Postagens populares

domingo, 6 de maio de 2018

Diário de uma batata de sofá: como tudo começou e a crisálida superalimentada


Bem, eu nasci. Num belo dia de outubro, nos anos 70. Fui uma criança magra por pura falta de dinheiro e excesso de irmãos (dois a mais do que eu desejava), pois se dependesse da minha gula, eu teria sido acometida por obesidade mórbida antes dos 10 anos. 


A Coca-Cola de domingo tinha um litro e era dividida entre 5 pessoas. Bolacha recheada eu só conheci lá pela 4ª série, mas só apareceu na minha casa pela 8ª. Chocolate era um evento; só não tinha Save The Date porque ninguém sabia quando meu pai teria dinheiro para um pedaço de chocolate de 40g na Bomboniére depois do colégio. 

Doces, não havia. Tinha arroz e feijão todo dia, de modo que eu enjoei, mas não tinha alternativa. 

Na adolescência, percebo hoje que fui magra, embora achasse que era excessivamente “suculenta”. 

No final da gravidez, eu pesava o que seria minha atual meta - uns 62kg, mas sem um ser humano na minha barriga. 

Pulamos (metaforicamente, que eu não estou podendo) 21 anos e aqui estou hoje, acima do peso pela segunda vez. 

Da primeira vez, depois dos 30, dei uma encorpada master, de uns 30kg. Criei vergonha na cara e, ao longo de 3 anos, fui perdendo todo o peso por conta própria, com muita paciência, reeducação alimentar e academia nos últimos 10kg. Fiquei uns 10 anos assim. Até que... 

...Dizem que os homens engordam quando entram em um relacionamento. E todo mundo sabe que tenho um cérebro masculino, com um Homer Simpson na cabine de comando me dizendo, “você já está livre do ritual do acasalamento, agora pode liberar geral na Duff & donuts”. O resto você deduz ao perceber que estou uns 15kg acima do peso aceitável. 

Então, vou concluir com um uma crônica familiar: 

Minha sobrinha de 21 anos, minha co-habitante da Loserlândia, é uma criatura excêntrica, criativa, excessivamente inteligente, apaixonante, magra e, principalmente, SEDENTÁRIA. Até eu descobrir, ontem, que ela TRAIU A CAUSA. 

Leio no Facebook dela que começou a jogar vôlei, correr e ter vida social. WHAT? E nosso pacto silencioso de desenvolver diabetes tipo 2 até 2020? 

Tá, vida social e menos crises existenciais eu entendo. Entendo também que ela mora em um condomínio gigante e plano, a uma quadra da praça, com quadras de esportes. Mas ficasse numa caminhada, né? E num esporte solitário e não competitivo. 

Eis minha resposta ao post: 

“Correndo, jogando vôlei, vida social? Só queria dizer que não encerro a amizade aqui mesmo porque teria que te apagar das minhas melhores fotos, e até pra isso tenho preguiça! ‘ Achou que eu ia curtir teus esporte? Achou errado, otário!’” 

Largo o celular e constato que, apesar de fazer um monte de coisa, inclusive ter um casamento bem-sucedido, que dá um trabalho danado, estou na zona de conforto. 

E a zona de conforto está um casulo bem apertado para uma crisálida-superalimentada-de-meia-idade. 

É o caso de fazer um puxadinho no casulo. Ou comer menos. Ou praticar esportes. Ou virar uma eremita solteira e solitária. 

Foi então que resolvi, de pura raiva mesmo... 

...TO BE CONTINUED (after a snack)

Lê o próximo post que você descobre. 


*Batata de sofá é a tradução literal da expressão em inglês couch potato, usada para designar pessoas sedentárias e que assistem muita TV. 

Na foto do antes eu já tava mais "encorpadinha". Na foto do depois, eu tô melhor que agora. Nas duas eu tô FELIZ :)















Nenhum comentário:

Postar um comentário