“ÀS VEZES A GENTE SE ARRISCA PORQUE É A ÚNICA SAÍDA”
Faz
um ano que minha vida mudou um pouco, e pouco mais de um mês que mudou
totalmente.
Fui
professora de inglês em colégios por 11 anos. E contando com as escolas de
idiomas, faz uns 19 anos que sou professora.
Mas
no ano passado, o ensino remoto quase acabou comigo!! Precisei sair do meu
emprego não só por causa de saúde mental. Foi uma questão de sobrevivência
mesmo. A gota d’água foi uma semana em casa, com crises de pânico. Conversei
com meu marido e fizemos as contas. Ele me dizendo, “Isso não é um trabalho, é
uma missão! Sai desse emprego. Eu pago nossas contas até tu te formar e
trabalhar de novo”.
Foi
a luz no fim do túnel para quem não via saída. E não tinha saída mesmo, porque
eu estava saindo para nunca mais voltar a ser professora. Mas sabia que não
sabia fazer mais nada. E que desespero isso me causou!
Mas
tudo tem seu ciclo e as coisas se acomodam. Aconteceu assim:
Fui
cursando a faculdade, me recuperando do pânico, da fobia social e de desequilíbrios
físicos. Chegou a época de assistir às aulas para os estágios. E tive aquela
sensação boa de estar no meio de adolescentes de novo, e crianças, de estar
rodeada de vida.
Um
belo dia, me deram uma rifa para vender. E como vinte reais (!) me fariam
bastante falta se eu comprasse a folha toda, fiz o que achava impensável: vendi
os números. E mais ainda: gostei de vender.
Detalhe:
eu sempre detestei lidar com dinheiro, tinha imensa dificuldade de cobrar pelo
meu trabalho e jamais tinha vendido coisa alguma!
Passou
um mês e eu senti muita falta de ter MEU dinheiro, a ponto de ter uma crise num
domingo. Perguntei ao meu marido, “O que tu acha de eu fazer pães para vender?
Eu tenho medo de falhar.” Imaginei que ele levantaria possíveis empecilhos ou
daria conselhos para eu não me frustrar. Mas não. Me disse que achava ótimo e
que só fazendo para eu saber.
No
dia seguinte comecei! E fiz etiquetas em casa mesmo para os produtos. Vendi
todos que eu fiz. E no outro, mais pães, caminhei de porta em porta para
vender, fiz contatos na vizinhança, adaptei produtos, medi pesos de receitas,
precifiquei cada centavo, fiz um caixa detalhado, anotei o que produzi e vendi,
tudo direitinho.
Nem
consigo explicar a satisfação de voltar para casa com o cesto vazio e meu dinheiro
SEM ESTRESSE na carteira!
E
dali em diante, passei a anunciar, tenho encomendas, organizo o dia em função
delas e do final da minha graduação, que está em fase de estágios em duas
escolas – bem corrido.
Acho
até que no final do ano voltarei para uma sala de aula e os pães serão uma
atividade extra. Mas esse não é o ponto.
A
questão é:
MUDEI
TUDO! Me atirei sem rede, aos quase 50 anos. Não tinha ideia do que viria, nem
esperava me reapaixonar pelo ensino.
Eu só sabia que não podia mais ficar naquele
esquema de trocar vida por dinheiro.
Mas
sobretudo, provei para mim mesma que consigo fazer o que eu sempre dizia, “Qualquer
coisa, faço comidas para fora”. Porque eu nunca acredei que teria a saúde
física, organização e persistência para isso. Era só uma ideia conveniente.
E
para resumir:
Não
é sobre fazer pães. É sobre comprovar que não preciso morrer de preocupação e
estresse para me manter.
É
sobre, aos 50 anos, cuidar da saúde do corpo para poder fazer uma tarefa
bastante física. E sobre aprender novas habilidades, como vender, mexer no Canva,
anunciar, fazer precificação e contabilidade, monitorar estoques, compras e
organizar o tempo.
Não
sei por quanto tempo farei pães e bolos e sabe-se mais o quê dessa cozinha tão
afetiva. Só sei que eu consigo, que preciso de muito pouco e que não estou
muito velha para recomeçar.
O
nome disso,
se
você ainda não percebeu,
é
LIBERDADE.
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| Não se esqueça de viver. Beijos de moranga com linhaça para você! |

Adoro teus textos ,sempre de otimismo e superação ."Tu é que nem bombril " kkkk mil e uma utilidade e onde passa da brilho. Pinta,escreve cozinha.... sempre surpreende .Do limão faz uma limonada. Cai , levanta ,sacode a poeira e da volta por cima .Grande exempo de saber Viver .Bjos querida!
ResponderExcluirAmei o texto, amei saber que (re)encontraste a luz no fim do túnel, seja com a produção de pães (que espero ainda provar) ou a volta à educação com os estágios. Saudades tuas e das nossas conversas em espanhol. Sê feliz, amiga! Isso que realmente importa. Besitos
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