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terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Super hiper mega dramática.

Dentre todas as coisas para quais os amigos servem, esfregar umas verdades na nossa cara é sua mais nobre missão. De modo que tive que admitir: sou super hiper mega dramática. 

Claro, ser uma “drama queen” tem algumas vantagens, já que as coisas quase sempre são menos apocalípticas do que eu imagino.

E pra uma drama queen meio hipocondríaca, tem sempre aquele negócio de achar que até um farelo de chocolate no braço é uma pinta suspeita.  Já vou escrevendo a lista das coisas que tenho que fazer antes de morrer. Isso antes mesmo de ir no médico ou tirar a “pinta” no banho.

Mas esse ano gente, sério é o fim. Varizes. Caraca, varizes!!!!! (cinco pontos de exclamação) 

E cara, que dooOOOoor nas pernas!!! Daquelas tipo elefantíase, de ter que deitar e colocar as pernas pra cima. E eu deitada? Tortura purinha. Assim, tive que encarar de novo o angiologista. 

Chegando no doctor, tadinho, foi mais ou menos assim:

- E aí, como está?

- Doutor, sabe aquele mapa hidrográfico que eu falei ano passado? 

- Sim.

- Dessa vez ele está se desenhando mesmo nas minhas pernas. E dói muuuito!

- Então vamos ver esse mapa.

Examina minhas pernocas. 

- Mas onde estão essas varizes?

- Ah, não sei bem porque só tenho o espelhinho do banheiro em casa e evito olhar, mas tem uns roxos aí e às vezes tá inchado aqui, ó, nos pés. E esses dias rompeu uma veia, ficou o trajeto roxão na minha perna.

- Tem alguma coisinha aqui. E nessa coxa, mas muito pouco.

- Não quer ir fazendo logo uma safenectomia e me poupar de mais sofrimento?

- Tu conhece alguém que fez safenectomia?

- Claro, doutor. Pode tirar logo a safena, enfarto não é comigo. Meu colesterol e triglicerídeos são invejáveis.

Ele meio que riu e eu também, que naquela hora eu estava exagerando na cirurgia mas não na dor. Sou uma exagerada seletiva.

Depois de meia hora fazendo eco com doppler pra ver o fluxo me diz ele que está tudo sob controle. Me prescreve de novo as meias elásticas, que dessa vez prometo usar. Me prescreve também um remédio pra ajudar na circulação, que nem os pediatras têm que dar pra mãe neurótica quando o filho espirra. 

E eu saio mais contente, aliviada, quase saltitando, que a dor ainda estava leve.

Concluo da consulta que eu não queria ser meu médico nem a pau. 

Concluo também que é fácil tranquilizar pessoas dramáticas, é só prescrever alguma coisa. 

Por outro lado, ele deve ver cada coisa que pras minhas varizíssimas parecerem graves teriam que ser grossas que nem uma caneta Bic, acho eu. Meio que bateu uma desconfiança, posso estar com alguma doença grave que ele não quis me dizer, vai saber?

Melhor aproveitar bem a vida e ir riscando umas coisinhas da minha lista. Vou usar as tais meias pra ir com as elas num baile da terceira idade. Deve ter onde sentar e colocar as pernas pra cima. 

Rolezinho pra mim, agora só de cadeira de rodas. 

Não tá fácil pra ninguém, gente. 
Não era a Bacia Amazônica estampada nas minhas pernas?

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