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terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Disfunções cronológicas e a lista de Murtaugh

A quem interessar possa, este ano completarei, se viva estiver no Dia da Criança, a quantia de quarenta e seis anos, muitíssimo bem vividos. 

Já inicio o texto com essa dica, de que faço aniversário na adorável data de 12 de outubro.

Coincidência?

Não posso afirmar, mas vou jogar os fatos e você tira suas próprias conclusões.

Então, com a barrinha de tempo do meu vídeo game na metade do que é possível sobreviver (estou sendo otimista para uma pessoa sedentária) e inspirada por um episódio de How I Met Your Mother, me dispus a fazer a “lista de Murtaugh”, das coisas para as quais estou muito velha.

No entanto, já constatei alguns problemas, já que até o momento apenas escrevi o total de dois (02) itens:

- Usar franja (usei até 14 meses atrás)

- Fazer duas trancinhas ou sardas para a festa de São João.

Só isso.

Sinto que deveria ter algo relacionado a gírias. Com certeza meus alunos seriam ótimos colaboradores nesse quesito.

E tenho quase certeza de que eu deveria incluir camisetas de bandas, seriados, Star Wars ou qualquer coisa da Nerd Store.

Tenho a impressão de que a sociedade espera que eu evite leggings e tênis no trabalho. Ou tranças. Ou que eu pare de virar estrelinha, especialmente com um braço só. E pare de assoviar mais alto do que os meninos.

Sinto um eco social, um sussurro nos meus ouvidos, um lembrete do Código De Conduta Para Adultos Acima De Quarenta Anos, me dizendo como eu deveria me portar. Tenho me feito de surda até o momento. Mas observando ex-colegas da minha idade, senhoras como eu, noto uma certa discrepância.

E me lembro do que minha mãe usava quando tinha a minha idade e de como eu achava ela uma senhora – se bem que ela já era avó com a minha idade, não por minha culpa ou que o fato de ser avó impeça alguma coisa, mas acho que você entendeu.

Pois como eu ia dizendo, o tal sussurro me diz que quando a pessoa atinge essa idade ela deve usar roupas de senhora. E cada vez que eu vou a uma loja (odeio comprar roupas com todos os poderes de Greyskull), vejo a arara de como eu deveria me vestir e a arara de como eu gostaria de me vestir. E acabo optando, conforme o estado de espírito, por algo “de velha”, que vai ficar estacionado no quarda-roupas, ou por algo que só visto quando estou cheia da coragem.

As calças de suplex e camisetas habitam o limbo do conforto-para-o-trabalho, o que me deixa desconfortável, já que não tenho roupa adequada para sair. E o fato de ser casada com um homem dez anos mais jovem não ajuda muito no quesito fashion, tenho que admitir. Até porque ele usa sempre jeans, tênis e camiseta, o que eu adoro, mas não quero ser a mãe-do-meu-marido, deuzolivre, help me, Freud!

Quanto aos requisitos de reboco facial, sinto que deveria usar pelo menos um pó na cara, um rimelzinho, um lápis de sobrancelha, um gloss. Inclusive porque, quando apareço assim no trabalho, as pessoas se espantam com a diferença, o que me deixa espantada.

O mesmo ocorre quando tiro o tempo de secar a juba e deixá-la solta, o que é raro. Esmalte, aquele amiguinho que já foi bff, anda meio escasso. Gosto de mexer na terra sem preocupações nem luvas.

Mas retomado a lista de Murtaugh, decidi que vou deixar ela assim, inacabada e só com esses dois itens. Vou escrevendo conforme a vida for acontecendo, né?

Vamos vendo, neste percurso morro abaixo da curva da vida, as coisas para as quais estou muito velha no melhor estilo, “Vida, surpreenda-me!”

Pode ser que em breve eu sofra (verbo escolhido de propósito) uma ascensão nas condições físicas e coloque “correr apenas 6 dias por semana” ou “usar biquíni só na praia”. Pode ser que eu recorra a um discreto lifting facial e liste “levar sempre a identidade para ingressar em casas noturnas”.

Pode ser que a moda favoreça as pessoas que gostam de conforto, com modelos tipo macacão de astronauta ou traje (masculino) da Enterprise, ocasião na qual listarei “usar jeans ou salto alto” na lista do que não fazer – o que seria um sonho comparável a comer sem engordar.

Pode ser que a medicina avance a ponto de disponibilizar transplantes de coluna, daí eu escrevo que estou muito velha para algumas atividades da ginástica artística e retomo as outras.

Pode ser que, num futuro próximo, se transplantem também cérebros. E que meu plano de saúde cubra a cirurgia. E que haja um corpo que suporte esse entusiasmo meio patético para a minha idade. Fico só imaginando essa maravilha!

E tá certo, pode até ser, na pior das hipóteses, que realmente exista o tal Código De Conduta Para Adultos Acima De Quarenta Anos.

Mas EU é que não vou assinar!

Nem.

Se pá eu faço até greve de fome. 

Ou prendo a respiração até ficar roxinha. Assim, ó.

Duvida?


Ah, mas então você não me conhece mesmo!

Quando se trata da Baddie Winkle, é difícil escolher a melhor foto <3 

PS: ilustrando com uma foto da diva que acompanho há três anos, Baddie Winkle. Se um dia eu for uma velhinha assim é porque tudo deu certo.



Um comentário:

  1. Pra mim essa lista poderia estar zerada... pode deixar a franjinha e no São João as tranças e sardas estão liberadas... :)

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