Ofereço carona pra levar na rodoviária, às 5h40. Não precisa, o pai da Betina leva...de novo!
Tá certo, estou com um negócio que não sei se é ou não é pneumonia e tá úmido de monte, mas eu poderia.
E eles fizeram comidinhas tão nutritivas e lindas pra semana, embaladas e etiquetadas. Enquanto mãe, só colaborei com os pães de alho pro churras dos boys no sábado. E foram só 6 pães!
Comento com a norinha, que é a filha que sempre atende ao telefone, que estou mais obsoleta que um apêndice. Que umas amídalas.
Penso na minha finada vesícula. E nos sisos, que nunca nasceram e não existem na minha boca.
Sou prescindível, obsoleta, desnecessária.
Diz meu marido que é legal que eu tenho um filho tão independente. E eu sei disso.
Mas até as verdades boas são meio inconvenientes quando respingam no nosso olho, será que todo mundo não sabe disso?
Concluo, pensando um pouco mais, que sou um aparelho de videocassete.
Ridículo? Aposentado?
Desnecessário, mas que já teve sua utilidade. E sabe, vão precisar de mim pra assistir àquelas fitas dos 3 anos de idade. Vão precisar de mim pra dar uma espiadinha na infância.
E aí me lembro do hoje. E de que também tricoto toucas, para repor aquelas perdidas nas universidades da vida.
E isso me agrada - que as toucas, assim como os filhos, não sejam de um apego que incomoda.
Assim, sorrio escrevendo isso.
Sorrio com um orgulho secreto, de máquina de escrever ultrapassada, que ajudou a compor as páginas do livro do que é o hoje.
Sei que amanhã acordarei antes das 6. E pedirei notícias, antes de sair pro trabalho, dos dois adultos que moram tão juntinhos de mim.
E que crescem tão rápido que sempre me ultrapassam.
Antes de dormir, aceno contente.
Sou uma mãe no retrovisor.
Sou uma mãe de um cara de quase 20 anos!
Uma mãe que acena feliz.

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