Postagens populares

domingo, 30 de dezembro de 2018

Resoluções de Ano Novo: um guia mais prático ainda


Bem, eu tenho o costume de escrever, no final do ano, todas as metas pretendidas para a próxima circulada em torno do Sol. E rever a lista do ano anterior, pra ver o que eu consegui.

Comecei esse hábito por conselho de uma amiga superhiperprodutiva, que escreve tudo e conquista tudo. 

Só que eu ainda não progredi tanto no quesito produtividade (eu deveria colocar só isso na lista?), de modo que faço umas listonas e analiso o atingimento das minhas “metinhas”. Acreditem, é hilário ler no fim do ano aquela motivação infantil.

Ano passado cheguei ao cúmulo da listagem das metas: categorizei vida pessoal, trabalho, finanças...até saúde (que consistia em apenas fazer os exames que os médicos me pedem - veja você que tipo de paciente eu sou!).

E o texto do que atingi no ano anterior é tudo no campo “melhor pessoa”, “progresso espiritual”. Acho que eu estava com a autoestima estratosférica ou talvez fosse uma premonição de que eu ia ficar bem mais fofinha e mais confusa ao longo do ano – ou seja, aquilo já estava “ótemo”!

Com o passar de 2018, que incluiu casos de depressão por todos os lados e minha entrada definitiva no clube seleto da menopausa, incluindo combustão espontânea, insônia e uma irritação até com minha própria pessoa,fui meio que diminuindo as expectativas. 

Sabecomé, eu queria emergir de 2018 uma borboleta, mas acabei contente como crisálida, só espiando pra fora do casulo e torcendo pra não ser esmagada por algum transeunte.

E deu supercerto. Final do ano letivo: successss! Não pedi demissão e nem sofri transtornos mentais (irreversíveis). E ainda fui escolhida como uma das paraninfas do terceirão, ó a querideza da pessoa! Muitos pontos de exclamação para 2018!

Pois bem, hoje eu peguei o caderno pra dar uma riscada no que eu conquistei...


Por exemplo, não comecei uma poupança em conjunto com o marido pra uma viagem – mas comprei uma mala, olha que prática! E assisti tanto programa de viagem que tô dominando a cultura de uns países que eu nem dava importância. Ou seja, até já decidimos pra onde ir.

Não controlei direitinho meus gastos, mas saí da Era Paleolítica e agendei minhas contas no celular. E gastei menos. E não perdi nenhum documento, fiz manutenção no carro...ou seja, me passei por adulta sem levantar suspeitas.

Não perdi peso, mas perdi os óculos diariamente, o que, em última análise, consistiu em perder uns 50g por dia! Perdi também a habilidade de ler de perto. Mas ganhei uma prescrição para multifocais, que adiarei o máximo possível, pra manter minha dignidade.

Não viajei mais com meu marido, mas fui na épica viagem do 9º ano e zerei a vida. Fiz incontáveis quilômetros por estradas rurais, pelo menos. E me embarrei. Peguei coelhinhos fofos. Conheci uma porca gigante. Fui lambida por dois bezerros. Peguei muitos pintinhos, piu, piu, piu. Corri atrás de uma galinha. Chafurdei numa trilha de lama, rolei e fiz “anjo de neve” no lodo. Talvez isso seja uma viagem no tempo, pra quando eu tinha uns 8 anos.

Não voltei pra academia, mas voltei pra terapia...hehe. E rebolei que é uma loucura no Just Dance. Dancei em público até quando havia câmeras. Subi tanta escada carregadíssima de sacolas e passei tanto calor que praticamente fiz funcional o ano todo. Fiz crossfit de arrancar inço, cultivar pimentão, pimenta e carregar saco de terra. Corri numa plantação, que era um item da minha bucket list. E corri atrás dos alunos do 9º ano pra tacar cubos de gelo, pois exercício é questão de motivação, né?

Ah, e eu aprendi a DIZER NÃO pra ofertas de trabalho que eu não queria aceitar nem morta! Cara, eu praticamente atalhei o caminho entre a saúde e a saúde novamente. Entre ter um ataquezinho cardíaco e uma angioplastia. Entre um câncer de cólon e uma químio básica. Ou seja, passei de saudável a saudável sem tratamentos ou intervenções cirúrgicas.

Mas só pra eu me sentir mais vitoriosa nas metas, vou fazer que nem a campanha do Trump - manipular os dados a meu favor. Assim, observe e aprenda com a tia Madelon:

(x) Poupei. Preocupação, esquecendo alguns compromissos. Sacolas plásticas.
(x) Cortei. Mais pizza do que eu devia. A mão, e levei uns pontos.
(x) Organizei. Minha mente inquieta. O armário dos mantimentos.
(x) Planejei. Horários para cochilos. Refeições saudáveis pra família.
(x) Arrumei. A coluna, com alongamento. Trabalho extra como confeiteira. Pobrema dosoutro pra "mim" resolvê.
(x) Consegui. Derrubar a torta do Terceirão janela abaixo. Contar errado os alunos e deixar um dorminhoco no busão.
(x) Reformei. O matinho da sacada. O matinho da sacada. O matinho da sacada.

E sabe aquela lista do ano passado? Tá tão organizada que eu só vou trocar o ano.

E colocar o 1 antes do 5 nos quilos a emagrecer.

Quer mais prática que isso?

Ora, pois coloque na sua lista! 

E se não conseguir ser prático ou atingir qualquer das metas, metinhas e metonas que escrever no seu caderno, sei lá, compre um caderno com mais páginas para os anos seguintes?

Pode ser que você seja um atrasadinho otimista, tipo eu.


Não minveje. Trabalhe.




sábado, 15 de dezembro de 2018

O dia em que virei idosa


Sempre digo que não sou velha - apenas um modelo vintage, 1971. Ainda mais com meu jeito de ser (inconvenientemente infantil), que está meio em descompasso com a minha certidão de nascimento.

Mas essa semana eu me rendi. Virei uma septuagenária.

O que vocês levam em uma bolsinha ou carteira de festa? Eu levo celular, carteira de motorista e dinheiro, um batom pra retocar, que nunca na minha vida foi usado, um pó pra tirar o brilho da cara (idem ao batom) um pente e as chaves do carro.

Essa semana, precisei socar no plastiquinho da carteira de motora o cartão da Unimed. E botei o cartão do SOS Unimed junto. E isso que eu só ia até a escola, na formatura do 9º ano, e voltar pra casa. Ah, nada de cartão de banco, que idoso tem medo de assalto relâmpago. Coloquei 50 pila, pois o pessoal ia sair pra jantar depois, mas obviamente arreguei e fui pra casa, uma idosa que acorda 5 da manhã.

Concluo desse evento:

Preciso rever meus conceitos e trocar a maquiagem por uns comprimidim de cada remédio básico (Neosaldina, Dorflex e Tylenol sinus), mais as duas bombinhas de asma e um descongestionante nasal. E comprar uma bolsa maior pra sair, provavelmente.

E confesso com muita, mas muita vergonha, que vou fazer uma anotação, em algum lugar, do número do meu marido. Por dois motivos: caso me achem inconsciente (nunca por bebidas alcoólicas, que não tenho mais 18 anos) ou acabe a bateria do meu celular, pois eu não sei de cor o número dele.

É que idoso na época tecnológica não sabe de cor o número dos familiares mais próximos, mas ainda lembra o número das amiguinhas da quinta série do colégio – o que é assustador porque até parece indício de Alzheimer.

Para encerrar essa crônica da derrota, meu marido e eu decidimos que seremos idosos fofos, como um casal de japoneses que vimos na Internet, que se vestem combinando há 38 anos!

Já fizemos um cospobre acidental do casal, com roupas de ficar em casa. E eu "entuco as meia" praquele charme extra. Segundo meu marido, a gente combinando facilitaria nossa terceira idade. Caso um se perdesse do outro (já perco ele no supermercado), era só perguntar "Você viu um idoso parecido comigo?" e pedir pra devolver.


Por enquanto, vamos de camisetas das nossas séries preferidas, pra dar uma disfarçada. Ele de Han’s Guitar Solo e eu de House music. Uma roupa de baixo decente, conselho de idoso, em caso de acidente. Nossas colunas ferradas. Eu com dor no ciático. Ele dormindo sempre de meia.

Mas diante as realização recente do SOS Unimed, me lembrei de que desfruto da melhor parte de estar idosa desde uns 30 anos de idade. 

É que ouvimos recentemente um podcast com um cara muito inteligente, metódico e ranzinza (Sr. K é demais!), que eu seu aniversário de 40 anos, reuniu a família mais próxima em um jantar e fez um brinde anunciando algo do tipo, “de agora em diante, não vou mais a aniversário de crianças genéricas nem a batizados. Não levo mais a sogra pro lugar tal. Não me sinto mais obrigado a visitar parente, etc.” 

Assim que terminou o discurso e o pessoal estava boquiaberto (palavra de idosa), ele pediu a sobremesa. 

*Bah, dum tss!*

Quanto a mim, só não anunciei em brinde de aniversário, até pra pagar de querida. Mas não vou a aniversário quando não tenho vontade de ver gente. Festa de casamento e formatura, só das pessoas mais amores da vida, mas me arrumo esbravejando.

Debut, tenho orgulho de ter ido a um só, da minha sobrinha (obrigação pela qual não passarei mais). Não visito parente nem conhecido que tem aquele “papo do preço do leite”, reclamação com faxineira, listagem de cirurgias, “onde dói hoje” e fofocas genéricas. 

Não vou a salão pra evitar de escutar conversa de tragédia, pessoas genéricas dizendo que “suicídio é uma fraqueza da pessoa” (caio na gargalhada e fica chato) ou as últimas novidades da sociedade local.

Enfim, dos meus 47 anos, resumo que sou uma idosa em pleno uso de suas faculdades mentais, facilmente identificável, com plano de saúde e que tá pouco se lixando para as convenções sociais.

Não sei se isso aumenta a longevidade, mas é mais libertador do que andar de pijama na rua e ir trabalhar de chinelo.

Acreditem, falo por experiência.

E recomendo.

Nosso cospobre e os amorzinhos originais. Já tive esse cabelo de penico dos 8 aos 10 anos. Me rendeu o papel de Romeu na peça da escola. Serei uma Rapunzel grisalha, devido ao trauma.




sábado, 18 de agosto de 2018

Como sobreviver ao primeiro término: manual de regeneração facial



Se você tem mais de 15 anos, já, deve estar trabalhado na arte da rejeição, então sugiro voltar ao LOL, à sua série preferida ou fazer uns contatos. Mas se você está ingressando na dura tarefa de quebrar a cara na vida amorosa, sente e pegue um Kit Kat ou um balde de pipoca e uma garrafa de água. Temos muito trabalho pela frente. Vou usar tudo no gênero masculino pela comodidade ortográfica e pra não vitimizar as muié.

1) Demissão sem aviso prévio:

O que é: A garota terminou com você sem mais nem menos. Tipo, de tarde tava tudo bem e de noite tava tudo terminado.

O que fazer: Filme muito triste pra chorar tudo que pode. Maquiagem pra cobrir a cara de choro. Se você for menino, sinto muito, essa é sua única desvantagem. Depois de uns 10 dias, pergunte aos amigos mais chegados – ou à ex mesmo – o que poderia ter mudado para tentar fazer umas besteiras diferentes na próxima. E pode ser que a pessoa só estivesse querendo aproveitar a oferta de mercado, então não se culpe.

O que não fazer: Insistir em tirar satisfações quando o outro não tá a fim de falar. Stalkear a pessoa. Pior, permitir que seus pais stalkeiem por você! Porque daí o recado será “sou uma pessoa ameaçadora e não namorável”, vai por mim (não que meus pais soubessem da minha vida amorosa nos anos 80, obviamente). Também é um pouco ridículo ligar chorando pra pedir pra, pelamordedeus, devolver suas pantufas de dinossauro, que a gente sabe que isso é desculpa. Chama a OLX e deapega!

2) Azedou o rolê tipo 1:

O que é: Um dos dois se apaixonou por outra pessoa.

O que fazer:
a) Transformar-se na outra pessoa, se você tiver poderes mágicos e nenhuma autoestima.

b) Conversar com o atual e terminar numa boa, com dignidade, sem enfeites na testa.

O que não fazer:
a) Ficar "full pistola" com o futuro ex porque você tem certeza absoluta que nunca vai se apaixonar por outro estando em um relacionamento (não seja idiota, nunca te pedi nada!).

b) Atacar a outra pessoa, pela qual você foi supostamente trocado, verbalmente, no WhatsApp (cyberbullying, tipo Nutella, registrado e “espalhável”) ou chamar no “vamo vê” (bullying tipo raiz).

3) Azedou o rolê tipo 2:

O que é: Você já fez o test drive e ficou com outra pessoa. Optou por ela. Bateu um remorso. Você resolve contar pra pessoa atual que decidiu trocá-la por um modelo mais novo.

O que fazer: Assumir o vacilo. Pensar que a namo/crush/ficante merece ouvir as maravilhosas notícias por você e não pelos outros. Preparar uma lista de porque o problema é você e não a outra pessoa. Explicar que a namo/crush/ficante é uma pessoa maravilhosa, mas que acontecem esses, digamos, “imprevistos do coração”. Levar uma caixa de lenços. Levar chocolate. Mostrar-se arrependido.

O que não fazer:  Deixar que ozamigo contem do ocorrido. Não ter coragem pra encarar a namo/crush/ficante, especialmente se tiver família envolvida (é o mínimo que você deve a esse serumaninho) e terminar por mensagem. Ser grosso e ir fazendo a pessoa acabar com você, pra se poupar de ser o vilão. Ora, tenha-vergonha-na-cara, isso-não-se-faz!

4) Enjoei.com

O que é: Você, antes dos 15, enjoou da pessoa, não sabendo exatamente porque, mas tá nauseado. Talvez seja a síndrome da Super Bonder. Ou tenha que ceder gavetas do seu guarda roupa pros uniformes da pessoa amada e você não tá preparado para ser os seus pais ainda. Ou sei lá, seja criativo, os problemas dessa geração eu tô meio por fora, mas certamente tem inúmeros.

O que fazer: Conversar com o atual e terminar numa boa, com dignidade, sem enfeites na testa. CrtlC CtrlV do "Azedou o rolê tipo 1".

O que não fazer: Ficar com a pessoa. Afinal, ela não tem culpa se, de uma hora pra outra, você não suporta mais o Rexona dela. E pode ser só ranço seu, então dá licença. Pode ser que o indivíduo seja um namo/crush/ficante perfeito para outra pessoa. Abre a roda.  Sai da fila. Vaza!

5) Crise de identidade, a.k.a. "Quais as minhas opções?"

O que é: Vocês se gostavam desde a Educação Infantil. Vocês estão juntos desde uma idade que chocaria pessoas da minha idade. Vocês são novinhos, mas sempre foram o Troy e a Gabriela um do outro. E agora, um fez tratamento para espinhas e tem um novo corte de cabelo. O outro tirou o aparelho e foi eleito gatinho da gincana. Um de vocês (ou ambos) está se questionando se é com aquela pessoa que você quer ficar idoso sem nunca ter beijado outra.

O que fazer: Conversar com o atual e terminar numa boa, com dignidade, sem enfeites na testa. CrtlC CtrlV do "Azedou o rolê tipo 1"  e "Enjoei.com".

O que não fazer: Ficar juntos para sempre sem saber o que teria sido. Culpar a pessoa por tudo isso dali a vinte anos. Criar filhos adoráveis mas alérgicos à monogamia.

Bem, não tenho outras ideias de término pra essa faixa etária, que é a que mais chora no meu ombro. Tem uns outros fatores complicantes que eu prefiro não citar aqui, para fins de privacidade. Mas a gente pode falar pessoalmente e aí você decide se está com uma pessoa que realmente lhe faz bem. E se você não está sendo um chato inaturável pro outro.

Os meninos são uns idiotas de estarem com a autoestima exacerbada e querendo pegar tudo que podem?
Sim.

As meninas são umas idiotas de estarem com a autoestima exacerbada e querendo pegar tudo que podem?
Sim.

Quem é mal visto quando fica com um monte de pessoas?
Desnecessário responder.

Ficam umas dicas/ conclusões gerais de quem já quebrou a cara levando (e dando) foras:

1) A face parece ser uma parte do corpo altamente regenerável. Você jura que nunca mais vai amar ninguém e dali a um mês já está planejando o casamento no Havaí com outro indivíduo. Ou combinado as fotos pra simular como seriam os bebês do casal (deu um arrepio de pavor agora!).

2) Esse texto se chama Como sobreviver ao PRIMEIRO término porque haverá outros. Ah, tantos outros...*suspiros*

3) O mundo vai acabar inúmeras vezes. E aí você vai deixar de ser besta.

4) Suas córneas serão hidratadas por centenas de mililitros de líquido lacrimal. E aí você vai deixar de ser besta.

5) Você vai achar a princesa da Disney que mais se adapta ao seu castelo. E aí você vai deixar de ser besta.

6) Você vai casar aos 19 anos com uma pessoa maravilhosa. Vai ficar casado por 10 anos, ter um filho, separar. Vai ficar 15 anos sozinho. Aos 44 anos, você vai sair com uma pessoa que nem deveria ser real, pelos seus algoritmos. E descomplicar a vida, ligar no dia seguinte e deixar de ser besta. 

Pessoal, o ritual do acasalamento é uma porcaria! Mas um dia a gente deixa de ser besta, encontra a pessoa certa e faz dar certo com ela.

Até lá, vamos quebrando a cara. De jeitos inovadores, pelo menos, que é pra evoluir.

Ah, quase me esqueci: a friendzone não é um buraco negro, viu? Tem um monte de casais incríveis que emergem dela. Então olha em volta e deixa de ser o quê?

Cê já entendeu.

Lava a cara que hoje é sábado.

Chama os amigos, dá umas risadas.

Tem vida depois do primeiro término.

Nada como um marido depois do outro...hahaha...porque tem que errar bastante pra gente evoluir. Meu soulmate de muitas vidas <3 


domingo, 6 de maio de 2018

Diário de uma batata de sofá: corrida matinal – uma experiência de quase morte


...Foi então que resolvi, de pura raiva mesmo, fazer algo a respeito. Obviamente que eu não queria ser a única habitante da Loserlândia, depois de minha sobrinha partir para o Lado Negro da Força. 

Eram 7h30 da madruga, num sábado. Pensei: vou fazer uma loucura. Vou correr. Corrrreeeer!! 

Fui logo colocando um short e tênis antes que mudasse de ideia. Deixei uma mensagem no Whats do adormecido marido, dizendo: 

“Saí pra correr (!) sem celular, identidade, água nem carteira da Unimed. Minha meta: 800m. Se eu não voltar até 9h é porque tô caída numa valeta, com o pé quebrado. Me deixa lá.” 

Pensei em encarar a vizinhança mesmo, mas já era hora de muitos vizinhos acordados, então fui a uma área mais remota, mas com vários conhecidos, em caso de acidente. 

Fui de carro até lá, já que até os grandes atletas às vezes precisam se descolocar até seu local de treino, então não me julguem – cada gordinho com seus pobrema! 

Saí do carro e coloquei a chave dentro da bermuda. Dobrei a esquina e fui bem contente, tudo trepidando no meu corpo, ninguém na rua. 

Sentimento de “não acredito que consigo correr” durou 50 metros e logo deu lugar a “não acredito que vou morrer de forma tão estúpida”. Nisso eu estava passando pela lateral da casa da namorada do meu filho, e lá estava pai dela, tomando chimarrão – pô, Jorge! – de modo que fiz que não vi e mantive o passo de corrida até umas moitas me encobrirem. 

Estava tão mal que achei que se eu parasse, poderia ter um treco que variaria entre vômito e ataque cardíaco, então segui caminhando morro acima. 

À minha esquerda, o cemitério. À direita, mandioca. Cemitério, mandioca. Cemitério, cana de açúcar. Capela mortuária, florzinhas. Bosque, bosque. Descida. Comecei a correr de novo. E assim fui, nesse ritmo de corre, quase empacota, caminha, corre, caminha, por 2.200m. Ao todo, devo ter caminhado um terço, mas vamos deixar por 600m. 

Confissões do percurso: 

1) Uma senhora bem velhinha, carregadíssima de sacolas, me olha com pena ao me ver correndo morro acima. Não consegui cumprimentá-la. Escolhi respirar. 

2) Passei por um campinho com um sofá xexelento abandonado, com duas lâmpadas fluorescentes em cima, e me senti tentada a deitar ali mesmo, agarrada nas lâmpadas. 

3) Eu deveria ter usado uns três sutiãs, mas não queria passar vergonha, sabe como é. 

4) Passei por uma clínica de massoterapia e pensei no que doeria dali a algumas horas. As palavras “nervo ciático” e glúteos” piscavam em neon no meu cérebro. 

5) Durante todo o percurso eu tive medo de pisar em falso e quebrar meu pé de novo. Esse pensamento era uma promessa de alegria, cama e Netflix por um mês. 

6) Fiz uma volta tremenda para evitar a casa do Jorge e da Loraci, na volta, mas acabei passando na casa da mãe de uma amiga. Ela me cumprimentou. A casa dos tios do meu marido estava fechada, felizmente! 

7) Só não parei em um bar com propaganda de “cerveja” porque 

a) era muito cedo 

b) eu não tinha levado dinheiro 

c) ele tava fechado. 

8) Ao contrário do Rexona, seus glúteos não te abandonam. Concluí que eles fazem um esforço tão grande para ficarem presos ao corpo que chegam a dar uma leve endurecida, tipo de uma gelatina para um pudim. 

9) Estado do cabelo na ida: não olhei. Estado do cabelo na volta: frizz nível Simba. Quase lamentei que não tinha sol pra eu estrear meu boné novo. 

10) Hoje acordei com um dilema: correr ou fazer pudim de laranja. Era muito tarde pra correr despercebida e muito cedo pra acordar os vizinhos com o liquidificador. Prevaleceu o bom senso: farei o pudim em outro momento. 

Bem, vocês devem estar se perguntando porque resolvi publicar esse embaraçoso registro pseudo-esportivo em modo aberto no Google. 

É simples. Todo mundo sabe que quando a gente anuncia que está fazendo uma coisa desafiadora, ela tende a não durar. Assim, não me sinto moralmente obrigada a repetir a experiência, o que pode até funcionar como um boost pra eu criar o hábito de quase morrer umas três vezes por semana. 

Quanto ao pudim, tá na hora de fazer barulho. Estou indecisa entre ele, uma “aipiêi” bem geladinha ou dar banho na cachorra. 

Gente, torçam por mim! 

Voltarei a relatar minhas sábias escolhas em breve. 

Xoxo 

Couch Potato 

A pessoa que causou tudo isso. A da direita, no caso, que comeu demais.

Diário de uma batata de sofá: como tudo começou e a crisálida superalimentada


Bem, eu nasci. Num belo dia de outubro, nos anos 70. Fui uma criança magra por pura falta de dinheiro e excesso de irmãos (dois a mais do que eu desejava), pois se dependesse da minha gula, eu teria sido acometida por obesidade mórbida antes dos 10 anos. 


A Coca-Cola de domingo tinha um litro e era dividida entre 5 pessoas. Bolacha recheada eu só conheci lá pela 4ª série, mas só apareceu na minha casa pela 8ª. Chocolate era um evento; só não tinha Save The Date porque ninguém sabia quando meu pai teria dinheiro para um pedaço de chocolate de 40g na Bomboniére depois do colégio. 

Doces, não havia. Tinha arroz e feijão todo dia, de modo que eu enjoei, mas não tinha alternativa. 

Na adolescência, percebo hoje que fui magra, embora achasse que era excessivamente “suculenta”. 

No final da gravidez, eu pesava o que seria minha atual meta - uns 62kg, mas sem um ser humano na minha barriga. 

Pulamos (metaforicamente, que eu não estou podendo) 21 anos e aqui estou hoje, acima do peso pela segunda vez. 

Da primeira vez, depois dos 30, dei uma encorpada master, de uns 30kg. Criei vergonha na cara e, ao longo de 3 anos, fui perdendo todo o peso por conta própria, com muita paciência, reeducação alimentar e academia nos últimos 10kg. Fiquei uns 10 anos assim. Até que... 

...Dizem que os homens engordam quando entram em um relacionamento. E todo mundo sabe que tenho um cérebro masculino, com um Homer Simpson na cabine de comando me dizendo, “você já está livre do ritual do acasalamento, agora pode liberar geral na Duff & donuts”. O resto você deduz ao perceber que estou uns 15kg acima do peso aceitável. 

Então, vou concluir com um uma crônica familiar: 

Minha sobrinha de 21 anos, minha co-habitante da Loserlândia, é uma criatura excêntrica, criativa, excessivamente inteligente, apaixonante, magra e, principalmente, SEDENTÁRIA. Até eu descobrir, ontem, que ela TRAIU A CAUSA. 

Leio no Facebook dela que começou a jogar vôlei, correr e ter vida social. WHAT? E nosso pacto silencioso de desenvolver diabetes tipo 2 até 2020? 

Tá, vida social e menos crises existenciais eu entendo. Entendo também que ela mora em um condomínio gigante e plano, a uma quadra da praça, com quadras de esportes. Mas ficasse numa caminhada, né? E num esporte solitário e não competitivo. 

Eis minha resposta ao post: 

“Correndo, jogando vôlei, vida social? Só queria dizer que não encerro a amizade aqui mesmo porque teria que te apagar das minhas melhores fotos, e até pra isso tenho preguiça! ‘ Achou que eu ia curtir teus esporte? Achou errado, otário!’” 

Largo o celular e constato que, apesar de fazer um monte de coisa, inclusive ter um casamento bem-sucedido, que dá um trabalho danado, estou na zona de conforto. 

E a zona de conforto está um casulo bem apertado para uma crisálida-superalimentada-de-meia-idade. 

É o caso de fazer um puxadinho no casulo. Ou comer menos. Ou praticar esportes. Ou virar uma eremita solteira e solitária. 

Foi então que resolvi, de pura raiva mesmo... 

...TO BE CONTINUED (after a snack)

Lê o próximo post que você descobre. 


*Batata de sofá é a tradução literal da expressão em inglês couch potato, usada para designar pessoas sedentárias e que assistem muita TV. 

Na foto do antes eu já tava mais "encorpadinha". Na foto do depois, eu tô melhor que agora. Nas duas eu tô FELIZ :)















domingo, 11 de março de 2018

Que tal aceitar que tá tudo bem?

Não sei se você já reparou ou se comete esta besteira também, mas é comum a gente aceitar as desgraças e perrengues da vida com uma certa resignação. Do tipo, damos uma desanimada, sacudimos a poeira, arregaçamos as mangas e fazemos todo o esforço necessário pra superar as porcarias. 

E pior, a gente acha que está incomodando quando pede ajuda, mesmo praquelas pessoas que sempre ajudamos. Não é louco isso? 

É como se a gente fosse programado pra pensar que a vida é passar trabalho. E aprender só na dor. Apenas. 

Mas e o aprender no amor, gente, cadê? Abre um espacinho, aí! 

Outra coisa, que eu acho um pouco pior, e faz apenas uns três anos que aprendi a fazer diferente: quando a vida está ótima, maravilhosa, filme-da-sessão-da-tarde, a gente olha em volta com uma cara desconfiada, que chega a ser ridícula. Escolhe uma aí: 

a) Eu não mereço tudo isso (tadinho, tadinha, pessoa do mal). 

b) Deve ser uma armadilha da vida, pra eu baixar a guarda e a próxima caca me acertar no olho! 

c) Vai passar logo, então vou colocando um colete salva-vidas pra tempestade iminente. 

d) Todas as alternativas anteriores. 

Olha, não sei você, mas eu sou uma pessoa que ajuda. Muito. E que ajuda com boa vontade. Normalmente nem espero a pessoa pedir e já vou jogando a boia pro indivíduo se agarrar, sabe? Coloco meus afazeres de lado, com alegria, e foco na caca alheia. Dou as coordenadas no terreno e convido a uma contemplação do que pode estar por vir. 

Ou só escuto. Ou dou um abraço. Ou choro junto. Porque uma vez ouvi a frase que acho a mais sábia e que rege minha vida, “É melhor ajudar do que precisar de ajuda”. 

Então, pense comigo: que sentido faz a gente não mandar um SOS geral, não pedir colo, não se desmanchar em caquinhos, sabendo que tem tanto amigo/conhecido/parente pra juntar as partes? Que dificuldade é essa? 

E outra, se somos seres “ajudativos”, oferecedores de colo, coladores de cacos alheios com Super Bonder, ouvintes de conversas longas nas horas mais diversas, qual a surpresa da vida ser leve e cheia de coisas boas? 

Quem sabe rola um insight pra você que está lendo isso. Porque dá pra atalhar uns bons anos de terapia com dois simples gestos: 

1) Deixe de ser besta e peça ajuda. Se é melhor ajudar, você está fazendo um bem pro outro, vai por mim. 

2) Largue de ser desconfiado e aprecie que a vida está ótima porque você merece, criatura! 

Se ainda for um pouco complicado, vou mostrar como eu faço, tipo DIY, que é assim: 

A) Situação xexelenta: 

Não hesito em ligar, nem que seja de madrugada, pra alguma amiga ou amigo. Mesmo que a pessoa NEM TENHA DITO “Me ligue a qualquer hora”. Procuro ajuda e pronto, nem fico pensando se atrapalho alguma programação. Já peço logo “Por favor, me escute por horas no telefone e me diga se estou ficando maluca” ou “Jogue uma corda aí, por gentileza, que eu tô no fundo do poço, atolada num metro e meio de excrementos. E não demore, nunca te pedi nada (sempre peço tudo)!” 

B) Situação maravilhantemente ótima: 

“Ai, ai...eu sabia que um dia seria recompensada por tudibom que eu faço (porque também pago a conta pelas besteiras, que são em menor número). Isso aí, vem nimim, filho criado, feliz, com um emprego que paga melhor que o meu! Isso aí, norinha incrível! Isso aí, marido maravilhoso pra uma ótima esposa, depois de quinze anos sozinha! Venham pra cá, tantos amigos que nem consigo contar! Multiplica, que eu mereço!” 

C) Tempo pra digerir os conselhos da tia Madelon. 

Por último, caso você se pergunte se esse negócio de estar com a vida "suave" for só a calmaria antes da tempestade, de minha parte TÔ NEM AÍ!! Adoro surpresas! 

Se eu soubesse o que o dia me reserva, que graça teria levantar da cama? 


D E S C O M P L I Q U E 

C O N F I E 

A P R O V E I T E

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Decisão de Ano Novo

Estava escrevendo o que consegui obter em 2017 e o que tenho como meta em 2018. 

Enchi várias páginas com minhas conquistas, que abrangiam as coisas boas e as ruins. Porque na minha vida, pelo menos, não chove desgraça que eu não tenha pedido. 

Por exemplo, esses “quilinhos” a mais foram adquiridos com trabalho árduo de tentar me tirar felicidade. Embora, é claro, sabendo do meu inconsciente sabotador, eu ainda esteja feliz e disposta a reprogramar os hábitos ruins.

Mas enfim, as metas para 2018 são basicamente o que eu tinha escrito nos últimos anos. Tipo aquele meme que diz que as resoluções de 2018 são cumprir as de 2017.

Aí me perguntei, se estou escrevendo as mesmas coisas dos anos anteriores, será que tive um ano de êxito?

Bom, eu nunca pensei que conseguiria coexistir com outra pessoa sem desenvolver “instintos assassinos” e estou - aleluia! – casada há quase dois anos e achando ótimo. Terminei o ano de trabalho sem estresse, e olha que sou professora!

Sobrevivi ao filho único estando longe pelo terceiro ano consecutivo, mesmo com as notícias nada animadoras sobre Porto Alegre.

Não infartei nas trinta e poucas convulsões da cachorra idosa. Não contraí tétano e não tive um AVC em um ano com um gato filhote. E ainda por cima, não entrei em combustão espontânea com o caos hormonal que atormenta minha existência (física e mental).

Aí lembrei que tem gente que comemora a carteira de motorista ou falar outro idioma, coisas que acho bem fáceis e resolvi celebrar. 

Mas enfim, minha decisão mais importante é a seguinte:

Continuar igual.

Tive um ano em que colhi muitos frutos por ser a pessoa extrovertida, espontânea e sincera que sou. No entanto, no finalzinho do ano, quase duvidei de tudo que eu acreditava, por conta de algumas considerações externas, de pessoas a quem considero muito. 

Depois de muito pensar, voltei às convicções iniciais: quem tem que conviver sempre comigo sou eu. É a mim que tenho que prestar contas do que sou e de como trato os outros. E percebi que, quanto mais livre me sinto de qualquer padrão social, menos entendo o quanto as pessoas precisam deles.

Não entendo um mundo, por exemplo, em que alguém tem que convidar quem não gostaria para uma festa para não ficar chato. Ou tem que fazer festa ou ir a festa por esse motivo.

Não entendo que mulheres possam ainda servir os homens. Não entendo aquele momento em que termina um almoço e as mulheres levantam para lavar a louça, sabe? Também não entendo pessoas que se deixam abusar emocionalmente por familiares.

Não entendo quem reclama do trabalho e não desocupa a vaga para alguém com mais vontade. Não entendo a impossibilidade de terminar relacionamentos insatisfatórios, sabendo que o tempo está escorrendo da ampulheta e nem sabemos quanto nos resta.

Não entendo como as pessoas estacionam em duas vagas e não pensam nos outros. Não entendo quem não separa o lixo do nosso planeta. Nem quem fala de compras e viagens perto de pessoas que ganham um salário ínfimo. Nem quem reclama da vida perto de quem está lutando por ela.

Não entendo a compulsão por limpeza, por reformas e lavagens de calçada (!) até 31 de dezembro, nem as corridas por presentes de Natal. 

Não entendo quem odeia as segundas-feiras.

E assim, inacabado e talvez desconfortável, escolho deixar esse texto. E inicio meu novo ciclo numa terça.

Continuarei intensa para os outros.

Para mim, apenas livre.

Feliz 2018, para quem entende o mundo e para quem promove um mundo diferente.

Feliz Ano Novo para todos nós!

Que tenhamos a capacidade de olhar para outros pontos de vista.

Expandir nossas janelinhas para o mundo.


E habitar, dentro de nós, lugares que tenham só o céu como telhado.

Trilha desse post: No Ceiling, de Eddie Vedder. Do filme Into The Wild.


Pela foto escolhida, deve ser óbvio que ainda não compreendo o mundo, não pertenço ao que chamam de sociedade e não faço a mínima questão.