! Vou encolher e DEPOIS virar camponesa. Rá!
- E esse mini esquadro?
- Vou encolher e virar uma camponesa arquiteta.
- Te desprende disso! Vamo, dá aqui!
- Não, deixa pra minha última boneca. A Susi baiana.
- O que ela tem de baiana?
- A roupa, ué!
- Claro que não! Vou encolher e DEPOIS virar camponesa. Rá!
- E esse mini esquadro?
- Vou encolher e virar uma camponesa arquiteta.
- Te desprende disso! Vamo, dá aqui!
- Não, deixa pra minha última boneca. A Susi baiana.
- O que ela tem de baiana?
- A roupa, ué!
Pois é, gente. O que leva uma
pessoa a guardar duas mini cestinhas de palha? Duas bolas de gude? Um dado. Uma
Susi de 1979 - desmembrada?! Mini esquadros. Um sachê do Snoopy? Uma xícara de
cafezinho solitária? Isso só pra citar as coisas mais aceitáveis.
É que tem uma parte da faxina em
que eu saturo! Aí deixo a última caixa do jeito que está. Esse é o limbo onde habitam
essas coisas.
“Habitavam”, dizem minhas
amigas. “Te desapega! Deixa sair coisa velha pra entrar coisa nova e circular
energia.”
“Tá bom!”, concordo relutante. “Vou
colocar fora o lixo velho pra deixar entrar o lixo novo. Só não me façam doar a
cestinha, o esquadro, a xícara, a Susi baiana e o Max Steel do meu filho.”
Apresentei os dois e acho que tá
rolando um clima, a energia tá fluindo. Vai ver os caras se amarram num café
com uma mulher meio frágil, que colha flores e desenhe casas a mão.
Vamos ver se o fluxo de energia
funciona pra mim também, né?
Qualquer coisa eu fico no
lúdico. Encolho, jogo um charme pra cima do Max e mando a Susi de volta pra
Bahia.
Sinceramente, acho que o lúdico é bem mais
provável.
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| "E aí, gata, quer uma mãozinha?" Meu alter ego no lúdico aceitou. |
