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sábado, 26 de outubro de 2013

"Como é que ela consegue???"



Tenho duas habilidades excepcionais. Sou extremamente flexível e consigo dormir em qualquer lugar

E como a segunda é mais notada e embaraçosa, é dela que vou falar.

Bom, não é segredo que não gosto muito de dormir. Durmo o necessário e adoro iniciar o dia de madrugada, pelas 4 ou 5h, para aproveitar bem. Mas aí chega uma hora que os motores começam a parar. Geralmente depois do almoço (também, 500g de boia pesada...) é fatal. E procuro ficar no trabalho para corrigir coisas e preparar aula, mas tem uma hora que...capuft!

Aí nem pego o travesseirinho que tenho no meu armário, que não dá tempo. Me recosto de algum jeito em cima da mesa dos profes e já estou abraçada no Morfeu. Faz uns 3 anos que faço isso, mas no meio do meu coma profundo, ainda escuto, “Como é que ela consegue?”.

Escuto isso da Índia, de uma trilha na floresta, de um papo com o Ian Somerhalder, Matt Damon, James Hetfield, que é onde meu cérebro está naquele momento. Não consigo responder por uns 10 a 15 minutos, mesmo quando escuto, “Vamos amarrar os tênis dela um no outro”, para vocês verem que queridos os coleguinhas.

Desenvolvi tecnologias de recostar em cima da bolsa sem amassar as bananas que levo lá dentro. De me debruçar na mão sem carimbar na testa as anotações que ficam lá. E sem ficar com a marca do anel na bochecha. Sem babar e nem deixar escapar um ronco. Sem ficar com torcicolo ou dor na cervical.

E acordo renovada, como se nada tivesse acontecido.

Já dormi em pé quando meu filho era pequeno. No banco do pátio depois do almoço. Na garagem, reunindo forças para carregar as compras para cima. Em minha própria festa. No sofá (maravilha!) da sala dos profes da outra escola. Dormi recentemente no caixa do supermercado. E numa roda de conversa com amigos, mas bem que pedi uma poltrona confortável antes, aí já era!

Acho que vou escrever um manual para quem sofre de insônia ou um pouco de vergonha na cara de dormir em lugares públicos. Não sei quem compraria, mas me sinto na obrigação de dar essa contribuição para a humanidade.

E era isso, gente, vou parar de esnobar meus cochilos. E tirar o pé que coloquei atrás do pescoço para dar uma alongada.

Tá, não chegou beeem na nuca, só na metade de trás da cabeça.

Devo estar enferrujada de tantas sonecas.

Minha filha mais nova me representando na modalidade cochilo diurno

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