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terça-feira, 6 de outubro de 2015

Humans Of New York e os do pálido ponto azul

Dentre todas as coisas que a internet e a o Facebook nos proporcionam, nada é de tão fundamental importância para mim quanto a página Humans Of New York (HONY).

Brandon Stanton é o fotógrafo/repórter por trás das imagens de nova-iorquinos que contam alguma história, curta ou longa, ou de fotos com alguma legenda breve e significativa. O que há de especial na página não é que as pessoas sejam ou contem coisas extraordinárias, mas talvez o contrário: o quanto podemos nos identificar com esses humanos de aparências e histórias tão diversas. 

Particularmente, me sinto tocada tanto pelas histórias tristes quanto por alguma legenda divertida. Diria que a página é uma janela para a diversidade humana. Mas isso até cerca de dois meses.

Foi quando Stanton aventurou-se em uma viagem ao Paquistão e fotografou uma série de pessoas que deram seu depoimento sobre as dificuldades e as alegrias de viver nesse território, que até então eu enxergava por uma janelinha miúda e estereotipada na mídia.

Humans Of New York colocou na vitrine, sem interesses políticos ou econômicos, a vida de pessoas até então muito mais distantes, ao menos para mim, do que os de Nova Iorque. E assim ele fez também em uma tocante viagem ao Irã.

Documentados os humanos do Irã, surgiu uma nova “missão” para a página, talvez despertada pela repercussão no mundo todo da foto do menino sírio de bruços na praia da Turquia, vítima de uma tentativa desesperada de sua família de fugir em condições precárias de uma situação que ameaça o direito mais básico do ser humano: o direito à vida.

Humans of New York esteve na Grécia e em outros países europeus por cerca de duas semanas, documentando as histórias mais inimagináveis de sobreviventes da emigração da guerra civil da Síria para a Europa, cruzando o mar em botes de plástico superlotados no meio da noite para evitar a vigilância.

Para pagar aos smugglers (contrabandistas de pessoas, nesse caso), alguns chegam a trabalhar quinze horas por dia por mais de um ano, ou vender tudo que possuem. Outros não têm a chance de se despedir dos familiares. E a maioria, ao deparar-se com a embarcação rudimentar e superlotada que os levaria à liberdade, entram em desespero. Mas diante da recusa dos smugglers em devolverem seu dinheiro, acabam partindo, muitas vezes rumo à morte por afogamento na escuridão do mar noturno.

Muitas histórias têm um final esperançoso e de alívio. Outras, nem tanto. Mas todas valem a leitura.

Talvez quem já tenha lido este blog esteja se perguntando o porquê de eu recomendar Humans Of New York justamente agora, com essas histórias de partir o coração, já que geralmente publico textos mais leves ou engraçados.

Bem, digamos que não só criamos novas maneiras de enxergar nossos próprios sofrimentos quando nos deparamos com outras realidades como reafirmamos nossa fé nas milhares de pessoas empenhadas em ajudar os imigrantes em sua busca por uma vida melhor. Esses também estão retratados no projeto de Brandon Stanton, que a meu ver, ainda receberá vários prêmios por sua contribuição a nível mundial.

E caso você se interesse pelo projeto e seu inglês não esteja tão afiado, sugiro pedir ajuda a algum conhecido ou mesmo usar recursos de tradução, pois vale a pena.

Ainda, é reconfortante ler os milhões (literalmente) de comentários de solidariedade de pessoas do mundo todo para com a situação, especialmente de gregos que mudaram seu ponto de vista ao saberem das histórias de alguns rostos nas multidões que "brotam" em suas praias.

Para encerrar com uma ideia do que o projeto ilustra, um comentário em um post diz que ninguém coloca o filho em um barco a menos que seja mais seguro do que a vida que deixam em terra.

Que possamos, nós humanos de bem, agradecer por estarmos em terras seguras, com alimento e um teto sobre nossas cabeças. Ou navegar em direção a terras seguras. Ou estender a mão àqueles que não contam com isso.


Mas sobretudo que, diante de tanta violência imposta pelo homem sobre o próprio homem, ainda possamos enxergar a solidariedade, a esperança e a resiliência como os maiores triunfos dos humanos do pálido ponto azul, nosso único planeta Terra.

A história de Muhammad, com um desfecho de aquecer o coração: a solidariedade de um desconhecido e o recomeço na Áustria


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