Assim os textos me vêm à mente: intrometidos, sem hora certa. Vão se formando em qualquer lugar: no banho, no carro, na fila do almoço ou observando as pessoas ao meu redor. Às vezes saem coisas mais filosóficas, às vezes apenas divertidas. A vida não é sempre igual, não é mesmo? Escrevo para elaborar meus sentimentos. Aí eles sossegam.
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domingo, 24 de fevereiro de 2019
Aconteceu com outra amiga
Tenho uma amiga que é linda, inteligente, divertida e excelente motorista, mas tem um único defeito: acumular rejeitos (apenas e tão somente) em seu carro.
Lavar o carro? Só dá no sábado, dia de ficar em casa, mas que também é dia de limpar todo o apê com, aí ela acaba adiando. Ah, e aqueles 40 pila ela preferiria poupar para gastar num sushi, lavando seu pequeno veículo preto na calçada do prédio. O sushi acontece – a lavagem não.
O interior do carro da minha amiga tem lixeirinha transbordando de papel de chocolate, várias garrafas de água e cascas mumificadas de banana.
Então, um dia, dirigindo na rua principal de sua pequena cidade, ela sente uma cosquinha no pé direito.
Pausa para você ir formulando suas hipóteses.
A amiga tira o pé do acelerador e dá uma chacoalhada, deve ser algum papel de doce que foi parar ali.
Mais umas quadras, nova cosquinha andando no pé da amiga. Ela olha para baixo.
Adivinhou, né?
La cucaracha! Uma baratilda saudável, reforçada, criada a whey e restos do chão do carro.
Pausa para imaginar o pavor da anti-higiênica pessoa.
Nesse momento, ela dirige sem o pé no acelerador, levantando as pernas à altura do volante, tipo quando a gente andava de bicicleta na carona e não podia arrastar os pés no chão, sabe? O carro continua indo no embalo, mas onde parar aquele chiqueiro ambulante para procurar o inseto?
Ela avista uma vaga na frente de um restaurante. Aponta o carro e estaciona ali, a quase um metro da calçada. Sai correndo e vai para o lado do passageiro. Abre a porta. Procura a barata. ACHA a barata! A coitada está apavorada, escondida embaixo do pedal do acelerador. Mas minha amiga precisa agir e atacar o inseto antes que provoque um acidente.
Na frente do pessoal que está na calçada, a indivídua tira sua sapatilha, cata a barata e, com um golpe certeiro, a abate. Com uns guardanapos que estavam no chão do carro, a amiga recolhe o corpo e o deposita na sarjeta – não a julguem, é tudo biodegradável.
Sem olhar para os lados, ela entra no carro e dirige até em casa, pisando nos pedais como quem está atravessando um potreiro minado de esterco fresquinho.
Chega à garagem. Ufa! Não sabe como conseguiu se controlar e agir de maneira racional diante de uma situação tão amedrontadora! Sente-se quase uma diva corajosa triunfante. Praticamente uma Mulher Maravilha. Mas cai na real em 10 segundos. “Sou apenas uma Peppa Pig com mais sorte do que vergonha na cara. Preciso mandar lavar esse carro!”
Mas a lavagem de carros estava lotada naquele dia. E minha amiga não tinha mangueira nem vontade de lavar o carro. Nem de tirar o lixo, que poderia estar habitado por familiares da barata assassinada.
Sobe até seu apartamento - muito mais limpo, felizmente. Pega o inseticida. Desce. Abre o carro, prende a respiração e descarrega uma nuvem de SBP no veículo todinho, fechando a porta em seguida.
Carro interditado por uns dias. Mais um corpo baratal no chão da garagem. Culpa. Luto. Aceitação. Vida que segue.
Só que a partir daquele dia, tudo mudou: seu carro agora é um veículo imaculadamente limpo, lavado todos os finais de semana. Nunca mais houve uma embalagem de alimento deixada ali. Há um odor delicioso, de aromatizador para carros. Ela comprou um novo o tapete para o lado do motorista e uma lixeirinha só de enfeite. E todos continuarão lhe pedindo carona.
Esse relato é totalmente verdadeiro, exceto o parágrafo anterior.
Mas se quiserem carona, o carro tem boa música, uns lanchinhos e inseticida no porta-luvas.
Minha amiga preferiu não se identificar.
Sábia essa diva do chorume motorizado!
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