O escritor Franz Kafka é de provocar estranheza - mal estar
até em alguns - e “dar um nó nas ideias”. Havia lido apenas A Metamorfose.
Gosto de obras densas e existencialistas, que desacomodam o pensamento.
Comprei dois livros do autor tcheco para
incluir no presente de aniversário de 17 anos de meu filho, ávido leitor dos clássicos. E hoje abri o pacote e fui
ler O Veredito. Uau!
As notas do tradutor ajudaram a situar a obra em relação à
vida do autor e a entender o significado mais profundo de várias metáforas. Demorei
para digerir o todo do conto e fiquei desconfortável e perplexa, ainda mais com
o fato de ter sido escrito há mais de cem anos – os sentimentos humanos são tão
universais quanto atemporais, mas só uma mente genial e perturbada poderia
conceber algo desse tipo.
Fiquei pensando se deveria presentear meu filho com uma
literatura tão, digamos assim, pesada. Claro
que é até ridículo tentar "proteger" um adolescente que
pode ler o que bem entende.
Na hora do almoço, comentei com ele meu dilema. “Quando é que eu posso pegar os livros?”, me perguntou. Acabei fazendo
uma propaganda do autor, mesmo sem nenhum spoiler.
Vou dar a ele os livros. E ainda A Vida nos Bosques, de Thoreau,
que me encomendou há tempos, esperando que não decida se mudar para uma cabana
às margens de algum lago. Mesmo sabendo o quanto um livro pode mudar e moldar
ideias e ideais, acho que quem leu Jack Kerouac, Bukowski, Salinger, Steinbeck,
Einstein e Stephen Hawking pode dar conta.
Fiquei pensando o quanto é bom acompanhar as leituras dos
filhos para tentar entender a evolução do pensamento deles nessa idade. Preciso de uns empréstimos dessa biblioteca. Preciso também da paciência e do tempo que tinha, com essa idade, para ler mais.
Bom mesmo seria passar um tempo alheia à sociedade, em uma cabana à beira do lago Walden.
Melhor evitar Thoreau pelos próximos
20 anos. Até lá fico como o trapezista de Kafka, que vivia somente no trapézio.
Deixemos as ideias de mudança para os 17 anos, a quem a vida tudo permite.

A vida permite tudo aos vivos. Sim? Ou isso é pensamento de 18 anos +10?
ResponderExcluirAcho que permite mesmo, Moisés. Mas com 18 anos + 24 a gente complica um pouco mais. E se enrola por amor a essas criaturinhas pensantes que compartilham dos nossos gostos musicais e literários. ( :
ResponderExcluir