Dentre todas as coisas que a internet
e a o Facebook nos proporcionam, nada é de tão fundamental importância
para mim quanto a página Humans Of New York (HONY).
Brandon Stanton é o fotógrafo/repórter por trás das imagens
de nova-iorquinos que contam alguma história, curta ou longa, ou de fotos com
alguma legenda breve e significativa. O que há de especial na página não é que
as pessoas sejam ou contem coisas extraordinárias, mas talvez o contrário: o
quanto podemos nos identificar com esses humanos de aparências e histórias tão
diversas.
Particularmente, me sinto tocada tanto pelas histórias tristes quanto
por alguma legenda divertida. Diria que a página é uma janela para a
diversidade humana. Mas isso até cerca de dois meses.
Foi quando Stanton aventurou-se em uma viagem ao Paquistão
e fotografou uma série de pessoas que deram seu depoimento sobre as
dificuldades e as alegrias de viver nesse território, que até então eu
enxergava por uma janelinha miúda e estereotipada na mídia.
Humans Of New York colocou na vitrine, sem interesses
políticos ou econômicos, a vida
de pessoas até então muito mais distantes, ao menos para mim, do que os de Nova
Iorque. E assim ele fez também em uma tocante viagem ao Irã.
Documentados os humanos do Irã, surgiu uma nova “missão”
para a página, talvez despertada pela repercussão no mundo todo da foto do menino
sírio de bruços na praia da Turquia, vítima de uma tentativa desesperada de sua
família de fugir em condições precárias de uma situação que ameaça o direito
mais básico do ser humano: o direito à vida.
Humans of New York esteve na Grécia e em outros países
europeus por cerca de duas semanas, documentando as histórias mais inimagináveis
de sobreviventes da emigração da guerra civil da Síria para a Europa, cruzando
o mar em botes de plástico superlotados no meio da noite para evitar a
vigilância.
Para pagar aos smugglers (contrabandistas de pessoas, nesse
caso), alguns chegam a trabalhar quinze horas por dia por mais de um ano, ou
vender tudo que possuem. Outros não têm a chance de se despedir dos familiares. E a maioria, ao deparar-se com a embarcação rudimentar e superlotada que os levaria
à liberdade, entram em desespero. Mas diante da recusa dos smugglers em
devolverem seu dinheiro, acabam partindo, muitas vezes rumo à morte por
afogamento na escuridão do mar noturno.
Muitas histórias têm um final esperançoso e de alívio.
Outras, nem tanto. Mas todas valem a leitura.
Talvez quem já tenha lido este blog esteja se perguntando o porquê
de eu recomendar Humans Of New York justamente agora, com essas histórias de
partir o coração, já que geralmente publico textos mais leves ou engraçados.
Bem, digamos que não só criamos novas maneiras de enxergar
nossos próprios sofrimentos quando nos deparamos com outras realidades como reafirmamos nossa fé nas milhares de pessoas empenhadas em ajudar os
imigrantes em sua busca por uma vida melhor. Esses também estão retratados no
projeto de Brandon Stanton, que a meu ver, ainda receberá vários prêmios por
sua contribuição a nível mundial.
E caso você se interesse pelo projeto e seu inglês não
esteja tão afiado, sugiro pedir ajuda a algum conhecido ou mesmo usar recursos
de tradução, pois vale a pena.
Ainda, é reconfortante ler os milhões (literalmente) de
comentários de solidariedade de pessoas do mundo todo para com a situação,
especialmente de gregos que mudaram seu ponto de vista ao saberem das histórias
de alguns rostos nas multidões que "brotam" em suas praias.
Para encerrar com uma ideia do que o projeto ilustra, um comentário em um post diz que
ninguém coloca o filho em um barco a menos que seja mais seguro do que a vida
que deixam em terra.
Que possamos, nós humanos de bem, agradecer por estarmos em
terras seguras, com alimento e um teto sobre nossas cabeças. Ou navegar em
direção a terras seguras. Ou estender a mão àqueles que não contam com isso.
Mas sobretudo que, diante de tanta violência imposta pelo
homem sobre o próprio homem, ainda possamos enxergar a solidariedade, a
esperança e a resiliência como os maiores triunfos dos humanos do pálido ponto azul, nosso único planeta Terra.
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| A história de Muhammad, com um desfecho de aquecer o coração: a solidariedade de um desconhecido e o recomeço na Áustria |
