Postagens populares

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

No tempo das claras em neve



Recebi uma receita de bolo ontem, toda caprichada, com desenhinho e modo de fazer. E a aluna que me deu disse que seu bolo fica tão fofinho porque ela bate as claras em neve. Demonstrou com as mãos, assim ó, como misturar elas na massa.

Claro que não tinha o verbo “tacar”, que é como explico as minhas receitas apressadas de hoje em dia. Escrevo elas para os amigos com o mesmo capricho da Eduarda. 

Desenho umas laranjinhas e levo o bolo em si, com guardanapo em cima. Mas faço bolos no improviso, jogando tudo na batedeira ou liquidificador. 
 
E mais surpreendente do que darem certo é eu insistir em fazê-los, mesmo que só para mim. Tenho cuidado comigo, já que eu mereço, sabe? 

Mas aí fiquei lembrando de quando eu separava os ovos e batia as claras em neve.Os tempos mudaram. Mas ah!...o tempo das claras em neve!...

Não tenho saudade não, viu?

Meu perfeccionismo sempre foi um problema. 

Entregar os trabalhos da faculdade de arquitetura, era um parto com fórceps, trigêmeos no tempo das claras em neve. Tudo ficava assim, tão perfeitinho, tão pela metadezinha...como o próprio curso, thank God! 

Faz pouco que aprendi a direcionar meu perfeccionismo para as coisas mais visíveis e úteis em vez de detalhes imbecilmente irrelevantes.

Digamos que hoje em dia tenho mais paciência com as pessoas do que com as claras em neve. Se elas soubessem o quanto me esforço (as pessoas, não as claras) iam dizer, “continue assim!”

No tempo das claras em neve os bolos ficavam mais fofinhos e leves e minha vida, mais pesada. No tempo de tacar tudo no liquidificador, vivo com mais leveza, e cuido pra não ficar fofinha.

É claro que nem tudo dá para fazer de qualquer jeito, mas guardo as delicadeza das claras para os pães de ló das minhas tortas. Peneiro a farinha, asso com cuidado, capricho no recheio e na decoração. E faço só para os que eu amo. De paixão.

Recebo muitos elogios, dizem que faço tortas incríveis.

Mas incríveis mesmo, gente, são meus bolos enjambrados e anônimos, tão deliciosos e sem lactose. 

Esses sim são a prova de que a vida precisa de uns improvisos e mudanças para funcionar melhor. 

Ah, e de que intolerância à lactose é sempre melhor do que diabetes. 

Não dá pra reclamar, né, Rafa?...hehe
Esta foi pros meus alunos.

Nenhum comentário:

Postar um comentário