A conversa começou bem clichê, mas ela resolveu dar sequência, estava sem fazer nada mesmo.
- Sim. Trabalho por aqui. E você?
- Eu venho raramente. Me chamam geralmente nos finais de semana. E você, faz o quê?
- Sou auxiliar de uma culinarista. Sabe, agora ninguém quer ser chamada de cozinheira, mas também não quer se intitular chef.
- Faz sentido (ele sorriu e deu uma piscadinha)
- E você, o que faz?
- Tenta adivinhar.
- Diria que tem jeito de personal trainer, assim meio robusto.
- É por aí mesmo. Dou uma assistência pra mulherada, principalmente.
- Ah... (cara de tímida)
- Ah...? Quer me dizer alguma coisa, mocinha? Pode se abrir, não precisa ficar envergonhada não.
- É que...eu vi você nas férias passadas, conversando com minhas colegas...
- Pode ser. Como digo, venho bastante aqui, a trabalho. Mas e aí? Me conta.
- É que elas tinham um brilho todo especial quando estavam se despedindo de você...aí...
- Sim?...
- Aí pensei...sabe, né....ando meio...sabe...minha patroa não dá folga, precisa de mim todo final de semana, acabo ficando assim, meio...
- Carente?
- Não. Só me sentindo usada. Deve dar pra ver na minha aparência.
- Bem, você realmente me parece um pouco, digamos, cansada.
- Viu? Todo mundo nota... (cara de triste)
- Pode ser sincera comigo, quer que eu lhe dê uma “esfregada”? É minha especialidade.
- Como? (cara de espanto)
- Isso mesmo? Está a fim?
- Mas...não sei....será?...você faria isso por mim?
- Gata, é disso que eu vivo. De dar umas renovada nessas auxiliares de culinarista, como você diz.
- Agora?
- Já!
Cinco minutos depois...
- Uau!! Você é bom mesmo!!
- Bom, dizem que eu sei agradar.
- Nossa, voltei a ter aquele brilho, estou me sentindo radiante.
- Verdade, você tá ótima! Eu é que fiquei acabadaço. Mas me desculpa, estão me chamando. Tenho que ir.
- Fique à vontade....você volta outro dia?
- Nas férias, gata, nas férias. É a demanda da mulherada. Se cuida!
- Tá bem, então. Até mais. E obrigada.
Ele ainda deu uma piscadinha na saída. Mas logo foi impiedosamente descartado. Estava imprestável, não dava mais para o serviço.
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Esse diálogo aconteceu ontem. Na minha cozinha.
A panela ficou brilhando. O BomBril, joguei no lixo.
Aqui as coisas conversam. A maionese e o ketchup tramam de sabotar minha dieta. As chaves e o celular fogem e ficam rindo pelos cantinhos.
Imaginação fértil?
É a sua, que leu o texto pensando em outra coisa.
"Requentada" e editada das minhas notas de 10 de fevereiro.

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