Sobre um filme. Relações virtuais. Uma sonda espacial e seu
conteúdo, que o físico Carl Sagan ajudou a selecionar para representar a nós.
Sobre
a Terra e o que nela está contido, assim inicio:
É sábado. Vou à locadora em busca de algo denso e
significativo para iniciar a maratona de filmes das férias. Diante de mim, um
título dirigido por Jason Reitman, o mesmo do brilhante indie movie Juno, de 2007. O título, Homens, Mulheres e Crianças, traduzido
literalmente do inglês, não é nada atraente, mas leio a sinopse e vou pelo
elenco e diretor.
Que agradável surpresa!
O filme trata das relações humanas em tempos virtuais, de
maneira sensível e visualmente inovadora, com a interface do que os personagens
visualizam em seus computadores, celulares e afins na tela, ao lado deles.
É como se tivéssemos uma visão sobre seus pensamentos: a mãe
superprotetora que controla cada acesso da filha a cada recurso. O pai que não
consegue lidar sozinho com o filho após ambos serem abandonados por sua esposa.
A mãe que explora a beleza da filha e quase sabota o futuro de ambas. O casal
que usa de subterfúgios para evitar um ao outro e que acaba justamente se
reencontrando dessa forma. O menino popular que descobre que a primeira vez com
uma garota é bem diferente dos vídeos que costuma assistir online.
E por fim, o
garoto que encara o abandono deixando de lado o esporte, os amigos e a si mesmo,
em um avatar em jogo de RPG. Segundo
ele, sua existência é irrelevante para o universo, o que sustenta com as
afirmações de Carl Sagan sobre os registros de nosso planeta feitos pela sonda
Voyager no limite do sistema solar, apontando a Terra como um pálido e
minúsculo ponto azul.
Sem maiores detalhes, recomendo o filme aos seres
pensantes em geral, adolescentes ou adultos de qualquer idade. Os extras são imperdíveis,
com o diretor discutindo algumas metáforas que tinham me passado despercebidas
e com comentários de todo o elenco, de variadas idades e opiniões sobre essa
nova era em que vivemos.
De todos os comentários, o da atriz Jennifer Garner resumiu
o que buscamos, ainda que às vezes de equivocadamente, com equipamentos que nos
distanciam de quem está a centímetros de distância: buscamos contato.
No encerramento do filme, narrado pela atriz Emma Thompson, o texto de Carl Sagan é esclarecedor
para os leigos, como eu, permitindo uma visão mais ampla do que a mostrada pelo
personagem Tim.
Resumindo (com meus sentimentos), Sagan diz que a Terra, de
longe um pálido ponto azul, é nosso lar, o único que tivemos e teremos,
desafiando nosso delírio de posição privilegiada no universo. Para ele, no
entanto, nossa pequenez no universo e nosso “confinamento” a apenas este espaço
habitável enfatizam nossa necessidade de tratá-lo com mais respeito e de sermos
mais gentis uns com os outros.
Mais gentis uns com os outros.
Relacionamentos.
Proximidade.
O filme.
Contato.
Dentre os registros de nosso planeta, levados ao espaço
interestelar pela Voyager, estão compiladas em um disco revestido de ouro 115
imagens, sons da natureza e animais, saudações em 55 línguas, uma seleção de
músicas que inclui Mozart, e mais alguns ícones, conforme o site da NASA.
De todos os registros do golden
record, como é chamado, o que mais representa nossa busca, em minha ínfima e
singela opinião, é bastante simples:
O som de um beijo.
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| "Para criaturas pequenas como nós, a imensidão só é suportável através do amor" Carl Sagan (1934 - 1996) |

Demais! Demais! Fiquei sem saber o que dizer. !!!!!! =D M.
ResponderExcluirObrigada, Moisés! Vou citar meu ex-aluno Daniel, escreveu sobre o vídeo: "No pálido ponto azul encontramos, ao mesmo tempo e quase em estado de superposição, a fragilidade da criatura humana & sua grandeza em reconhecê-lo diante do cosmos." Aí eu fiquei sem saber o que dizer :)
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