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sábado, 4 de novembro de 2017

Instruções pro pós-vida

Há uns dias, eu estava lendo no site Bored Panda um post sobre lápides bem-humoradas. 

Eu sei que para muitos a morte é um assunto triste ou um tabu. A estes, peço que me desculpem a naturalidade com que trato desse futuro acontecimento da nossa existência. Porque é só uma questão de tempo para todo mundo, e eu não poupo umas piadas e conjecturas, que é basicamente como eu vejo e vivo a vida.

No site, em inglês, tinha coisas como “Um veterano gay. Recebeu uma medalha por matar dois homens e uma dispensa por amar um”. 

Tinha também, em letras miúdas em uma lápide, “Se você consegue ler isso, está pisando nos meus peitos”. 

E uma com foto de uma senhorinha atendendo ao telefone, dizia “Jesus ligou (chamou, é o mesmo verbo em inglês) e a fulana atendeu”. 

Ri de todas, então acho que cumpriram a função pretendida.

Eu sempre dizia que queria que escrevessem “Eu disse que não estava me sentindo bem”. Mas passei a uma certeza absoluta de que vou partir dessa pra algum lugar (ou pro nada) de câncer (tem câncer de mama na família e desde os 20 anos eu tenho uns nódulos suspeitos, já retirei um) ou em acidente de carro (sempre na estrada com uns caminhões malucos colados na traseira). Mas enfim, são meus palpites, por favor não me julgue.

Digo pra todo mundo que, depois de doarem meus órgãos (até o cabelo pra fazer pincel), eu gostaria de ser cremada e minhas cinzas espalhadas em algum matinho aleatório. 

Não suporto aquele peso que as pessoas têm de visitar túmulo, capinar, lavar, limpar e tal. Mas minha sobrinha, que tem o mesmo humor ácido do meu, é da opinião de que dá pra fazer uma placa simbólica, com o nome e uns dizeres.

Aí tô entre duas possibilidades. Ficam mais legais em inglês, então se for pelas causas que eu acho que serão, fica:

“I told you so!” (Eu avisei).

Se for de um outro motivo, pode ser “I didn’t see this one coming!” (Por essa eu não esperava!).

Claro, fiquei na dúvida de onde seria a placa e tal. Podia ser virtual, que não enferruja e é grátis, acho que seria prático.

Mas enfim, por enquanto ainda tô aqui, escrevendo besteiras nas interuébi sem ser contida e correndo o risco de ser mal interpretada. Depois disso, tanto faz. Só queria que aproveitassem se sobrar algo da carcaça.


Não queria era dar trabalho de visitação. Porque seria tipo tocar a campainha, eu não estar em casa e a pessoa ainda lavar meu tapete e tirar o inço da minha grama. 

Estranho, né?

Eu acho.

"I'm so surprised!" Tô com uma cara felizinha de quem ganhou algum prêmio, parece. 


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