Situação: Pokémon Go acaba de ser lançado no Brasil e gera
uma controvérsia sem precedentes. Já há algum tempo em uso em outros países,
tenho visto notícias bizarras e outras engraçadas sobre os incidentes que o
jogo pode ocasionar.
Para ser sincera, ouvia opiniões divididas quanto ao
Facebook e sempre pensei que dependia do quanto e de como as pessoas usavam.
Mas
opinião, cada um tem a sua, baseada no seu ponto de vista da realidade, que,
lógico, é sempre correto - não é mesmo?
Dito isso, entremos no assunto inicial, o Pokémon Go. Conheço
dezenas de pessoas alienadas, preguiçosas e ignorantes que jogam.
Conheço
também dezenas de pessoas inteligentíssimas, comunicativas, articuladas, que
gostam da proposta de diversão do jogo e estão jogando. E aí, juízes, quem está certo?
Considerações pessoais:
1) Quem sou eu para julgar como os outros se
divertem? Até porque tiro um tempo quase todos os dias para ficar com o
traseiro achatado, dentro de casa, lendo (dentre outras coisas) distrações
irrelevantes no Facebook.
2) Quem é você, que faz o mesmo que eu disse, para
achar que os outros têm que se divertir da maneira que você acha conveniente?
3) Qual a impossibilidade de uma pessoa ser
inteligente, produtiva, cult, nerd ou “whatever” e gostar de se passar o tempo com um
game baseado em realidade aumentada?
4) Você chegou a reparar nas pessoas com celulares
nos últimos dias? Vi muitas que antes ficavam mudas uma do lado da outra e que
agora pelo menos interagem, dão risada e trocam ideias em torno dessa
atividade, além de caminharem pela cidade bem mais que antes.
5) Você leu algo sobre pessoas deprimidas que
resolveram sair de casa e estão pegando sol e se animando um pouco em capturar, sim, Pokémons?
6) No seu tempo livre, você cultiva uma atividade
chamada acomodar os glúteos na poltrona para tomar chimarrão e trocar informações
sobre quem se separou, quem perdeu o emprego, quanto custou a festa de 15 anos
da fulana? E o que sua faxineira/sua sogra/seu marido fez de errado essa
semana? E o jogo de futebol e quantas cervejas você tomou? Parou para pensar
que os “acéfalos" que usam Pokémon Go podem achar isso, no mínimo, o
cúmulo do ridículo?
7) Qual a relevância da variedade de Pokemóns,
pokestops, arenas e o que for, para sua evolução como ser
humano?
8) Qual a relevância das palavras matte, nerfar, ombré,
nube, boho ou mitar para sua evolução como ser humano?
9) Qual a relevância das nossas selfies e das poses dos nossos animais de estimação para as
outras pessoas?
10) Já há uma proposta concreta em separar o mundo em dois polos: os Pokédiotas e os fiscais da diversão alheia?
Enfim, dentre aqueles que
criticam com tanta convicção o jogo, relacionando essa era à frase de
Einstein sobre uma geração de idiotas, bem...
...me pergunto se no cerne dessa crítica não está o mesmo pensamento hermético que gera a intolerância e a falta de empatia com o quão diferente
o outro pode pensar de nós. E falta de empatia não é o mal da
humanidade?
E por último, informo que não baixei o Pokémon Go. Mas adoro
capturar vídeos engraçados ou fofos e postar foto de tudo que cozinho no FB.
Pronto, me julguem, go!
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