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quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Mania de acumular tralhas...



Vocês já viram aquele programa no canal A&E, “Acumuladores”, sobre pessoas com compulsão de guardar coisas? 

Não é aquela nossa compulsãozinha leve, de guardar potes vazios de margarina, sachês, todos os lápis que ainda escrevem, papéis de presente e latinhas fofas. 

Isso é fichinha perto do pessoal do programa, que tem a casa virada em uma montanha de lixo. É embalagem de comida empilhada até o teto, cozinha interditada, filhos e gatos escalando pilhas de brinquedos e pessoas com sérios problemas em se desfazer dos objetos. 


Eu achava que tinham que mandar uma equipe no cafofo pra tacar fogo e passar a mangueira dos bombeiros, sabe, pra começar do zero. Mas vi que a pessoa é capaz de ter um chilique mortal. Vai um time de psicólogos e arrumadores profissionais pra negociar cada coisa – e tem muuuuita coisa! -  que a pessoa doa/vende/joga fora. E ainda têm que acalmar o indivíduo.


Assistindo ao programa (não me julguem!) me sinto tão organizada e limpinha!...É algo tipo, “Uau, tem gente mais maluca e desorganizada do que eu!” E preciso dessa comparação pra dar uma incentivada nas minhas faxinas, já que segundo um amigo, sou meio “empilhoteira”. 


Guardo papéis e coisas do tipo. Cartões e cartas. Desenhos. Material escolar. Livros. Adesivos de agendas. E recentemente descobri que guardo coisas em miniatura. 


E como tenho dificuldade em me desfazer de algumas coisas, importo algum parente com menos piedade do meu lixo sentimental do que eu, que goste de trabalhar muito e seja forte pra me arrancar umas coisas dos braços. 


Além do pagamento em reais ou da forma preferida, acho que a pessoa é recompensada com o privilégio de tirar sarro da minha cara o tempo todo, já que encontrar coisas bizarras que sobrevivem às faxinas é uma constante. Tipo assim:


- MAIS uma cestinha minúscula?? Fala sério, tu acha que vai virar camponesa?  
- Claro que não! Vou encolher e DEPOIS virar camponesa. Rá!  
- E esse mini esquadro?  
- Vou encolher e virar uma camponesa arquiteta.  
- Te desprende disso! Vamo, dá aqui!  
- Não, deixa pra minha última boneca. A Susi baiana.
- O que ela tem de baiana?  
- A roupa, ué!


Pois é, gente. O que leva uma pessoa a guardar duas mini cestinhas de palha? Duas bolas de gude? Um dado. Uma Susi de 1979 - desmembrada?! Mini esquadros. Um sachê do Snoopy? Uma xícara de cafezinho solitária? Isso só pra citar as coisas mais aceitáveis.


É que tem uma parte da faxina em que eu saturo! Aí deixo a última caixa do jeito que está. Esse é o limbo onde habitam essas coisas. 


“Habitavam”, dizem minhas amigas. “Te desapega! Deixa sair coisa velha pra entrar coisa nova e circular energia.”


“Tá bom!”, concordo relutante. “Vou colocar fora o lixo velho pra deixar entrar o lixo novo. Só não me façam doar a cestinha, o esquadro, a xícara, a Susi baiana e o Max Steel do meu filho.” 


Apresentei os dois e acho que tá rolando um clima, a energia tá fluindo. Vai ver os caras se amarram num café com uma mulher meio frágil, que colha flores e desenhe casas a mão. 


Vamos ver se o fluxo de energia funciona pra mim também, né?


Qualquer coisa eu fico no lúdico. Encolho, jogo um charme pra cima do Max e mando a Susi de volta pra Bahia.


Sinceramente, acho que o lúdico é bem mais provável.
"E aí, gata, quer uma mãozinha?" Meu alter ego no lúdico aceitou.