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terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Decisão de Ano Novo

Estava escrevendo o que consegui obter em 2017 e o que tenho como meta em 2018. 

Enchi várias páginas com minhas conquistas, que abrangiam as coisas boas e as ruins. Porque na minha vida, pelo menos, não chove desgraça que eu não tenha pedido. 

Por exemplo, esses “quilinhos” a mais foram adquiridos com trabalho árduo de tentar me tirar felicidade. Embora, é claro, sabendo do meu inconsciente sabotador, eu ainda esteja feliz e disposta a reprogramar os hábitos ruins.

Mas enfim, as metas para 2018 são basicamente o que eu tinha escrito nos últimos anos. Tipo aquele meme que diz que as resoluções de 2018 são cumprir as de 2017.

Aí me perguntei, se estou escrevendo as mesmas coisas dos anos anteriores, será que tive um ano de êxito?

Bom, eu nunca pensei que conseguiria coexistir com outra pessoa sem desenvolver “instintos assassinos” e estou - aleluia! – casada há quase dois anos e achando ótimo. Terminei o ano de trabalho sem estresse, e olha que sou professora!

Sobrevivi ao filho único estando longe pelo terceiro ano consecutivo, mesmo com as notícias nada animadoras sobre Porto Alegre.

Não infartei nas trinta e poucas convulsões da cachorra idosa. Não contraí tétano e não tive um AVC em um ano com um gato filhote. E ainda por cima, não entrei em combustão espontânea com o caos hormonal que atormenta minha existência (física e mental).

Aí lembrei que tem gente que comemora a carteira de motorista ou falar outro idioma, coisas que acho bem fáceis e resolvi celebrar. 

Mas enfim, minha decisão mais importante é a seguinte:

Continuar igual.

Tive um ano em que colhi muitos frutos por ser a pessoa extrovertida, espontânea e sincera que sou. No entanto, no finalzinho do ano, quase duvidei de tudo que eu acreditava, por conta de algumas considerações externas, de pessoas a quem considero muito. 

Depois de muito pensar, voltei às convicções iniciais: quem tem que conviver sempre comigo sou eu. É a mim que tenho que prestar contas do que sou e de como trato os outros. E percebi que, quanto mais livre me sinto de qualquer padrão social, menos entendo o quanto as pessoas precisam deles.

Não entendo um mundo, por exemplo, em que alguém tem que convidar quem não gostaria para uma festa para não ficar chato. Ou tem que fazer festa ou ir a festa por esse motivo.

Não entendo que mulheres possam ainda servir os homens. Não entendo aquele momento em que termina um almoço e as mulheres levantam para lavar a louça, sabe? Também não entendo pessoas que se deixam abusar emocionalmente por familiares.

Não entendo quem reclama do trabalho e não desocupa a vaga para alguém com mais vontade. Não entendo a impossibilidade de terminar relacionamentos insatisfatórios, sabendo que o tempo está escorrendo da ampulheta e nem sabemos quanto nos resta.

Não entendo como as pessoas estacionam em duas vagas e não pensam nos outros. Não entendo quem não separa o lixo do nosso planeta. Nem quem fala de compras e viagens perto de pessoas que ganham um salário ínfimo. Nem quem reclama da vida perto de quem está lutando por ela.

Não entendo a compulsão por limpeza, por reformas e lavagens de calçada (!) até 31 de dezembro, nem as corridas por presentes de Natal. 

Não entendo quem odeia as segundas-feiras.

E assim, inacabado e talvez desconfortável, escolho deixar esse texto. E inicio meu novo ciclo numa terça.

Continuarei intensa para os outros.

Para mim, apenas livre.

Feliz 2018, para quem entende o mundo e para quem promove um mundo diferente.

Feliz Ano Novo para todos nós!

Que tenhamos a capacidade de olhar para outros pontos de vista.

Expandir nossas janelinhas para o mundo.


E habitar, dentro de nós, lugares que tenham só o céu como telhado.

Trilha desse post: No Ceiling, de Eddie Vedder. Do filme Into The Wild.


Pela foto escolhida, deve ser óbvio que ainda não compreendo o mundo, não pertenço ao que chamam de sociedade e não faço a mínima questão.

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