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sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Telemarketing

Tenho um costume incomum, que vem da era pré-celular e pré-identificadores de chamada: atendo sempre o telefone. Até porque não é raro meu filho me ligar de um número que não conheço para me dizer onde está, pedir carona e coisas assim. Mãe atende, nunca se sabe. 

Mas como nem olho o número, acontece de atender muito telemarketing. E ainda com meu nome, digamos, peculiar, acontece cada uma!...

- Alô.

- ....

- Alô!

- Por gentileza, Mádelon se encontra?

- Não, não tem ninguém aqui com esse nome. 

Desligo. Que boa desculpa, né? Não quis explicar que as proparoxítonas são acentuadas e tal. Acho que seria tão do interesse da moça quanto é do meu adquirir o que ela estava vendendo. O que era? Não me interessa, claro.

- Rélou!! (achando que era minha amiga de novo)

- Alô. Ééé...por gentileza... Madelon...se encontra?

- Sim, sou eu.

- Senhora Madelon, poderia, POR gentileza (ênfase na palavra por) confirmar deu CPF?

- E eu poderia saber com quem estou falando?

- Meu nome é Fulana De Tal. Eu falo em nome da Vivo. A senhora foi selecionada entre os nossos clientes para estar adquirindo (adoro “gerundismos”!...não) um seguro de vida e acidentes pessoais.

- Mmm... (não me dá tempo de falar que não)

- Por apenas tantos reais mensais na sua conta telefônica, senhora Madelon, a senhora pode estar recebendo um benefício de tantos mil reais caso a senhora venha a falecer de acidente. E caso a senhora sofra um acidente,...em que a senhora trabalha?

- Sou professora.

- Então, senhora, em caso de acidente (ela falando daquele jeito cantado e ensaiadinho, meio cômico devido ao assunto) que deixe a senhora temporariamente incapacitada, esse valor é de tantos mil reais, que estaria cobrindo as despesas que viessem a ocorrer, já que a previdência não cobre custos extras...

- Obrigada, mas já tenho plano de saúde. (nem me escuta e continua)

 - ...e caso a senhora venha a ficar permanentemente incapacitada, senhora Madelon, esse valor sobe para tantos mil reais. 

Aí a mulher fala por uns 10 minutos de todas as vantagens que eu teria em me acidentar, ficar inválida pelo máximo de tempo possível, e das mil maneiras que eu teria de morrer, provavelmente incluindo decapitação por espada samurai, tentativa frustrada de abdução e ataque zumbi. Meu cérebro não escutou muito, distraído com imagens bizarras naquele momento.

- Obrigada, mas não estou interessada.

- Posso saber o motivo?

- Já tenho seguro de vida (tenho nada, mas “vou estar adquirindo” quando receber a proposta por escrito em um dia que tiver dormido 8 horas).

- Ah, ok. Muito obrigada pela sua atenção, tenha uma ótima tarde.

- Obrigada, igualmente.

Sei que as mulheres (são sempre mulheres) estão fazendo o trabalho delas, tadinhas, e sou sempre educada. Mas é cada uma, gente! 

Seguro de vida, LBV pra eu doar dinheiro. Sky, pra eu ampliar meu pacote antigo, o mais caro e sem vantagens que eu conheço e assim por diante. Cartão de crédito. Oi. Claro. O escambau. Quem manda eu atender?

Mas tem uma que é clássica e sempre me diverte. Acontece seguido.

- Alô.

- Alô. Por gentileza, “o senhor Madelon”?

Rio muito, por dentro, antes de responder.

- Por gentileza, qual é o segundo nome dessa pessoa? (É Carine. Não gosto também, mas não fui eu que escolhi.)

- Ããn...

Desliga na minha cara. 

Adoro! 

Acho que as outras operadoras deviam seguir o exemplo e nunca ler o segundo nome. Pouparia meu tempo e paciência, que às vezes estão meio escassos.

Também acho que eu deveria olhar melhor o número antes de atender o telefone.

E pô, meu filho bem que podia levar sempre o celular dele, carregado, quando saísse...
"Alô! Posso por favor interromper seu tempo privado para lhe vender algo que você não quer?"

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