Mas como nem olho o número, acontece de atender muito
telemarketing. E ainda com meu nome, digamos, peculiar, acontece cada uma!...
- Alô.
- ....
- Alô!
- Por gentileza, Mádelon se encontra?
- Não, não tem ninguém aqui com esse nome.
Desligo. Que boa desculpa, né? Não quis explicar que as
proparoxítonas são acentuadas e tal. Acho que seria tão do interesse da moça
quanto é do meu adquirir o que ela estava vendendo. O que era? Não me interessa,
claro.
- Rélou!! (achando que era minha amiga de novo)
- Alô. Ééé...por gentileza... Madelon...se encontra?
- Sim, sou eu.
- Senhora Madelon, poderia, POR gentileza (ênfase na palavra
por) confirmar deu CPF?
- E eu poderia saber com quem estou falando?
- Meu nome é Fulana De Tal. Eu falo em nome da Vivo. A
senhora foi selecionada entre os nossos clientes para estar adquirindo (adoro “gerundismos”!...não)
um seguro de vida e acidentes pessoais.
- Mmm... (não me dá tempo de falar que não)
- Por apenas tantos reais mensais na sua conta telefônica,
senhora Madelon, a senhora pode estar recebendo um benefício de tantos mil
reais caso a senhora venha a falecer de acidente. E caso a senhora sofra um
acidente,...em que a senhora trabalha?
- Sou professora.
- Então, senhora, em caso de acidente (ela falando daquele
jeito cantado e ensaiadinho, meio cômico devido ao assunto) que deixe a senhora
temporariamente incapacitada, esse valor é de tantos mil reais, que estaria
cobrindo as despesas que viessem a ocorrer, já que a previdência não cobre
custos extras...
- Obrigada, mas já tenho plano de saúde. (nem me escuta e
continua)
- ...e caso a senhora
venha a ficar permanentemente incapacitada, senhora Madelon, esse valor sobe para
tantos mil reais.
Aí a mulher fala por uns 10 minutos de todas as vantagens
que eu teria em me acidentar, ficar inválida pelo máximo de tempo possível, e
das mil maneiras que eu teria de morrer, provavelmente incluindo decapitação
por espada samurai, tentativa frustrada de abdução e ataque zumbi. Meu cérebro não
escutou muito, distraído com imagens bizarras naquele momento.
- Obrigada, mas não estou interessada.
- Posso saber o motivo?
- Já tenho seguro de vida (tenho nada, mas “vou estar
adquirindo” quando receber a proposta por escrito em um dia que tiver dormido 8
horas).
- Ah, ok. Muito obrigada pela sua atenção, tenha uma ótima
tarde.
- Obrigada, igualmente.
Sei que as mulheres (são sempre mulheres) estão fazendo o
trabalho delas, tadinhas, e sou sempre educada. Mas é cada uma, gente!
Seguro de vida, LBV pra eu doar dinheiro. Sky, pra eu ampliar
meu pacote antigo, o mais caro e sem vantagens que eu conheço e assim por
diante. Cartão de crédito. Oi. Claro. O escambau. Quem manda eu atender?
Mas tem uma que é clássica e sempre me diverte. Acontece
seguido.
- Alô.
- Alô. Por gentileza, “o senhor Madelon”?
Rio muito, por dentro, antes de responder.
- Por gentileza, qual é o segundo nome dessa pessoa? (É
Carine. Não gosto também, mas não fui eu que escolhi.)
- Ããn...
Desliga na minha cara.
Adoro!
Acho que as outras operadoras deviam seguir o exemplo e
nunca ler o segundo nome. Pouparia meu tempo e paciência, que às vezes estão
meio escassos.
Também acho que eu deveria olhar melhor o número antes de
atender o telefone.
E pô, meu filho bem que podia levar sempre o celular dele,
carregado, quando saísse...
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| "Alô! Posso por favor interromper seu tempo privado para lhe vender algo que você não quer?" |

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