Não sei se você já reparou ou se comete esta besteira também, mas é comum a gente aceitar as desgraças e perrengues da vida com uma certa resignação. Do tipo, damos uma desanimada, sacudimos a poeira, arregaçamos as mangas e fazemos todo o esforço necessário pra superar as porcarias.
E pior, a gente acha que está incomodando quando pede ajuda, mesmo praquelas pessoas que sempre ajudamos. Não é louco isso?
É como se a gente fosse programado pra pensar que a vida é passar trabalho. E aprender só na dor. Apenas.
Mas e o aprender no amor, gente, cadê? Abre um espacinho, aí!
Outra coisa, que eu acho um pouco pior, e faz apenas uns três anos que aprendi a fazer diferente: quando a vida está ótima, maravilhosa, filme-da-sessão-da-tarde, a gente olha em volta com uma cara desconfiada, que chega a ser ridícula. Escolhe uma aí:
a) Eu não mereço tudo isso (tadinho, tadinha, pessoa do mal).
b) Deve ser uma armadilha da vida, pra eu baixar a guarda e a próxima caca me acertar no olho!
c) Vai passar logo, então vou colocando um colete salva-vidas pra tempestade iminente.
d) Todas as alternativas anteriores.
Olha, não sei você, mas eu sou uma pessoa que ajuda. Muito. E que ajuda com boa vontade. Normalmente nem espero a pessoa pedir e já vou jogando a boia pro indivíduo se agarrar, sabe? Coloco meus afazeres de lado, com alegria, e foco na caca alheia. Dou as coordenadas no terreno e convido a uma contemplação do que pode estar por vir.
Ou só escuto. Ou dou um abraço. Ou choro junto. Porque uma vez ouvi a frase que acho a mais sábia e que rege minha vida, “É melhor ajudar do que precisar de ajuda”.
Então, pense comigo: que sentido faz a gente não mandar um SOS geral, não pedir colo, não se desmanchar em caquinhos, sabendo que tem tanto amigo/conhecido/parente pra juntar as partes? Que dificuldade é essa?
E outra, se somos seres “ajudativos”, oferecedores de colo, coladores de cacos alheios com Super Bonder, ouvintes de conversas longas nas horas mais diversas, qual a surpresa da vida ser leve e cheia de coisas boas?
Quem sabe rola um insight pra você que está lendo isso. Porque dá pra atalhar uns bons anos de terapia com dois simples gestos:
1) Deixe de ser besta e peça ajuda. Se é melhor ajudar, você está fazendo um bem pro outro, vai por mim.
2) Largue de ser desconfiado e aprecie que a vida está ótima porque você merece, criatura!
Se ainda for um pouco complicado, vou mostrar como eu faço, tipo DIY, que é assim:
A) Situação xexelenta:
Não hesito em ligar, nem que seja de madrugada, pra alguma amiga ou amigo. Mesmo que a pessoa NEM TENHA DITO “Me ligue a qualquer hora”. Procuro ajuda e pronto, nem fico pensando se atrapalho alguma programação. Já peço logo “Por favor, me escute por horas no telefone e me diga se estou ficando maluca” ou “Jogue uma corda aí, por gentileza, que eu tô no fundo do poço, atolada num metro e meio de excrementos. E não demore, nunca te pedi nada (sempre peço tudo)!”
B) Situação maravilhantemente ótima:
“Ai, ai...eu sabia que um dia seria recompensada por tudibom que eu faço (porque também pago a conta pelas besteiras, que são em menor número). Isso aí, vem nimim, filho criado, feliz, com um emprego que paga melhor que o meu! Isso aí, norinha incrível! Isso aí, marido maravilhoso pra uma ótima esposa, depois de quinze anos sozinha! Venham pra cá, tantos amigos que nem consigo contar! Multiplica, que eu mereço!”
C) Tempo pra digerir os conselhos da tia Madelon.
Por último, caso você se pergunte se esse negócio de estar com a vida "suave" for só a calmaria antes da tempestade, de minha parte TÔ NEM AÍ!! Adoro surpresas!
Se eu soubesse o que o dia me reserva, que graça teria levantar da cama?
D E S C O M P L I Q U E
C O N F I E
A P R O V E I T E
