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segunda-feira, 20 de julho de 2015

O pálido ponto azul e o som de um beijo

Nada é relevante quando enxergamos a Terra assim, de um longe tão inimaginável quanto registrado pela Voyager ao atingir o limite do sistema solar, levando consigo registros da espécie humana para outras possíveis formas de vida.

Sobre um filme. Relações virtuais. Uma sonda espacial e seu conteúdo, que o físico Carl Sagan ajudou a selecionar para representar a nós. 

Sobre a Terra e o que nela está contido, assim inicio:

É sábado. Vou à locadora em busca de algo denso e significativo para iniciar a maratona de filmes das férias. Diante de mim, um título dirigido por Jason Reitman, o mesmo do brilhante indie movie Juno, de 2007. O título, Homens, Mulheres e Crianças, traduzido literalmente do inglês, não é nada atraente, mas leio a sinopse e vou pelo elenco e diretor.

Que agradável surpresa!

O filme trata das relações humanas em tempos virtuais, de maneira sensível e visualmente inovadora, com a interface do que os personagens visualizam em seus computadores, celulares e afins na tela, ao lado deles.

É como se tivéssemos uma visão sobre seus pensamentos: a mãe superprotetora que controla cada acesso da filha a cada recurso. O pai que não consegue lidar sozinho com o filho após ambos serem abandonados por sua esposa. A mãe que explora a beleza da filha e quase sabota o futuro de ambas. O casal que usa de subterfúgios para evitar um ao outro e que acaba justamente se reencontrando dessa forma. O menino popular que descobre que a primeira vez com uma garota é bem diferente dos vídeos que costuma assistir online. 

E por fim, o garoto que encara o abandono deixando de lado o esporte, os amigos e a si mesmo, em um avatar em jogo de RPG. Segundo ele, sua existência é irrelevante para o universo, o que sustenta com as afirmações de Carl Sagan sobre os registros de nosso planeta feitos pela sonda Voyager no limite do sistema solar, apontando a Terra como um pálido e minúsculo ponto azul.

Sem maiores detalhes, recomendo o filme aos seres pensantes em geral, adolescentes ou adultos de qualquer idade. Os extras são imperdíveis, com o diretor discutindo algumas metáforas que tinham me passado despercebidas e com comentários de todo o elenco, de variadas idades e opiniões sobre essa nova era em que vivemos.

De todos os comentários, o da atriz Jennifer Garner resumiu o que buscamos, ainda que às vezes de equivocadamente, com equipamentos que nos distanciam de quem está a centímetros de distância: buscamos contato.

No encerramento do filme, narrado pela atriz Emma Thompson, o texto de Carl Sagan é esclarecedor para os leigos, como eu, permitindo uma visão mais ampla do que a mostrada pelo personagem Tim.

Resumindo (com meus sentimentos), Sagan diz que a Terra, de longe um pálido ponto azul, é nosso lar, o único que tivemos e teremos, desafiando nosso delírio de posição privilegiada no universo. Para ele, no entanto, nossa pequenez no universo e nosso “confinamento” a apenas este espaço habitável enfatizam nossa necessidade de tratá-lo com mais respeito e de sermos mais gentis uns com os outros.

Mais gentis uns com os outros. 

Relacionamentos. 

Proximidade. 

O filme.

Contato. 

...

Dentre os registros de nosso planeta, levados ao espaço interestelar pela Voyager, estão compiladas em um disco revestido de ouro 115 imagens, sons da natureza e animais, saudações em 55 línguas, uma seleção de músicas que inclui Mozart, e mais alguns ícones, conforme o site da NASA.

De todos os registros do golden record, como é chamado, o que mais representa nossa busca, em minha ínfima e singela opinião, é bastante simples:

O som de um beijo.

"Para criaturas pequenas como nós, a imensidão só é suportável através do amor" Carl Sagan (1934 - 1996)

2 comentários:

  1. Demais! Demais! Fiquei sem saber o que dizer. !!!!!! =D M.

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  2. Obrigada, Moisés! Vou citar meu ex-aluno Daniel, escreveu sobre o vídeo: "No pálido ponto azul encontramos, ao mesmo tempo e quase em estado de superposição, a fragilidade da criatura humana & sua grandeza em reconhecê-lo diante do cosmos." Aí eu fiquei sem saber o que dizer :)

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