Estava escrevendo o que consegui obter em 2017 e o que tenho como
meta em 2018.
Enchi várias páginas com minhas conquistas, que abrangiam as
coisas boas e as ruins. Porque na minha vida, pelo menos, não chove desgraça
que eu não tenha pedido.
Por exemplo, esses “quilinhos” a mais foram adquiridos
com trabalho árduo de tentar me tirar felicidade. Embora, é claro, sabendo do
meu inconsciente sabotador, eu ainda esteja feliz e disposta a reprogramar os hábitos ruins.
Mas enfim, as metas para 2018 são basicamente o que eu
tinha escrito nos últimos anos. Tipo aquele meme que diz que as resoluções de
2018 são cumprir as de 2017.
Aí me perguntei, se estou escrevendo as mesmas coisas dos anos anteriores, será que tive um ano de êxito?
Bom, eu nunca pensei que conseguiria coexistir
com outra pessoa sem desenvolver “instintos assassinos” e estou - aleluia! – casada há
quase dois anos e achando ótimo. Terminei o ano de trabalho sem estresse, e olha que sou professora!
Sobrevivi ao filho único estando longe pelo terceiro ano consecutivo, mesmo com as notícias nada animadoras sobre Porto Alegre.
Não infartei nas trinta e poucas convulsões da cachorra
idosa. Não contraí tétano e não tive um AVC em um ano com um gato filhote. E ainda por cima, não entrei em combustão espontânea com o caos
hormonal que atormenta minha existência (física e mental).
Aí lembrei que tem gente que comemora a carteira de motorista ou falar outro idioma, coisas que acho bem fáceis e resolvi celebrar.
Mas enfim, minha decisão mais importante é a seguinte:
Continuar igual.
Tive um ano em que colhi muitos frutos por ser a pessoa
extrovertida, espontânea e sincera que sou. No entanto, no finalzinho do ano,
quase duvidei de tudo que eu acreditava, por conta de algumas considerações
externas, de pessoas a quem considero muito.
Depois de muito pensar, voltei
às convicções iniciais: quem tem que conviver sempre comigo sou eu. É a mim que
tenho que prestar contas do que sou e de como trato os outros. E percebi que,
quanto mais livre me sinto de qualquer padrão social, menos entendo o quanto as
pessoas precisam deles.
Não entendo um mundo, por exemplo, em que alguém tem que
convidar quem não gostaria para uma festa para não ficar chato. Ou tem que fazer
festa ou ir a festa por esse motivo.
Não entendo que mulheres possam ainda servir os homens. Não
entendo aquele momento em que termina um almoço e as mulheres levantam para
lavar a louça, sabe? Também não entendo pessoas que se deixam abusar
emocionalmente por familiares.
Não entendo quem reclama do trabalho e não desocupa a vaga
para alguém com mais vontade. Não entendo a impossibilidade de terminar relacionamentos
insatisfatórios, sabendo que o tempo está escorrendo da ampulheta e nem sabemos
quanto nos resta.
Não entendo como as pessoas estacionam em duas vagas e não
pensam nos outros. Não entendo quem não separa o lixo do nosso planeta. Nem
quem fala de compras e viagens perto de pessoas que ganham um salário ínfimo. Nem
quem reclama da vida perto de quem está lutando por ela.
Não entendo a compulsão por limpeza, por reformas e lavagens
de calçada (!) até 31 de dezembro, nem as corridas por presentes de Natal.
Não
entendo quem odeia as segundas-feiras.
E assim, inacabado e talvez desconfortável, escolho deixar
esse texto. E inicio meu novo ciclo numa terça.
Continuarei intensa para os outros.
Para mim, apenas livre.
Feliz 2018, para quem entende o mundo e para quem promove um
mundo diferente.
Feliz Ano Novo para todos nós!
Que tenhamos a capacidade de olhar para outros pontos de
vista.
Expandir nossas janelinhas para o mundo.
E habitar, dentro de nós, lugares que tenham só o céu como telhado.
Trilha desse post: No Ceiling, de Eddie Vedder. Do filme Into The Wild.
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| Pela foto escolhida, deve ser óbvio que ainda não compreendo o mundo, não pertenço ao que chamam de sociedade e não faço a mínima questão. |

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