Sem spoilers nem resenha do
filme, apenas uma frase dita pela personagem de Annete Bening no filme de 1999,
que ressoa em minha cabeça há uns dias: “Para ser bem sucedido, deve-se
projetar uma imagem de sucesso em todos os momentos”.
Assim a personagem, à beira de um colapso, lidava com a frustração e
preocupava-se demasiadamente com sua aparência e seu jardim, onde cultivava as
rosas que dão nome ao filme.
Foi um post no facebook, sobre um dos meus malsucedidos consertos caseiros (com a
devida documentação fotográfica), que gerou o comentário de uma amiga, me fazendo lembrar dessa frase.
Dentre os comentários sobre a situação patética, ela escreveu que
uma coisa é certa – na minha vida não tem monotonia.
Sério? Me surpreendi com isso.
Guardei isso dentro, bem no fundinho, remoendo cá comigo. Você pode não
ter o mínimo interesse na minha vida, mas sugiro que remoa, lá consigo, se um
pouco de autoconhecimento for do seu interesse. A pergunta é a seguinte:
Somos o que parecemos ser, mesmo quando tentamos realmente nos expor de
uma maneira autêntica e o menos plastificada possível?
Vejamos (eu aqui, e você aí)...
Vida real: desastrada, quase sempre de bom humor mesmo nos abundantes perrengues diários. Marcas em volta da boca, de sorrir bastante (até lavando
louça!), e não na testa, já que não perco o sono em vão e procuro me desculpar
pelos dias de mau humor.
Enfim, ser humano normal (eu acho), às vezes mais gordinha,
às vezes mais magrinha, às vezes arrumada, quase sempre com a mesma calça e sem
maquiagem. Quatro décadas e mais uns anos, irreverente, inconveniente, que adora
ajudar e fazer os outros rirem. Cozinheira e comilona.
Facebook: fotos de tudo isso aí, por incrível que pareça. Música com pedaços de letra falando por
mim. Textos engraçados, outros irônicos, alguns reflexivos. Comentários bobos,
outros mais “evoluídos”. Nada de posts quando estou doente, no casulo, sem
companhia. Fotos artísticas compartilhadas, com composições inusitadas. Pensei que isso me
representasse.
Até o comentário da Luciane.
Cadê a monotonia solitária de domingo? A clausura que me imponho para
fazer as coisas que eu poderia fazer durante a semana se me organizasse melhor?
Pensei que as fotos de cachorro e comida falassem por si, mas quem sabe não. Tem
o bom dia com café cedinho e a paz genuína daquele momento, mas deixo por isso
mesmo. Quem sabe a monotonia não me represente, assim como as fotos
arrumadinhas fazendo pose.
Penso mais um pouco.
Talvez a vida dessa humilde habitante do planeta terra não seja, de
fato, monótona.
Quando tem algum problema, haja criatividade para ver com outros olhos e
relatar aos amigos de forma engraçada.
Quando está tudo maravilhoso, haja superego para não sair virando
estrelinha na rua e dançando com as pessoas que passam.
E quando tem assuntos internos desacomodando a massa cinzenta, haja
caracteres para descrever o filme que se passa em minha mente com um simples
comentário de duas linhas.
Haja beleza, enfim, para enfeitar as coisas mundanas mais feinhas, para
a gente expor nas janelas da nossa vida.
Respondendo à pergunta do início:
É, acho que tento colocar umas florzinhas. Coisa simples, que apanho na
estrada. Se elas são de plástico ou não, bem...
...nem eu mesma descobri ainda.
E as suas, são de quê mesmo?
![]() |
| Trilha do post, do Radiohead https://www.youtube.com/watch?v=m6GzWvMrWTA |

Tem dias que são de cinzas... e tem dias que são de água doce. Depende do sol...e dá lua. Obrigado por mais um texto!
ResponderExcluirMoisés F. ;)
Eu que agradeço pela leitura, Moisés! E por refletires sobre o quão perecíveis podem ser nossas flores. Abração!!
ResponderExcluir