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domingo, 10 de novembro de 2013

“Você vem sempre aqui?"

A conversa começou bem clichê, mas ela resolveu dar sequência, estava sem fazer nada mesmo.

- Sim. Trabalho por aqui. E você?

- Eu venho raramente. Me chamam geralmente nos finais de semana. E você, faz o quê?

- Sou auxiliar de uma culinarista.  Sabe, agora ninguém quer ser chamada de cozinheira, mas também não quer se intitular chef.

- Faz sentido (ele sorriu e deu uma piscadinha)

- E você, o que faz?

- Tenta adivinhar.

- Diria que tem jeito de personal trainer, assim meio robusto.

- É por aí mesmo. Dou uma assistência pra mulherada, principalmente.

- Ah... (cara de tímida)

- Ah...? Quer me dizer alguma coisa, mocinha? Pode se abrir, não precisa ficar envergonhada não.

- É que...eu vi você nas férias passadas, conversando com minhas colegas...

- Pode ser. Como digo, venho bastante aqui, a trabalho. Mas e aí? Me conta.

- É que elas tinham um brilho todo especial quando estavam se despedindo de você...aí...

- Sim?...

- Aí pensei...sabe, né....ando meio...sabe...minha patroa não dá folga, precisa de mim todo final de semana, acabo ficando assim, meio...

- Carente?

- Não. Só me sentindo usada. Deve dar pra ver na minha aparência.

- Bem, você realmente me parece um pouco, digamos, cansada.

- Viu? Todo mundo nota... (cara de triste)

- Pode ser sincera comigo, quer que eu lhe dê uma “esfregada”? É minha especialidade.

- Como? (cara de espanto)

- Isso mesmo? Está a fim?

- Mas...não sei....será?...você faria isso por mim?

- Gata, é disso que eu vivo. De dar umas renovada nessas auxiliares de culinarista, como você diz.

- Agora?

- Já!

Cinco minutos depois...

- Uau!! Você é bom mesmo!!

- Bom, dizem que eu sei agradar.

- Nossa, voltei a ter aquele brilho, estou me sentindo radiante.

- Verdade, você tá ótima! Eu é que fiquei acabadaço. Mas me desculpa, estão me chamando. Tenho que ir.

- Fique à vontade....você volta outro dia?

- Nas férias, gata, nas férias. É a demanda da mulherada. Se cuida!

- Tá bem, então. Até mais. E obrigada.

Ele ainda deu uma piscadinha na saída. Mas logo foi impiedosamente descartado. Estava imprestável, não dava mais para o serviço.

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Esse diálogo aconteceu ontem. Na minha cozinha.

A panela ficou brilhando. O BomBril, joguei no lixo.

Aqui as coisas conversam. A maionese e o ketchup tramam de sabotar minha dieta. As chaves e o celular fogem e ficam rindo pelos cantinhos.

Imaginação fértil?

É a sua, que leu o texto pensando em outra coisa.



"Requentada" e editada das minhas notas de 10 de fevereiro.

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